Fã de NX Zero se escondeu em caçamba de lixo para conhecer a banda
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Fã de NX Zero se escondeu em caçamba de lixo para conhecer a banda

O dia 12 de outubro de 2010 vai ficar marcado na vida de Sara Nunes Ernesto ainda por muitos anos. Aquela terça-feira não era um dia normal para a jovem fã de então 18 anos do NX Zero. Aquele era o dia em que ela havia colocado na cabeça que iria, a qualquer custo, conhecer os integrantes do grupo de quem era fã. Determinadas, ela e mais duas amigas foram até o Tijuca Tênis Clube, no bairro da Zona Norte do Rio, preparadas para fazer o possível e o impossível para chegar até Di Ferrero e companhia. Só não esperavam que, para isso, tivessem que ficar quase uma hora escondidas dentro de uma caçamba de lixo.

O show estava marcado para começar às 20h. Ansiosas, as amigas se posicionaram em frente aos portões logo ao meio-dia, para não correr o risco de perder um bom lugar durante a apresentação. “Eu nunca tinha encontrado com eles pessoalmente. Aquele já era o meu sétimo show, então eu já tinha estudado bem como era o esquema de chegada e saída deles”, conta ela, que só começou a frequentar os shows da banda depois que completou a maioridade, uma exigência do pai.

“Sempre que a gente chegava nas casas de shows, procurávamos onde era o estacionamento e mapeávamos o melhor lugar para tirar uma foto com eles. O show daquele dia foi ótimo, como sempre. Quando acabou, fomos direto para a porta do estacionamento”, relembra a jovem. Ali posicionadas, ela e as duas amigas perceberam a movimentação das vans da produção. Astutas, identificaram o veículo que conduziria a van da produção e um outro carro, que levaria os integrantes do NX.

“A gente percebeu que a garagem era pequena e ouvimos o segurança falar que a primeira van teria que sair para o segundo carro entrar e buscar os meninos. Ficamos ali esperando”.

Como quem aguarda o momento ideal para atacar, assim que segunda van entrou, elas foram pelos cantos, se aproveitando do carro para se esconder dos seguranças, que estavam do lado oposto. No limite do caminho, para não serem descobertas, se esconderam no único lugar possível: dentro de uma caçamba grande de lixo que ficava no estacionamento. “Entramos e fechamos a tampa que estava aberta. Ficamos ali por quase uma hora, vendo a movimentação do lado de fora pela janela. O cheiro era horrível, apesar de estar tudo dentro de sacos. Estava tudo muito sujo. Quando estávamos quase desistindo, achando que eles tinham saído por outro lugar, quando vimos os seguranças indo em direção ao camarim para buscá-los”.

Sara lembra que, do lado de fora, havia muitos outros fãs aguardando pela saída dos músicos. Nenhum deles, é claro, tão ousado quanto ela e suas amigas. O primeiro a deixar o camarim foi o baterista Daniel Weksler. “Quando eu vi o Daniel, eu saí correndo de dentro da caçamba e pulei na frente dele. Ele tomou um susto e não entendeu nada, foi uma loucura. Ele ficou assustado, mas eu abracei ele e contei o que nós tínhamos feito. Conseguimos abraçar todos eles antes que os seguranças tirassem a gente dali”, conta Sara, em meio a risos.

Ela diz que, sem dúvida alguma, os abraços ficaram com “cheiro de lixo”, mas não se arrepende nem por um segundo do que fez. “Foi uma experiência incrível. A gente tremia, com vontade de chorar, e saímos carregadas pelos seguranças, mas valeu a pena”.

Sara e uma das amigas posam mostrando a caçamba em que ficaram / Foto: Arquivo pessoal
Sara e uma das amigas posam mostrando a caçamba em que ficaram / Foto: Arquivo pessoal

Desde o episódio da caçamba, Sara já reencontrou Di Ferrero tantas vezes que perdeu a conta. Não só ele, como outros membros do antigo grupo. “Eles não costumam lembrar de mim, mas a produção lembra. Uma vez estava para entrar no camarim de uma casa de shows em que eu já havia feito isso e o segurança falou ‘você hoje vai me ouvir’, porque eu nunca respeitava as regras da produção na hora de encontrar com eles”.

Hoje com 27 anos e casada há quase um, ela ainda acompanha a carreira dos ex-integrantes do grupo, que entrou em hiato em 2017. A relação, é claro, mudou. Mas o carinho pelo grupo segue intacto. “Minha infância e minha adolescência são resumidas pelas músicas deles. Sou formada em NX Zero. Eu cresci, mudei, mas nunca houve uma banda de que eu gostasse tanto quanto eles. Perdi meu pai há pouco tempo e ‘Cedo ou Tarde’, por exemplo, começou a fazer mais sentido para mim”, diz a respeito da música que fala sobre a esperança de um reencontro com alguém que já se foi.

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