Festivais de música no exterior estão mais inclusivos para mulheres, mas ainda há um longo caminho
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Festivais de música no exterior estão mais inclusivos para mulheres, mas ainda há um longo caminho

Em 2015, o blog de música "Crack in the Road" tweetou duas imagens do pôster listando as atrações do festival de Reading/Leeds, no Reino Unido. A primeira mostrava a relação completa de artistas que se apresentariam no evento, enquanto a segunda vinha com os nomes das atrações masculinas (solo e bandas formadas por homens) apagados. A ideia ao criar tal efeito era escancarar a presença muito menor de mulheres em grandes festivais de música (só nove foram escaladas para se apresentar no Reading/Leeds de 2015), como o Coachella, que só teve Q-U-A-T-R-O artistas do gênero feminino como headliners em toda sua história. Oi?

Há quatro anos, portanto, conversas sobre igualdade de gênero começaram a pipocar na internet e, consequentemente, chegaram aos ouvidos de empresários e produtores da indústria. Chegando em 2019, pode-se dizer que muita coisa mudou, sim, mas estamos longe do ideal — principalmente, se formos falar em questões de gênero.

No Reading/Leeds de 2019, por exemplo, entre os onze headliners há uma mulher: Billie Eilish, de 17 anos. O festival TRNSMT, realizado em Glasgow, na Escócia, e o Download, evento de metal que acontece em Leicestershire, na Inglaterra, também tiveram mulheres entre os nove principais nomes do line-up. Já o Green Man e o End of the Road, ambos no Reino Unido, não têm nenhuma mulher entre os headliners. As informações são do "Guardian".

Falando sobre o Glastonbury de 2019, de fato, o festival teve uma presença feminina considerável, com representantes como Janet Jackson, Kylie, Lauryn Hill e Miley Cyrus. Mas em um dos palcos do evento, o Pyramid, todos os artistas escalados para se apresentarem lá eram homens.

"Não há como escalarmos tanta gente para um palco menor", disse a organizadora Emily Eavis. "É hora de nutrir o talento feminino. Todos nós queremos, estamos famintos por mulheres, mas faltam artistas mulheres para preencher esses espaços.". Se, de fato, estão faltando mulheres na música ou não, isso é uma questão para a curadoria desses eventos, que precisam pesquisar mais, não é? Mas esse assunto fica para outra hora, pois é mesmo complexo e envolve questões sociais, para além do machismo.

Mesmo longe do ideal, seria injusto julgar que não há festivais tentando melhorar a desigualdade de gênero o quanto antes. Alguns que valem a pena serem exaltados por sua política feminista: o Native Festival, em Kent, no Reino Unido, Loud Women Fest, no norte de Londres, o Boudica Festival, em Coventry, Women’s Music e Women Sound Off, na Califórnia, e o Girls Just Wanna Weekend, no México. No Brasil, ainda estamos engatinhando nessa questão.

Jorja Smith, 22 anos, se apresentou no Glastonbury de 2019/Getty Images
Jorja Smith, 22 anos, se apresentou no Glastonbury de 2019/Getty Images

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