Femi Kuti, filho de Fela Kuti, fala no Midem sobre futuro e permanência da música africana
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Femi Kuti, filho de Fela Kuti, fala no Midem sobre futuro e permanência da música africana

Femi Kuti, músico nigeriano, ativista e filho mais velho do "pai" do afrobeat, Fela Kuti (1938-1997), foi homenageado como embaixador do Midem, evento anual que reúne artistas, tecnologia e marcas conectados pela música, em Lagos, capital da Nigéria. Na ocasião, ele concedeu uma entrevista para o editor da "Okay Africa", Kam Tambini, na qual falou sobre os novos rumos da música do continente africano, ressaltando a importância de educação, ensaio e dedicação à carreira.

O artista de 57 anos não se deu por satisfeito de ser o herdeiro do afrobeat, e nem por ficar na sombra do pai Fela, e abriu seu próprio caminho nos anos 1980 ao fundar sua própria banda, a Positive Force. Recebeu diversas indicações ao Grammy e colaborou com artistas como Erykah Badu, Red Hot Chili Peppers, Damon Albarn, Mos Def, Angélique Kidjo e outros.

Ele é reconhecido por sua música e também pela trajetória política como ativista pelos direitos de educação e de prevenção contra a AIDS. Segundo Femi, a globalização "é a coisa mais importante" na sua mente hoje. "Precisamos compreender que vivemos em um planeta. Nós temos que fazer isso aqui dar certo", disse ele. "A música precisa passar essa mensagem, e está na vanguarda da divulgação desta mensagem. Todos escutam música, e todos são inspirados por ela. É uma influência inegável."

Ele enfatizou que, nos países da África, há uma carência de instituições que ensinem música, como existem na Europa e nos EUA. "Por isso, meu objetivo agora é trabalhar na criação de instituições sólidas onde os jovens possam conhecer a importância da música", falou Femi. "Música não é caminho para fama e fortuna. Não é essas coisas às quais a associamos. Ser músico é, provavelmente, a profissão mais entediante de todas. Mas é ela que inspira todas as outras."

O artista também frisou a necessidade de jovens músicos contarem com um advogado no início de suas carreiras. "Isso é importante para que não tirem vantagem do seu trabalho. É preciso uma boa administração para garantir seu futuro", lembrou Femi, que foi vítima de problemas legais na sua juventude. "Estava desesperado, precisava de dinheiro, precisava sobreviver e, então, assinava contratos como se estivesse com os olhos vendados. Me meti em muitos problemas."

Ao editor Kam Tambini, Femi contou que cresceu ouvindo as músicas de seu pai, de Dizzy Gillespie, John Coltrane, Miles Davis, compositores de música clássica e de improviso. "Adoro ver pessoas no palco com instrumentos musicais. Não apenas um cantor e um DJ", advertiu ele. "Tenho medo que a próxima geração não tenha o que oferecer quando atingir a minha idade. Pois os mais jovens sempre são mais ousados e brilhantes. Você pode desaparecer desse jeito. Sendo assim, é necessário crescer para poder oferecer coisas novas e estar entre os grandes nomes que nunca desapareceram, como Stevie Wonder, meu pai, Bob Marley..."

Sobre a importância do legado subversivo de seu pai, Fela Kuti, ele disse: "Você não consegue matar a música. Eles provavelmente matariam o compositor ou o músico, mas na hora em que um álbum é publicado, ele pode causar problemas aos poderosos, porque fica para a frente, para a eternidade".

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