Fã gaúcho de Iron Maiden aprende a esculpir pela internet e cria peças inspiradas no mascote Eddie
Criatividade

Fã gaúcho de Iron Maiden aprende a esculpir pela internet e cria peças inspiradas no mascote Eddie

Há dois anos, Tiago Boito, 39, decidiu investir em um novo hobby: escultura. Dono de uma videolocadora em Lagoa Vermelha, cidade com 30 mil habitantes no Rio Grande do Sul, ele deu os primeiros passos a partir de vídeos online até se inscrever em um curso também pela internet. Começou fazendo cenários de desenhos animados e jogos de videogame, até se dedicar a uma empreitada de fã de heavy metal: reproduzir a caveira Eddie, mascote do Iron Maiden, em bustos inspirados pelas capas dos álbuns da banda. Três peças já foram esculpidas e duas, finalizadas: a de “Powerslave” (1984) e a de “Somewhere In Time” (1986) (confira no Instagram).

“Eu sempre lidei com coisas ligadas ao entretenimento: tive locadora de games por 13 anos e há dez anos tenho essa de filme. Só que teve uma época que o movimento começou a ficar um pouco mais fraco, eu estava meio triste, e comecei a procurar na internet coisas ligadas a arte, porque eu sempre gostei de colecionar action figures (bonecos), principalmente dos ‘Cavaleiros do Zodíaco’. Mas eu não tinha onde colocá-los. Queria construir cenários, porque só o bonequinho na prateleira não me chamava atenção”, ele conta.

O empresário e artista Tiago Boito exibe os bustos que ele criou inspirados no Iron Maiden / Foto
O empresário e artista Tiago Boito exibe os bustos que ele criou inspirados no Iron Maiden / Foto

Foi quando Tiago começou a criar cenários em isopor. O resultado ficou tão bom que os amigos começaram a incentivá-lo a tentar outras formas e, quem sabe, fazer também os personagens. Apesar da hesitação inicial, o empresário buscou vídeos no YouTube que pudessem ajudar nesse passo. A necessidade de evoluir seguindo um determinado método o fez procurar um curso especializado no tema. “Eu comecei com um workshop de três dias online e depois segui no curso. Há um ano eu participo das aulas todos os sábados”, explica.

A paixão pelo Iron Maiden veio da adolescência, quando um amigo que sempre gostou de heavy metal o apresentou à banda de Bruce Dickinson. “Um dos primeiros álbuns que eu escutei na vida foi o ‘Peace Of Mind’ (1983), foi o meu primeiro contato com o Iron. E aí eu fui em uma locadora, achei umas fitas de vídeo e aluguei. De lá para frente eu virei superfã”, lembra. A coleção de artigos da banda ocupa um espaço considerável na casa em que ele vive com a mulher, Cristiany.

“Quando eu entrei no curso, o professor perguntou para todo mundo qual era o foco, por que cada um estava ali. Todo mundo falou de super-heróis, essas coisas, e desde o começo eu falei que queria fazer peças baseadas no mundo do rock e do heavy metal, principalmente do Iron Maiden. E, como ele também é fã, ele me deu todo o apoio para eu continuar. Foi aí que eu acreditei que dava para fazer”, conta. Tiago diz que tem recebido muitos pedidos para fazer peças inspiradas em King Diamond, Sepultura e Slayer. Ele não desconsidera enveredar pelo caminho de outras bandas, mas o foco atual é o Iron Maiden.

O Eddie de 'Somewhere In Time' / Foto: Acervo pessoal
O Eddie de 'Somewhere In Time' / Foto: Acervo pessoal

A série inicial inspirada no mascote Eddie será de cinco bustos — de cerca de 20cm e 900g — pensados em capas de diferentes álbuns. Atualmente, ele trabalha na caveira aborígene de “The Book Of Souls” (2015). Quando esta primeira parte estiver finalizada, o artista quer criar versões de corpo inteiro do esqueleto. “Eu estou fazendo o ceifeiro que aparece na capa do ‘Dance Of Death’ (2003)”, diz.

As primeiras obras esculpidas foram em biscuit, uma espécie de massa de modelar à base de amido de milho e cola de porcelana. Com o tempo, Tiago passou a optar por outra matéria prima, a oil clay, argila sintética reagente à temperatura que nunca seca. Isso permite que o artista possa fazer alterações na obra caso julgue necessário. O empresário passa ao menos duas horas por dia na parte da casa que separou para ser seu ateliê, seja na parte de fazer a escultura ou de pintá-la.

“Até há pouco tempo eu não tinha um lugar em casa para fazer, mas agora eu resolvi organizar um espaço só para isso. Eu bagunçava a casa inteira, onde você ia tinha um pincel, tinha um pote de tinta”, ele conta, aos risos. “Eu digo que sou o exército de um homem só porque eu faço tudo, desde a parte da escultura até a pintura. Faço molde, passo a resina, tudo mesmo.” Tiago conta ainda com a ajuda de Cristiany, que, às vezes, o ajuda a finalizar a pintura e prepara as embalagens quando alguma peça é vendida. “Eu faço poucas peças e é tudo manual. A pintura eu faço mesmo no pincel à mão.”

'Powerslave': a versão de Eddie feita por Tiago / Foto: Acervo pessoal
'Powerslave': a versão de Eddie feita por Tiago / Foto: Acervo pessoal

A comercialização das obras começou há pouco tempo, uma forma de Tiago bancar os custos do material que usa e também um meio para melhorar as finanças durante a crise provocada pelo coronavírus. Ele só tem vendido peças para amigos próximos. A produção em larga escala ainda não é algo em que ele pensa, não só pelo fato de montar tudo sozinho, mas principalmente por conta de questões relativas aos direitos autorais dos personagens.

Na videolocadora da família — uma das três que ainda existem em Lagoa Vermelha, cidade com 30 mil habitantes —, algumas peças ficam expostas na bancada principal. A maioria dos clientes sabe do lado escultor de Tiago. “Você vê, eu estou falando com você daqui da minha locadora, mas eu já estou com duas, três peças aqui do lado que eu vou pintar depois.”

As figuras feitas por Boito, lado a lado, em sua casa / Foto: Acervo pessoal
As figuras feitas por Boito, lado a lado, em sua casa / Foto: Acervo pessoal

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