Gigantes do streaming salvam a indústria, mas... e a música clássica?
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Gigantes do streaming salvam a indústria, mas... e a música clássica?

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Um artigo publicado no site "What Hi-Fi" aponta: na virada do milênio, os serviços de streaming começaram a mudar a sorte de uma imensa cadeia produtiva que há 15 anos vinha em declínio. Hoje o streaming gera 46,9% da receita da indústria global de música (IFPI). Nos Estados Unidos, esse número é de 75%. 

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Ano passado foi o terceiro ano consecutivo de crescimento de dois dígitos para a indústria musical, principalmente graças ao streaming. Mas há gêneros, como o clássico, sendo esquecidos nesse modelo.  A música clássica representa 5% da produção total da indústria mas é sub-representada em streaming, somando apenas 1% de toda a música executada e apenas 0,5% da receitas obtidas. 

Música clássica é esquecida pelas plataformas de streaming
Música clássica é esquecida pelas plataformas de streaming

No texto da jornalista Becky Roberts, Thomas Steffens, CEO da Primephonic, serviço de streaming de música clássica, diz que o modelo não funciona para o clássico. "O Spotify é projetado para música pop. É inteligente, tenta levá-lo a ouvir novas faixas, para que você possa ficar por dentro das tendências. Mas a maioria das composições clássicas tem entre 200 e 300 anos de idade! Amantes de música clássica não querem ser apresentados a coisas novas, e sim ouvir peças que ainda não conhecem, o que se opõe aos algoritmos do Spotify", explica. Steffens diz ainda que "você pode ouvir várias músicas de Rihanna de três minutos em uma hora, mas quando se ouvem clássicos mais longos - digamos, um movimento de Beethoven de 20 minutos - só se consegue ouvir dois ou três por hora. Então Rihanna recebe muitas vezes mais royalties do que uma orquestra. Daí pode-se entender a lógica".

Não é apenas o modelo de pagamento ou os algoritmos que prejudicam a música clássica, mas também a acessibilidade. Nem sempre é fácil encontrar o gênero nos serviços de streaming pois a procura precisa ser muito específica. "Nossa equipe tem um banco de dados de todas as obras clássicas do mundo. Dez pessoas trabalharam nisso por um ano e meio para obter os dados corretos", fala Steffens sobre o trabalho detalhado da Primephonica.


Mahler: vale quanto dura?/ Reprodução
Mahler: vale quanto dura?/ Reprodução

Thomas Steffens alerta sobre efeitos das distorções no pagamento: "Quanto mais longo o trabalho, menos você é pago por minuto, então os compositores têm um incentivo perverso para criar músicas mais curtas. Algumas gravadoras estão até cortando trabalhos em duas ou três partes para se beneficiarem mais". Steffens dá como exemplo a "Sinfonia Número 3?", de Gustav Mahler. "Para receber a remuneração que merece, com duração de cem minutos, teria 30 faixas, com o primeiro de seus seis movimentos sendo cortado sozinho!", lamenta.

Steffens destaca que a Primephonic foi criada como uma tábua de salvação especificamente para a música clássica. "Estamos nos movendo em direção a um mundo somente de streaming. Se a música clássica tem que sobreviver, deve-se corrigir o problema. Pode não ser um problema imediato,  mas será daqui a dez anos", diz Steffens.

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