Fitas cassete ganham mercado ao oferecer 'histórias' e experiências para a geração 'streaming'
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Fitas cassete ganham mercado ao oferecer 'histórias' e experiências para a geração 'streaming'

No começo do ano, uma pesquisa da Official Charts Company no Reino Unido ranqueou os cassetes mais vendidos em 2018. Ao todo, 50 mil unidades desse formato foram adquiridos no país, e o crescimento segue até agora, quando saiu um novo relatório de faturamento de vendas do 1º semestre de 2019. Até junho, 36 mil fitas k7 foram compradas, um número gigantesco e que não chegava a esse patamar desde 2004.

A companhia Offial Charts também revelou os artistas que mais venderam no formato até junho de 2019. Entre eles, está a jovem Billie Eilish — com 4 mil cópias do álbum "When We All Fall Asleep, Where Do We Go?" — e a banda The 1975 — com 8 mil unidades do álbum 'A Brief Inquiry Into Online Relationships'. Para ver a lista completa, clique aqui.

Em uma reportagem da "Bloomberg", o repórter Leonid Bershidsky foi atrás de respostas que justifiquem o crescimento das vendas de um formato físico tão obsoleto, e que no passado foi esmagado pelo surgimento dos CDs.

Fitas cassete: por que ainda te amamos?/Jon Tyson/Unsplash
Fitas cassete: por que ainda te amamos?/Jon Tyson/Unsplash

Ele encontrou algumas interpretações para essa charada. Uma delas foi escrita por um autor do Medium chamado Aubrey Norwood. Em seu texto, ele disse que o som das fitas cassete é "quente e saturado". "É um som com um certo grau de imperfeição que é sincero como nenhum formato digital é capaz de ser", explicou ele, em sua ode à nostalgia dos anos 1960, quando as fitas k7 foram lançadas, e 1970 e 1980, quando viveram o auge no mercado.

Outra possível resposta para o renascimento desse formato é o sucesso absoluto da trilha sonora nostálgica de "Guardiões das Galáxias", que, aliás, figura entre os cassetes mais vendidos em 2018 e 2019. No filme, Peter Quill tem como recordações do planeta terra suas músicas favoritas guardadas em fitas antigas. O personagem, portanto, representa esse carinho e apego ao passado que todos nós temos.

A ciência também é capaz de explicar a volta das fitas cassete. Segundo um artigo de 2014 do pesquisador Goran Bolin, da universidade de Södertörn, em Estocolmo, na Suécia, os seres humanos são capazes de "desenvolver relacionamentos específicos, às vezes apaixonados, com tecnologias de reprodução, como o disco de vinil, fita cassete, quadrinhos e outras formas de mídia mortas ou quase mortas".

Essa paixão é ativada através da nostalgia, que está sendo utilizada ao extremo para capitalizar desde antigos formatos a carreiras de bandas do passado, como o Queen. "Ao que parece, enquanto ainda for capaz de tocar emocionalmente as pessoas, uma tecnologia velha nunca morre", conclui o artigo da Bloomberg. Ele prevê também que, daqui a muito tempo, algum filme vai reviver o interesse por assistentes digitais de 2019, como Alexa ou Siri, e pedir para uma delas tocar uma canção de Billie Eilish será considerado um ato de nostalgia cool e contracultural.

Fita cassete do EP 'Don’t Smile At Me', de Billie Eilish/Reprodução
Fita cassete do EP 'Don’t Smile At Me', de Billie Eilish/Reprodução

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