Gordon Koang, o superstar cego do Sudão do Sul que encontrou asilo na Austrália graças a um selo indie-punk
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Gordon Koang, o superstar cego do Sudão do Sul que encontrou asilo na Austrália graças a um selo indie-punk

No Sudão do Sul, um dos países mais pobres do mundo e convulsionado por crises humanitárias, o músico Gordon Koang chegou a alcançar o status de estrela do pop. Ele lançou dez álbuns e seus vídeos no YouTube são um sucesso. Mas, por conta da guerra civil, conflito que já dura seis anos, ele precisou pedir asilo na Austrália, onde se refugiou em 2015 com seu primo e parceiro de banda Paul Biel. Vivendo lá, o artista chamou a atenção da gravadora de indie-punk Bedroom Suck Records, cujo braço sem fins lucrativos, a Music in Exile, ficou muito interessada em seu trabalho.

A partir desse encontro, Gordon e a Music in Exile organizaram shows em Melbourne, que têm sido importantes para o músico. Com o lucro dessas apresentações, ele espera reunir grana para trazer sua família, hoje vivendo em campos de refugiados em Uganda, para a Austrália, que é seu principal objetivo de vida, além da sua arte — ele está trabalhando em seu 11º disco.

O som de Gordon incorpora gêneros tradicionais do Sudão do Sul e da Etiópia misturados com música pop africana. Para isso, ele toca o thom, instrumento que é uma espécie de banjo de madeira muito utilizado na região onde o artista nasceu. Ele canta em nuer (uma das línguas mais faladas da África centro-oriental. É como os nueres, pessoas originárias do Sudão do Sul e do Oeste da Etiópia, se comunicam), árabe e inglês.

"Nos mudamos para a Austrália porque precisamos fazer música num local seguro, onde não há guerra", disse Gordon em entrevista ao "Guardian". "Decidimos ficar por aqui mesmo com todos os percalços (no novo país, o artista tem dificuldades para encontrar cordas feitas especialmente para seu instrumento). Nossa música será boa ainda assim, porque se voltarmos para o Sudão do Sul podemos morrer."

Gordon aprendeu a tocar o thom aos oito anos. Nessa época, ele construiu seu primeiro instrumento de madeira usando as próprias mãos. Para as cordas, utilizou cabos do freio de um carro. Junto de seu terceiro thom, Gordon e seu primo Paul, que toca o tradicional tambor bul, atravessaram a guerra civil no Sudão do Sul e chegaram à Austrália, onde conheceram Joe Alexander, fundador da Bedroom Suck Records.

"Com a ONG Music in Exile queremos encorajar o senso de comunidade, o sentimento de hospitalidade e o ato de compartilhar saberes. A sociedade australiana ainda propaga muita xenofobia e é fechada para o mundo. Minha intenção é, portanto, abrir essa ponte para trocas", declarou Joe.

Além de Gordon e Paul, o selo também representa o chinês Mindy Meng Wang, o produtor musical da Eritreia Muktar Said, o baterista de Ruanda Cyprien Kagorora, o grupo com integrantes da Etiópia e Eritreia Musica Yared e o Kang JJ, outro músico do Sudão do Sul.

"Minhas músicas falam sobre amor, união e paz", observou Gordon. "Muitas coisas mudaram no mundo, e quando não há paz é necessário existir um mediador entre diferentes comunidades. A arte também cumpre esse papel."

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