Green Day parte para fuga e 'festa no apocalipse': 'É tudo tão confuso e deprimente'
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Green Day parte para fuga e 'festa no apocalipse': 'É tudo tão confuso e deprimente'

O Green Day acaba de lançar "Father of All Motherfuckers", o álbum mais curto da carreira do grupo, com apenas 10 músicas e 26 minutos. Nem a estreia em 1990, com "39/Smooth" foi tão breve — tinha 31 minutos. "Eu não sabia se seria um álbum curto ou mais longo, e estava tendo dificuldades para designar a ordem de todas as 16 músicas", disse o vocalista Billie Joe Armstrong, em entrevista ao jornal inglês “The Guardian”. Mas depois que chegou às 10 faixas, "parecia que todas as músicas estavam conversando e finalmente estava tudo bem".

Este ano o Green Day completa 34 anos, batendo recorde de longevidade no mundo punk rock. Os maiores nomes não chegaram nem perto: Sex Pistols duraram três anos, o Clash, 10, e os Ramones, fenomenais, 22.

Separamos algumas frases de Billie Joe dadas em entrevista ao "Guardian" e ao "USA Today" sobre o novo e barulhento álbum, política, Grammy e outros assuntos.

Festa no apocalipse

"Nós entramos nisso querendo fazer uma espécie de disco antigo que traçasse a história do rock'n'roll. Seja glam rock, como T. Rex, ou Mott the Hoople, Martha e os Vandellas, baladas dos Archies, power pop e também algum rock de garagem. 'Father of All Motherfuckers' parece estar entre o Prince e o MC5. Tem algumas músicas em que estou realmente empolgado, como 'Meet Me on The Roof', que tem aquela sensação antiga da Motown. E "Graffitia" é uma música da qual realmente me orgulho. Não há um tema único no álbum, é mais como uma espécie de festa no apocalipse. Estamos passando por uma mudança cultural realmente louca agora, e ninguém realmente sabe para onde a vida está indo ou para onde o país está indo. Você tem esse neofascismo que se tornou popular na política e é realmente autodestrutivo."

Detox de presidentes

"Este álbum é quase um esforço consciente para desviar a política. No passado, acusávamos presidentes e coisas assim, mas agora pareceria óbvio demais. E eu não sabia como escrever sobre isso sem parecer que estava colocando ainda mais toxicidade. Não é que eu esteja ignorando, apenas o clima político atual é algo em que não posso me inspirar, mesmo tendo muitos sentimentos a respeito. Eu acho que Trump é um pedaço de merda. Eu acho que o líder da maioria no Senado Mitch McConnell é puro mal. Eles só se preocupam em cuidar dos ricos e não se importam com as pessoas comuns. Por isso não encontro inspiração. É difícil dançar quando você não consegue sair da cama."

Comentários sociais sem ser 'tão óbvio'

"O álbum traz comentários sociais, mas sobre pessoas que se sentem esquecidas. Está tudo lá nas músicas, como versos que falam de jovens negros sendo baleados por policiais nas ruas e pequenas cidades que perdem sua identidade porque fábricas e coisas assim estão se tornando obsoletas. Há uma letra sobre mochilas à prova de balas projetadas como proteção durante os tiroteios nas escolas, uma das ideias mais absurdas que já ouvi. Tudo é tão confuso e deprimente. Eu realmente queria criar algum tipo de fuga para as pessoas, eu não queria ser tão óbvio."

Billie Eilish

"Foi ótimo ver que Billie (com quem dividiu uma capa da "Rolling Stone" ano passado) levou tantos prêmios no Grammy. Quero dizer, eu só ouvi falar sobre isso — na verdade, tentar assistir ao Grammy é brutal. Estou muito feliz por ela e Finneas (O'Connell, seu irmão e produtor), é insanamente merecido. A música deles é muito verdadeira, e você pode dizer que tudo vem deles, que é o que os diferencia do que outros artistas pop andam fazendo. Nem dá para comparar o que ela faz com alguém como Ariana Grande. Ela é para valer."

Billie Eilish: 'Ela é para valer', diz Armstrong. Foto: Getty Images
Billie Eilish: 'Ela é para valer', diz Armstrong. Foto: Getty Images

Grammy

“Eu não gosto do que eles mostram. Há um ou dois artistas, como Lizzo, que eu acho realmente bons, mas o resto é como um baile de formatura ruim. Eu acho que a música é uma porcaria, não há rock. O fato de eles terem um prêmio para disco de comédia e não apresentarem uma banda de rock na transmissão, eu nem sei o que é isso. Eu gosto de comédia tanto quanto qualquer pessoa, mas eles estão fazendo um desserviço ao rock."

Morrissey

(No ano passado, Armstrong fez um dueto com Morrissey em "Wedding Bell Blues", faixa do álbum de covers "California Son" e logo depois o líder dos Smiths fez declarações de apoio a organizações e indivíduos de extrema direita). "Eu não sabia disso até a música sair. Nós fizemos a música e ele foi muito amável, e então a música saiu e muitos britânicos ficaram tipo: 'o que diabos você está fazendo?' Eu realmente não tinha ideia ... Ei, todos nós temos nossos Ted Nugents, certo?"

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