'Era Uma Vez em... Hollywood': Tarantino revela que, pela primeira vez, não escolheu a trilha a partir da própria coleção de discos
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'Era Uma Vez em... Hollywood': Tarantino revela que, pela primeira vez, não escolheu a trilha a partir da própria coleção de discos

Aos 56 anos, Quentin Tarantino coleciona filmes incríveis em seu currículo como diretor, com colaborações de grandes atores de Hollywood e premiações guardadas na pratilheira de sua casa. Sua carreira no cinema, no entanto, nunca teria sido tão bem-sucedida sem o artifício da música, que ajuda o cineasta a ambientar e criar suas famosas narrativas para as telas, como admitiu em uma entrevista recente.

Ao blog "Discogs", Tarantino deu entrevista falando de sua gigantesca coleção de vinis e tratou sobre a influência da música em seus longas, principalmente no mais recente, "Era Uma Vez em... Hollywood". O cineasta diz que nunca contou quantos discos ou filmes acumulou em sua coleção — “Tenho discos para ouvir até o fim da vida”, dimensiona — e que há cinco ou seis anos não compra quase nada. A não ser quando viaja. “Em novos lugares, meu passeio favorito é conhecer lojas de discos usados. Umas três vezes no ano eu faço esse tipo de coisa e, eventualmente, sai uma farra em compras.”

Apesar de ter em sua trama uma ligação muito forte com o pop, "Era Uma Vez em... Hollywood" marcou uma metodologia diferente de trabalho de Tarantino em relação à trilha. "Sempre que penso na ideia de um filme, vou até meu quarto de discos e começo a procurar músicas para ele. Esse é o modo como eu opero desde o começo da minha carreira. Mas isso não aconteceu neste filme. As canções não podiam sair da minha coleção, mas da rádio KHJ (mostrada no filme), então fui procurar no acervo deles tudo o que tocava entre 1964 e 1974. E encontrei coisas realmente boas, além de jingles e samples usados na rádio a época", disse.

Mary Ramos, que trabalha com Tarantino há décadas, e hoje tem o crédito de supervisora de música em seus filmes, compara a trilha da nova produção a "uma cápsula do tempo". Mas o diretor vê mais diferenças do que isso: "Naquela época, um hit não era necessariamente algo nacional. E como as canções da época que escolhi para o filme foram as usadas pela rádio KHJ, o filme tem muito dessa nostalgia local".

A viagem nostálgica à Califórnia do fim dos anos 1960 o levou a revisitar músicas de outra trilha, a de "Loucuras de verão" (1973), de George Lucas, que funciona como uma excelente coletânea da era do rock'n'roll, mais para o fim dos anos 1950 e começo dos 1960 — reúne 41 faixas, indo de The Del Vikings, Lee Dorsey, Chuck Berry, Buddy Holly, Bill Halley e Fats Domino até Beach Boys. "Não consigo parar de pensar nessas músicas."

Brad Pitt e Leonardo DiCaprio em 'Era uma vez em...Hollywood'/Divulgação
Brad Pitt e Leonardo DiCaprio em 'Era uma vez em...Hollywood'/Divulgação

A mulher de Tarantino, Daniela Pick, é cantora, tem uma carreira estabelecida em Israel. E o padrasto do cineasta era pianista, tocava na noite. Mas ele nunca aprendeu a tocar. “Me sinto burro por não ter aprendido a tocar um instrumento”, lamenta. A relação com a música se deu fundamentalmente a partir de discos — e de audiovisual. "Escuto discos desde sempre. Eram a única forma de ouvir música na época." Os primeiros que comprou ou ganhou eram de música infantil, trilhas de filmes da Disney e de desenhos como "Os Flintstones". "Eu adorava tudo da Hanna-Barbera", conta.

Suas três lojas favoritas são a clássica Amoeba Music Hollywood, a maior loja independente do mundo, em Los Angeles; a Pet Sounds, em Estocolmo, e a Antone's Record Store, em Austin, que deu origem a um clube noturno e um selo de blues. "Agora que estou oficialmente velho, me pergunto se preciso guardar tanta tralha. Mas eu sempre fui assim, então tudo bem. Tenho uma coleção grande de vídeos, de discos e de livros de bolso. Também guardo pôsteres de filmes e pequenos folhetos de cinema."

Falando sobre a importância das mix tapes em sua formação cultural, Tarantino fez até uma possível revelação sobre a vida pessoal. "Um amigo meu gravava fitas k7 para mim, ele tinha bom gosto. Através dele, eu conheci os Collins Kids, The Plimsouls, The Cramps, The Pretenders e Elvis Costello. Eu ainda tenho essas fitas, aliás. Mas ninguém têm feito esse tipo de coisas hoje em dia para mim. Pelo menos, não nos últimos dois anos." Fica a dica para quem quiser pegar amizade com um colecionador que tem quase tudo.

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