Gravadora do Reino Unido contrata artistas que passaram pelo sistema carcerário
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Gravadora do Reino Unido contrata artistas que passaram pelo sistema carcerário

A gravadora britânica InHouse Records tem um slogan peculiar: dangerously positive, ou "perigosamente positivo", em bom português. A frase resume bem o conceito do selo musical, uma vez que eles se empenham em assinar apenas com artistas que acabaram de deixar o sistema carcerário. A ideia foi tão bem sucedida que foi patrocinada por duas grandes marcas do meio: a Fender e a Universal.

Em entrevista ao site "Positive News", Judah Armani, fundador da InHouse Records, contou que criou a gravadora em 2017 com o intuito de "mudar o jogo" — não completamente, mas tentar reinserir na sociedade alguns dos 92 mil residentes de centros de detenção superlotados do Reino Unido.

"É algo que ninguém havia feito antes", explicou o executivo. "Ninguém pensou em criar uma gravadora que lançasse música para o grande público e que, ao mesmo tempo, ajudasse a reintegrar pessoas que passaram pelo sistema carcerário. Até porque isso tem um tom 'perigoso'".

Letras que glorificam gangues e violência? Não estamos interessados nisso. Acreditamos que a música pode ajudar essas pessoas a entender o passado e a criar futuros mais ambiciosos

A InHouse Records conta com a ajuda de quatro instituições carcerárias britânicas para encontrar novos talentos na música. E são elas próprias que pagam o custo de gravação, de gerenciamento de carreira e pós-produção. "Letras que glorificam gangues e violência? Não estamos interessados nisso. Acreditamos que a música pode ajudar essas pessoas a entender o passado e a criar futuros mais ambiciosos", afirmou Judah, que encoraja seus artistas a tratarem nas músicas sobre temas como esperança e arrependimento.

Craig, um londrino de 32 anos, acabou de cumprir a pena de 12 anos. Ele é um dos artistas contratados pela gravadora e falou sobre o potencial transformador que o selo teve em sua vida. "Eles me deram confiança", disse ele. "Desde o início, senti que eles tinham uma proposta diferente".

Atualmente, a InHouse produz cerca de 30 faixas por mês, quase todas de rap. A qualidade das rimas, como admite Judah, não é das melhores, mas ele acredita que 2019 será um ano decisivo para o amadurecimento destes novos artistas.

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