Florence Welch posta poema coletivo feito por fãs para confortar pessoas em tempo de coronavírus: 'Agora é a nossa vez de cuidar de você'
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Florence Welch posta poema coletivo feito por fãs para confortar pessoas em tempo de coronavírus: 'Agora é a nossa vez de cuidar de você'

Em seus shows, Florence Welch costuma pedir para a plateia dar as mãos. "Adoro dizer às pessoas para darem as mãos. Quando isso acontece, há uma sensação de que estamos todos conectados, estamos aqui, todos fazemos parte de algo maior", explicou ela em uma entrevista ao "Evening Standard" ano passado. Agora, com o isolamento forçado de todos por causa do coronavírus, a vocalista do Florence + The Machine criou outra forma de aproximação com os fãs: um poema colaborativo.

No domingo (15/3), Florence publicou em seu Instagram um texto convocando os fãs para escrever um poema coletivo. "Por favor, escreva um verso que você gostaria de adicionar a um 'Poema Coletivo' e tentarei juntar tudo. Se você está com medo, ansioso ou isolado, eu lhe envio muito amor. Estou sentindo o mesmo. Mas a criatividade é uma pequena bênção”, escreveu ela.

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Talvez em um recorde em sua própria rede social, ela teve mais de 8.300 comentários, o que deve ter dado bastante trabalho na hora de compor. Por outro lado, pode ter funcionado como uma terapia para a cantora, que sofre de ansiedade e costuma maiores evitar exposições. "Eu realmente gosto do Instagram, mas não posso ficar nele por muito tempo, porque isso me deixa totalmente louca ... Tenho que ter muito cuidado, principalmente quando estou em turnê e acaba achando que vai ajudar você se sente menos sozinha. A sensação de que você precisa solidificar sua identidade todos os dias é complicado, porque eu preciso de muito tempo e silêncio fora dos holofotes. Então, toda vez que posto uma foto, tenho um pequeno ataque de pânico", contou Florence.

A cantora, que disse estar afastada das drogas e do álcool desde 2017 — "Estranhamente, é muito mais fácil viver abertamente e não esconder. Você passa a ser autêntico" — lançou a ideia em sua rede social para criar algo para as pessoas “se unirem de uma maneira diferente” durante o distanciamento social causado pelo surto de coronavírus. O resultado veio rápido: ontem a noite ela publicou o poema em sua conta no Twitter. Confira a tradução abaixo, de Mônica Loureiro.

"Sozinha, mas juntos,
Fios separados tecendo como um,
Estou preocupada com o que o futuro trará para minha mãe,
Acendi um fósforo para você,
Na calma do meu quarto,
Os rituais retornam aos fogões e os altares chegam em nossas barrigas
E vou esperar três dias, 20 anos,
Ou até uma era para um momento mais brilhante,
Apaixonada,
Como nunca antes,
Em lados opostos de uma porta trancada por muito tempo,
E um dia olhando para trás,
Vou encontrar um motivo para te abraçar mais forte
Lembro das mãos tocando o violino enquanto saíam da igreja,
Toda pétala amada,
As crianças reunidas olhando para fora
Às vezes eu esqueço o sol,
Mas aí está de novo,
Primavera está saindo da minha boca,
Estou gostando de me sentir pequena e perecível,
Então se tornando o céu,
Eu me deixei cair
E então tudo começou,
Essa sonolência é assustadora,
Os dias desfocados,
Eu beijo suas costelas porque quero sentir como você respira,
Eu mantenho o menor dos gravetos pra segurar a porta
O Deus em mim começa a orar e sabe que cantamos coros de nossas varandas,
Para nos dar alguma companhia,
Escondendo-se do fantasma em nossa cidade,
Um enorme sentimento de contradição,
Ficar longe do que eu amo por amor,
Eu estava esperando os pássaros me dizerem que acabou,
Medo como uma criança febril, amarrada à cama
Apenas procure a graça de sua mãe, minha filha, a profissional de saúde,
Quem vem com um pano para sua cabeça,
Um astronauta esquecido há muito tempo preso na atmosfera,
enquanto gira sem rumo,
E agora sozinho no escuro,
Ele lembra como respirar,
Como fechar os olhos,
Como ser simplesmente
Talvez essa seja minha permissão, descansar, amar, respirar, fazer beleza na loucura,
Música em silêncio, escrever cartas, pedir desculpas, sentir nossos corpos, sentir compaixão
Talvez essa seja uma lição das verdades mais profundas e dos prazeres mais simples
Seremos mais uma vez solicitados a ficarmos parados para salvar vidas?
O início da primavera derrete o chão o suficiente para torná-lo gentil para as meninas que correm descalças pela floresta,
Folhas de palmeira brilhando no céu,
Um furacão de medo,
E apesar de tudo, ainda estamos aqui,
Somente agora entendemos os perigos que nossos pais enfrentaram
Em algum lugar fora disso, mas certo,
Bem aqui,
Agora é a nossa vez de cuidar de você"

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