Freddie Mercury: há 50 anos, o amigo Tim Staffell abria caminho do Queen para uma carreira vitoriosa
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Freddie Mercury: há 50 anos, o amigo Tim Staffell abria caminho do Queen para uma carreira vitoriosa

A trajetória de Tim Staffell, 72 anos, poderia ter gosto amargo. Afinal, ele era baixista e vocalista do grupo Smile, a banda que aparece no começo do filme "Bohemian Rhapsody" tocando "Doing Alright". A tal banda arrumou um novo cantor e passou a se chamar Queen — o resto, todo mundo já sabe. Mas Tim, que era amigo de Freddie Mercury (colegas na universidade de artes de Ealing) e até hoje se dá bem com o guitarrista Brian May e o baterista Roger Taylor, está em paz com o destino. "Ele sempre dizia que iria ser uma estrela. Tinha uma confiança que eu nunca tive", lembra Tim, que nunca parou de mexer com música, mas desenvolveu uma bela carreira como animador na BBC (e foi o modelista chefe de "Thomas, o Trenzinho").

Na primavera de 1970, Tim decidiu que experiência como cantor e baixista do Smile já tinha dado tudo o que tinha que dar. Ele deixou a banda e entrou para a Humpy Bong que, em cinco anos, já não existiria mais. Nesse mesmo período, seus ex-companheiros Brian e Roger, que se uniram a Freddie e ao baixista John Deacon, já alcançavam o status de banda recordista de vendas no mundo todo. Tim e Freddie se viam com frequência, no tempo de faculdade, antes e depois do começo do Queen. "Havia aquela revolução musical em Londres. Eu torrei o dinheiro da minha bolsa acadêmica comprando um baixo e um amplificador. Era academicamente irresponsável, e ele era quem nem eu. Estávamos na faculdade, mas queríamos ser músicos."

Roger, Brian e Tim, na época do Smile. Foto: Reprodução Pinterest
Roger, Brian e Tim, na época do Smile. Foto: Reprodução Pinterest

Na época do lançamento do filme "Bohemian Rhapsody", ele confessou em entrevista ao "Daily Mail" que sentiu inveja do que a banda se tornou após sua saída. "Mas nunca fiquei com inveja destrutiva! Eu estava feliz com minha vida caseira, sem essa coisa de estar na estrada o tempo todo. Eu simplesmente não conseguiria lidar com isso. O que eu realmente queria fazer era escrever músicas, gravá-las no estúdio e talvez fazer um show perto de casa", garantiu.

Tim foi interpretado pelo ator Jack Roth no longa de Bryan Singer, e foi convidado por Brian para regravar "Doin 'Alright", do Smile, para a trilha sonora do filme. "As cenas de abertura do filme mostravam Freddie indo a um clube para ver o Smile. Eles tinham usado parte da versão do Queen e parte da versão original, com Jack cantando, e acharam que o efeito geral havia ficado mais próximo do Queen. Então Brian me perguntou se eu gostaria de cantar novamente, porque eu saberia exatamente o que eles queriam", conta ele ao "Ultimate Classic Rock".

Os ex-membros do Smile se reuniram então no Abbey Road Studios, em Londres. “Eles estavam tentando obter um som mais áspero, muito mais cru, o que seria próximo da sonoridade do Smile - o Queen havia se tornado muito refinado. Eu cantei e fiz um overdub de baixo e o resultado final foi bem mais visceral e autêntico. Acho que foi por isso que eles me pediram para participar", diz Tim.

O Smile surgiu em 1968 originado da amizade de infância entre Tim e Brian, que chegaram a tocar juntos em um grupo da escola chamado 1984. "Nós éramos amigos da escola e tínhamos um interesse mútuo na cena musical da época. Foi meio que um processo natural. Depois que saímos da escola, seguimos caminhos separados: Brian foi estudar astronomia e eu, design gráfico. Mas nós continuamos ligados musicalmente , encontramos o Roger e o Smile nasceu", conta sobre o início musical.

Na faculdade, Tim conheceu e ficou amigo de Farrokh Bulsara — nome de batismo de Freddie Mercury -, um dos maiores fãs do Smile. "Ele estava sempre nos dizendo que seria uma estrela, o que era uma lição de confiança, de um tipo que eu realmente não possuía”, lembra. A banda chegou a gravar algumas faixas com a Mercury Records, como "Earth", "Doin' Alright", "Step on Me" e "April Lady" que nunca foram lançadas.

O Smile nunca chegou a fazer sucesso e, em 1970, Tim decidiu deixar a banda para entrar no Humpy Bong com o ex-baterista do Bee Gees Colin Petersen. "Eu sempre fui um indivíduo passivo no que diz respeito à atividade musical. Eu estava mais interessado em improvisações. O que Brian e Roger estavam fazendo era compor rock e tocar com clareza e capacidade de repeti-las. Eu estava entrando no jazz e blues", diferencia. Na época, Freddie estava na banda Sour Milk Sea, que durou apenas alguns meses, e logou se uniu a Brian e May — o primeiro show foi no Truro City Hall, em 1970.

Não há dúvidas que a saída de Tim foi totalmente amigável. Tanto que "Doin' Alright", parceria sua com Brian, entrou no álbum de estreia do Queen, em 1973.

Brian May e Tim Staffell. Foto: Reprodução Facebook
Brian May e Tim Staffell. Foto: Reprodução Facebook

Décadas depois de sair do ramo da música, Tim retomou a atividade e lançou dois álbuns solo, "aMIGO", de 2005 e "Two Late", de 2018. "Esses trabalhos me deram mais confiança. Eu nunca parei de tocar nem de escrever, mas na maioria das vezes eu estava em um emprego. Quando me aposentei, em 2014, recomecei a compor e fazer shows. E quando o 'Bohemian Rhapsody' foi lançado em 2018, foi como uma injeção rápida: muito mais possibilidades surgiram", comemora.

Tim conta que tem gravado novas músicas e se apresentado com sua banda. "Meus dois álbuns são muito de compositor de estúdio, e tenho outro álbum bem similar em andamento. Mas antes, quero lançar um com registros ao vivo. Até agora, ninguém gravou nenhum material meu, exceto o Queen. No final do ano, gravarei três álbuns solo que, tenho esperanças, alguém vai se interessar em regravar alguma faixa", diz.

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