'Green Book': conheça Don Shirley, músico que inspirou o filme vencedor do Oscar 2019
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'Green Book': conheça Don Shirley, músico que inspirou o filme vencedor do Oscar 2019

"Green Book — O Guia" levou três estatuetas do Oscar para casa: a de melhor filme, roteiro original e ator coadjuvante. Este último foi graças ao ótimo desempenho de Mahershala Ali, duas vezes vencedor do prêmio (a primeira por "Moonlight: Sob a Luz do Luar", em 2017), como Don Shirley. A história do pianista e compositor americano inspirou o longa-metragem, apesar de controvérsias entre a família do músico e os roteiristas Nick Vallelonga, Brian Hayes Currie e Peter Farrelly.

De um lado, os familiares dizem que amizade do músico com o motorista e guarda-costas Tony Lipy (interpretado por Viggo Mortensen) e outros fatos sobre o filme sequer existiram e são uma farsa — além do que, afirmam que a obra "passa um pano para os brancos", uma vez que Tony era racista. Do outro, o time de roteiristas se defende explicando que o longa foi feito como "o Dr. Shirley queria", segundo contou Nick — que, aliás, é filho de Tony na vida real — ao "Deadline". Seja como for, Don Shirley existiu e sua história inspiradora merecia ser contada no cinema. Mas, apesar das controvérsias, quem era ele de fato?

Nascido em 1927 na Flórida, nos Estados Unidos, o músico foi filho de uma professora e de um pastor protestante, ambos de origem jamaicana. Começou a tocar piano aos 2 anos e, aos 9, assumia o instrumento nos cultos da igreja frequentada por seus pais. Considerado um gênio da música, Don tinha muita facilidade com idiomas (ele falava oito línguas!), e de fato sabia russo, como aparece em "Green Book". Ele aprendeu o idioma quando foi estudar música clássica no Conservatório de Leningrado (atualmente, área conhecida como São Petersburgo). Além disso, ele passou pela Catholic University of America, em Washington D.C.

Pianista, compositor, poliglota e doutor. Sim, Don era conhecido como Dr. Shirley e não era a toa. Segundo o biógrafo do músico, Al Campbell, ele tinha doutorado em música (quando estudou a relação entre a música e a criminalidade juvenil), psicologia (profissão que ele chegou a exercer por um breve período) e artes (pintar era um de seus hobbies). Ele conquistou os títulos após desistir temporariamente do instrumento, que nunca deixou de tocar de fato, mesmo quando seu empresário da época o convenceu de que era "muito negro" para interpretar Chopin. Por isso, ele se apresentava com um repertório jazzístico, mas sempre com uma forte influência clássica. Foi inclusive elogiado pelo renomado compositor russo Igor Stravinsky: "Seu virtuosismo é digno dos deuses", declarou ele.

Assim como sua contemporânea Nina Simone sonhava em ser uma pianista clássica, Don também procurava dar razão a sua outra paixão. Para tal, ele chegou a gravar uma peça de Rachmaninoff com a Orquestra Filarmônica de Nova York. Esta, infelizmente, nunca chegou a ser lançada, uma vez que nenhum selo se interessou. Além disso, Don escreveu sinfonias para órgão, concertos para piano e violoncelo, uma ópera e até uma obra inspirada no romance "Finnegans Wake", de James Joyce. Amigo de grandes nomes do jazz, como Duke Ellington, Don, durante as décadas de 1950 e 1960, gravou mais de duas dezenas de discos pela Cadence Records. Em 1961, seu single "Water Boy" ficou em 40º na parada da "Billboard" e ficou por lá por 14 semanas.

Sobre a amizade entre Don e Tony, não podemos afirmar se existiu como conta o filme. Mas eles realmente trabalharam juntos por muitos anos, e o "guia verde", manual que orientava negros em viagens pelo sul segregacionista dos EUA, era uma realidade. Ele foi publicado entre 1936 e 1966, e indicava hotéis, restaurantes e outros estabelecimentos onde pessoas negras tinham "permissão" para circular.

Shirley morreu em 2013, aos 86 anos. No mesmo ano, Tony também faleceu.

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