GuitarDJ: o instrumento brasileiro que transformou violão em mesa de DJ
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GuitarDJ: o instrumento brasileiro que transformou violão em mesa de DJ

É quase um cenário universal: festas com pista de dança, luzes coloridas e DJs tocando em uma bancada mais alta, geralmente afastados do público. Mas por que tem que ser sempre assim? Foi a partir desse questionamento e da vontade de inovar nas festas de formatura de Blumenau, em Santa Catarina, que o tecnólogo audiovisual Allan Frillmann criou a GuitarDJ: um instrumento que mistura o formato do violão com as funções de um controlador de DJ — tudo para permitir mobilidade e interatividade ao profissional responsável pela música dos eventos. E não para por aí, pois o equipamento também dá exemplo de acessibilidade.

O primeiro modelo do instrumento — um primo distante do keytar, mistura de teclado e guitarra muito usado nos anos 1980 — foi criado em 2010 e desde então une botões, carrapetas e todo o aparato necessário para reproduzir e dar sequência às músicas de forma coesa. Como em uma mesa de som tradicional, também é possível fazer o controle do volume e dos tons graves, médios e agudos na própria GDJ ("Gê DJ", como é chamada por Allan, uma brincadeira com os antigos CDJs, a tal mesa do DJ). "Eu queria criar um diferencial”, conta o técnico em eletrônica e também DJ, de 39 anos, em entrevista ao Reverb, sobre a invenção que pode ser operada com ou sem fio. "É a bancada do DJ nos seus braços”, ele explica.

Allan Frillmann e sua invenção musical, a GuitarDJ. / Foto: Arquivo pessoal
Allan Frillmann e sua invenção musical, a GuitarDJ. / Foto: Arquivo pessoal
A interação, a conexão musical é maior com a GuitarDJ

O projeto nasceu com o nome de RockDJ e consistia em uma banda de quatro operadores de GuitarDJs acompanhados por manequins robôs, também construídos por Allan. “Eu sempre estive rodeado de inspirações; os DJs mais velhos me incentivavam e eu me espelhava neles”, diz o catarinense que criou um sistema de sincronização entre os "violões", os robôs e os músicos a partir do mesmo tipo de linguagem para programar iluminação de palco, conhecida como "DMX". Por meio de luzes de LED, o público consegue saber visualmente qual das GDJs está produzindo sons no momento. “É ali (na pista de dança) que o DJ transfere a musicalidade pro público”, ele explica. “A interação, a conexão musical é maior com a GuitarDJ”.

Allan acompanhado da GuitarDJ e de um de seus manequins robôs. / Foto: Arquivo pessoal
Allan acompanhado da GuitarDJ e de um de seus manequins robôs. / Foto: Arquivo pessoal
A GuitarDJ é uma ferramenta para pessoas com deficiência intelectual ou física; elas podem ser inclusas em plataformas de entretenimento tranquilamente

A engenhoca eletrônica também é capaz de gravar áudio ambiente, produzir vibrações e ter os botões mapeados em braille para que pessoas com deficiência visual também possam tocá-la. Em visitas voluntárias a escolas da região e à APAE de Blumenau — uma organização sem fins lucrativos voltada para pessoas com deficiência intelectual e múltipla —, Allan teve a oportunidade de mostrar toda a interatividade e acessibilidade de sua criação. "A GuitarDJ é uma ferramenta para essas pessoas (com deficiência intelectual ou física); elas podem ser inclusas em plataformas de entretenimento tranquilamente", ele garante.

“Em uma ocasião, um menino virou para mim e disse: ‘você realizou meu sonho, eu sempre quis ser DJ'”, lembra. “É uma sensação única (levar a GDJ até as pessoas); aumenta a percepção e elas se sentem realizadas”.

Allan em visita a crianças com a GuitarDJ. / Foto: Arquivo pessoal
Allan em visita a crianças com a GuitarDJ. / Foto: Arquivo pessoal

Veja como a GuitarDJ funciona na prática:

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