Fãs contam as histórias de suas tatuagens musicais
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Fãs contam as histórias de suas tatuagens musicais

Poucas expressões artísticas são tão profundas e mobilizam tantas pessoas quanto a música. As tatuagens de fãs espalhados pelo mundo estão aí para provar justamente isso. Um em cada cinco brasileiros carrega desenhos de ídolos na pele — é verdade esse bilhete. Basta andar na rua e comprovar: a galera se orgulha de exibir sua paixão para quem quiser ver, não bastando apenas passear vestindo uma camiseta com o logo da banda favorita. As chances do cara do metrô com a t-shirt do Guns ter uma tattoo com o rosto de Slash é de 98%. Quando não, são duas arminhas cruzadas com flores. Os clichês não param, mas podem render boas histórias, quando não, pretextos para iniciar romances.

Entre as mil homenagens espalhadas por aí, está a da youtuber Camille Grillo, aficionada pelo Foo Fighters. Ela reservou dois espaços no braço para homenagear a banda liderada por Dave Grohl e, como amor de fã é tão grande que não cabe no peito, a moça ainda pretende lançar mais desenhos em homenagem aos ídolos.

“Tenho a meta de fazer uma a cada show que eu for", explica Camilla que, neste ano, esteve no show dos caras em fevereiro, no Maracanã, no Rio. Na apresentação de 2015, também no estádio carioca, a youtuber conseguiu encontrar Grohl e os outros integrantes da banda graças a uma promoção de uma rádio local.

“Aquele foi o melhor dia da minha vida, precisava marcar na pele para registrar o momento. Realizei um sonho que considerava impossível, tirei fotos e conversei um pouquinho com cada um deles”, emociona-se.

Camille Grillo venceu uma promoção e conseguiu conhecer Dave Grohl / Arquivo pessoal
Camille Grillo venceu uma promoção e conseguiu conhecer Dave Grohl / Arquivo pessoal

Enquanto as novas tatuagens não saem do papel, Camille desfila com duas capas de álbuns do Foo Fighters: a do disco de estreia, de 1995, e uma de “Echoes, Silence, Patience & Grace”, de 2007.

“Fiz a primeira com 22 anos e a segunda com 24. Uma delas ficou feia, mas não me arrependo de ter feito. Os caras são meus ídolos e, caso encontre com eles novamente, irei mostrar as tattoos que fiz em homenagem à banda”, diz.

Estudante da Rural, Amanda Julião é fã de carteirinha do Red Hot Chili Peppers, e chegou a tatuar o logo de uma rádio para garantir ingressos para o show da banda californiana na edição espanhola do Rock in Rio, sediada em Madri.

“Curto muito a banda desde os dez anos, foi o primeiro som de rock que gostei e comecei a tocar baixo e bateria por conta deles”, revela a jovem, que agora, no local do logo da rádio, carrega o asterisco símbolo do RHCP no ombro.

Quem cuidou da tatuagem foi o amigo de um primo que garantiu a ela que dava para realizar a loucura, uma vez que, depois, só precisaria cobrir o desenho. “Digo que foi uma loucura planejada. E esse show significou muito para mim”, conta.

Já a jornalista Flávia Nunes, de 24 anos, marcou na pele homenagens aos americanos do Blink 182. Uma delas é o número “182” no tornozelo, que dispensa explicações. A outra, no braço, é uma frase da música “Baby, Come On”, do Plus-44, um projeto paralelo de dois integrantes do Blink, o baixista Mark Hoppus e o baterista Travis Barker. Perguntada se rolou um arrependimento após lançar as tatuagens, ela garante que não.

“Imagina, elas só me trazem recordações boas”, diz Flávia, que costuma ser motivo de zoação de amigos que consideram a banda “flopada”. “Não caio na pilha. O que importa é o que sinto por eles. Cresci ouvindo o som dos caras e, quando eles se separaram, eu sofri”.

A admiração pelos americanos é tanta que, quando viajou para um intercâmbio em Dublin, na Irlanda, a jornalista previu que eles iriam realizar uma turnê na Europa e pensou: “Deus, me dá essa força, que se precisar vou até a Polônia ver esse show”. Não precisou ir tão longe, nem pagar promessa para santo. Pouco tempo depois, o Blink realmente marcou uma excursão pelo velho continente.

“Comprei o pacote mais caro, com direito a ‘meet and greet’, passagem de som… Foi incrível. Na hora de falar com o Mark, meu ‘mozão’, dei uma travada. Nessa hora, todos os anos de curso de inglês se resumiram a ‘I like you’”, diverte-se.

Na grade da apresentação, pulando e gritando como se não houvesse amanhã (afinal, quem nunca?), Flávia conseguiu, entre fotos, beijos e abraços dos caras, pegar a baqueta de Travis Barker. Só não deu tempo de mostrar as tatuagens aos ídolos. Nervosismo, né?

Para além das tatuagens de bandas de rock, também rolam exemplos de pessoas que curtem tatuagens em homenagens a cantores gospel. O estudante de engenharia João Pedro Oliveira, além de duas tattoos do Red Hot Chili Peppers, carrega no corpo uma frase da música “A voz e a canção”, de Eduardo Barreto.

“Essa é uma música espírita. A parte da letra que tatuei, diz: ‘Tua voz pode ser o único livro/Que alguém pode ler e servir de abrigo/Para quem não tem mais o que esperar’”, conta ele, que garante não se arrepender de nenhum dos desenhos feitos na pele. Quem sabe, daqui a alguns anos?

Foi o que aconteceu com a tatuadora Fernanda Tenjou e seu desenho dos Beatles na perna esquerda. Com o tempo, o rosto dos integrantes do Fab Four foi ficando "desfigurado" e ela precisou tomar uma decisão. “Resolvi cobrir com dois corvos, mas não cheguei a terminar. Está uma zona”, analisa a moça. No fundo dos corvos, ainda dá para ver que ali jaz Paul, John, George e Ringo.

Apesar das loucuras feitas pelos fãs, nem todo mundo tem o talento para se tatuar. É o caso da assessora Juliana Sampaio, superfã de Michael Jackson. Ela conta que, desde criança, ficava rebobinando a fita de VHS para assistir toda semana ao filme de 1992 "Os Jacksons - Um sonho americano", exibido em capítulos na TV brasileira.

“Fiz essa tatuagem cerca de dez dias depois da morte do Michael. Na época, eu fiquei na bad mesmo, e até minha mãe apoiou a tatuagem. Só me arrependo do desenho e do profissional que escolhi para realizá-lo. Agora, estou procurando um tatuador que possa cobrir essa tatuagem”, revela Juliana. Não satisfeita, ela quer fazer uma maior e mais bonita para o Rei do Pop.

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