‘Game of Thrones’: como a série transformou seu compositor em um rock star
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‘Game of Thrones’: como a série transformou seu compositor em um rock star

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Se o tema de abertura de “Game of Thrones” não é suficiente para estabelecer a música como um dos principais componentes da série, tente assistir ao episódio em que Cersei explode o Grande Septo de Baelor sem som. A trilha sonora é fundamental para construir a emoção do último episódio da sexta temporada. “The Light of The Seven”, a faixa marcante de quase dez minutos tocada na cena da explosão, foi criada por Ramin Djawadi, músico e compositor da série. 

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Na época em que o episódio foi ao ar, ele viu seu nome chegar ao topo da lista de músicas virais do Spotify e o feito consolidou o compositor, de certa forma, como astro da música. Um marco para uma faixa instrumental de quase dez minutos, a música representou um ponto de virada no histórico de composições da trilha da série. 

Logo no começo da empreitada de “GoT”, os criadores do programa, David Benioff e D.B Weiss, pediram que Djawadi evitasse flautas e violinos que pudessem suavizar as músicas da série, constantemente aplacada por cenas sangrentas e esfaqueamentos. Djawadi optou pelo violoncelo na música de abertura para conduzir o solo com notas mais graves. Mais tarde, em “Light of The Seven”, deu destaque ao piano, que havia sido deixado de lado em temporadas anteriores. Os acordes do instrumento conduzem a música que é um dos principais elementos do episódio — um dos mais fenomenais do show, senão o mais. 

"Eu havia tocado a cena inteira com harpa e todas as pessoas balançaram as cabeças", disse Ramin, em entrevista a "The Atlantic". Foi quando ele finalmente levou o piano a Westeros. Os acordes da música, de acordo com os criadores da série, não acompanham a cena. Para eles, a faixa moldou a dinâmica de decisões e da explosão em si mais do que qualquer outro elemento narrativo.

Compôr para uma série de televisão é um desafio e tanto. Ainda mais uma tão densa, cheia de reviravoltas e núcleos como "Game of Thrones". Encontrar o caminho adequado quando não se sabe exatamente qual caminho um determinado personagem está seguindo — como acontece em roteiros de filmes com começo, meio e fim pré-estabelecidos — exige talento. 

Quando a guerra pelo trono de ferro terminar, daqui a pouco mais de dois meses, será o fim de uma trajetória de absoluto sucesso de uma série que consolidou Ramin como um dos grandes nomes de sua geração. Aos 44 anos, o compositor alemão com ascendência iraniana — que começou a carreira ao ser apadrinhado por Hans Zimmer — já pode se orgulhar de ser o criador de um tema de abertura tão marcante como qualquer um dos criados por John Williams.

A comparação não é exagerada. Nos últimos anos, fãs da série têm lotado arenas e salas de apresentação para ver Ramin reger sua orquestra e tocar piano ou guitarra em shows da "Game of Thrones Live Concert Experience". Com músicos caracterizados e neve artificial caindo do teto, a experiência deu a Ramin um pouco do gosto de como é ser um rock star. 

A grandeza de "Game of Thrones" se reflete também na forma como a trilha é feita. Enquanto séries menos grandiosas têm as músicas produzidas e gravadas inteiramente em computadores, as composições de Ramin são feitas por ele e depois enviadas para que sejam gravadas por uma orquestra em Praga, na República Tcheca. 

Formado pela Berklee College of Music, de Boston, o compositor alemão nasceu em Duisburg, na Alemanha, e cresceu na região de Rhineland. Lá, teve forte contato com a música clássica e ouvia Mozart nas aulas da escola. No dia a dia, era vidrado no som de Steve Vai e Yngwie Malmsteen. Um admirador de Eddie Van Halen e Ludwig van Beethoven na mesma proporção. A combinação o ajudou a criar sons densos, complexos, porém agradáveis aos ouvidos do público. 

Djawadi era apenas um assistente nos estúdios de seu conterrâneo Hans Zimmer quando aproveitou uma janela que percebeu estar aberta diante dele. Certa vez, durante a produção da trilha de "Piratas do Caribe", a equipe penava para dar a uma cena de luta o tom necessário. "Bem calmamente, o garoto que estava fazendo café, que eu não sabia que tocava algum instrumento, disse: 'quando você for embora, você se incomodaria se eu tentasse algo?’”, relembra Zimmer. O resultado, de acordo com o experiente compositor alemão, foi "incrivelmente brilhante". 

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