Guarani-kaiowá nas quebradas: conheça os Brô MCs, pioneiros do rap indígena do Brasil
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Guarani-kaiowá nas quebradas: conheça os Brô MCs, pioneiros do rap indígena do Brasil

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Em sua descrição no Facebook, o coletivo Brô MCs se autoproclama o "primeiro grupo de rap indígena do Brasil". Se essa afirmação é 100% precisa ou não, é difícil atestar. Mas, de fato, podemos apontar os quatro rapazes — naturais de Dourados, no Mato Grosso do Sul — como precursores de um movimento que levou um gênero tão urbano até as aldeias e tribos espalhadas pelo país. Sem deixar para trás seus traços culturais, o respeito pelos ancestrais e pela língua nativa, que muitas vezes é misturada com o português. 

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Para uma série de reportagens da "Rádio Globo", batizada de "519 anos de resistência: um retrato do Brasil indígena", o fundador do grupo, Bruno Veron, falou sobre os estereótipos relacionados a seu povo e declarou que quebrá-los é um dos motivos de querer fazer música.

"A principal mensagem que a gente pretende levar é que o indígena de hoje em dia é modernizado. Não é mais aquele indígena que vive só de tanguinha e de flechinha", observou ele. "É a mesma coisa o brasileiro, que vai para a Europa e para os Estados Unidos e nunca deixa de ser brasileiro. O rap é só uma ferramenta para a gente se comunicar. É a mesma coisa que você ter um celular. O celular não é do brasileiro, ele vem de fora. E você tem o celular, mas nunca deixa de ser brasileiro. É uma ferramenta que você usa." 

De Dourados, no Mato Grosso do Sul, o Brô MCs existe há 10 anos/Reprodução/Facebook
De Dourados, no Mato Grosso do Sul, o Brô MCs existe há 10 anos/Reprodução/Facebook

Além dele, fazem parte dessa história que já dura dez anos os integrantes Kelvin Peixoto, Clemersom Batista e Charlie Piexoto. Todos eles vivem na aldeia Jaguapirú Bororó e são de origem guarani-kaiowá. Começaram o coletivo por conta de um programa de rádio do colégio e, após a participação, decidiram se arriscar de vez em versos e rimas, cantadas majoritariamente em guarani — como é o caso de "Koangagua", palavra que significa "nos dias de hoje".

"Minha fala é forte e está comigo/ Falo a verdade, não quero ser que nem você/ Canto vários temas e isso que venho mostrando/ Voz indígena é a voz de agora", rimam os meninos, em sua língua nativa (todos os clipes têm traduções para o português).

Em entrevista ao "Nexo" em 2017, Bruno revelou que, no começo, o grupo fazia rap "escondido", com medo da reprovação das lideranças de sua aldeia. 

"Depois que lançamos o CD, quebramos essa barreira. Meu irmão levou um CD para apresentar para as lideranças e explicar que nossa música falava da nossa realidade. Hoje eles apoiam nosso trabalho e ajudam com as histórias, com o que querem falar", contou ele. Entre os feitos históricos do grupo está ter música incluída em um filme exibido no Festival de Berlim ("Terra Vermelha", tocada no curta-metragem "Em Busca da Terra Sem Males", de Anna Azevedo).

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