Ex-tecladista do Can usou a música para superar memórias da Segunda Guerra
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Ex-tecladista do Can usou a música para superar memórias da Segunda Guerra

Irmin Schmidt era tecladista da banda alemã de rock experimental Can. O grupo foi criado no fim dos anos 1960, na cidade de Colônia, e costuma ser descrito como um dos mais influentes do século XX. Quando criança, o músico, que cresceu em um país destruído pela Segunda Guerra Mundial, tinha em casa um exemplo do horror vivido na Alemanha nazista: considerava o próprio pai um apoiador da ideologia de Hitler. Foi no Can que ele canalizou seu talento e energia para trabalhar esse ressentimento. Os relatos estão no recém-lançado “All Gates Open: The Story of Can”, livro escrito por ele e Rob Young.

Nascido em Berlim em 1937, Schmidt se lembra de ver aviões aliados sobrevoarem a Áustria - país para onde fugiu - e dispararem contra um trem militar do exército de Hitler. Ao voltar para a Alemanha, em 1946, ele encontrou o país devastado por bombas. "Eu cresci em uma total ruína. Essa é uma experiência ainda muito profunda dentro de mim: crescer nessa cidade, nesse país onde tudo estava devastado, todos os prédios, toda a cultura", contou em entrevista ao “Guardian.

A adolescência de Irmin foi marcada não pelas questões típicas dessa fase, mas também por uma raiva obsessiva contra a história recente de seu país: ele foi expulso da escola por denunciar o passado nazista de alguns professores.

A relação dele com o pai também foi afetada. Havia nele uma decepção pelo fato de seu progenitor não ter feito nada para evitar que os vizinhos judeus fossem levados para campos de concentração. "Acho que existe esse tipo de lamento dentro de mim do qual eu nunca vou me livrar”, reflete ele, aos 81 anos de idade.

Desde muito cedo, foi a música que o ajudou a canalizar tanto sentimento guardado. A música clássica dominou sua vida até que se mudou, em 1965, para Nova York, onde foi influenciado por Jimi Hendrix, Frank Zappa e Velvet Underground, além do funk de James Brown. De volta para seu país natal, ele recrutou o baixista Holger Czukay, o baterista Jaki Liebezeit, e o guitarrista Michael Karoli, com quem formou o Can. Nenhum deles parecia saber o que fazer da vida a não ser "música nova".

“Quando nos juntamos, todos sabíamos o que cada um já havia feito anteriormente e de onde ele tinha vindo e do que ele era capaz. Todos estávamos seguros. Era aquela atmosfera de 1968: ‘vamos fazer algo’, ‘vamos entrar em uma aventura’, ‘vamos encontrar arte’”, relembra.

Eles recrutaram vocalistas - primeiro Malcolm Mooney, mais tarde, Damo Suzuki - e entre 1969 e 1973 lançaram cinco dos mais aclamados álbuns de rock da história: “Monster Movie”, “Soundtracks”, “Tago Mago”, “Ege Bamyasi” e “Future Days”.

Desde que a banda se separou, em 1979, Irmin fez álbuns solos e compôs trilhas sonoras. Ele diz que não liga muito para o passado. Aos 81 anos, se tornou, em 2017, o único membro ainda vivo da banda. Karoli morreu de câncer em 2001. Jaki Liebezeit e Holger Czukay morreram no ano passado.

Com informações do "Guardian".

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