Guitarra empoderada: Jennifer Batten, que brilhou tocando com Michael Jackson e Jeff Beck, fala sobre a vida na estrada
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Guitarra empoderada: Jennifer Batten, que brilhou tocando com Michael Jackson e Jeff Beck, fala sobre a vida na estrada

Por onde passa, ela dá dicas valiosas a aspirantes a guitarristas. Aos 62 anos, Jennifer Batten roda o mundo dando palestras e fazendo workshops para contar tudo o que sabe sobre seu instrumento e também tudo que viveu, testemunhou e absorveu quando fez parte das bandas de Michael Jackson e Jeff Beck.

Nascida em Nova York, ela emenda compromissos entre continentes, alternando entre shows solo, participações em bandas de outros artistas e seminários. A tudo isso se somaram ainda, durante todo o ano de 2019, shows em homenagem a Michael Jackson por conta dos 10 anos de sua morte. Ela inclusive esteve no Brasil participando do tributo organizado por Rodrigo Teaser, que rodou quatro cidades.

Jennifer esteve no Brasil ano passado participando de um tributo a Michel Jackson. Foto: Getty Images
Jennifer esteve no Brasil ano passado participando de um tributo a Michel Jackson. Foto: Getty Images

"Sim, eu fiz muitas coisas diferentes. E quase nunca eu sei o que vem a seguir. Quando você acorda, pode haver um email que vai me revelar o que farei em março", contou Jennifer, em entrevista à "Guitar World".

De 1987 a 1997, ela tocou nas turnês BAD, Dangerous e HIStory de Michael Jackson e, de 1999 a 2001, fez uma excursão e gravou com Jeff Beck. Com três álbuns solo, “Above, Below, and Beyond’s”, “Momentum” e “Whatever”, alguns DVDs com aulas de guitarra e dois livros lançados, Jennifer tem se dedicado, nos últimos anos, a realizar palestras e workshops em escolas e festivais. Mas ela não nega que sente falta da "boa vida" das turnês com o rei do Pop. “Éramos mimados. Quando nossa bagagem estava pronta e do lado de fora, nunca mais a víamos até o próximo hotel, sabia? Não mudei minhas próprias cordas por um ano e meio! Era como férias pagas, na verdade. Na maioria das turnês é tão caro manter as pessoas que você não tem dias de folga e, caso tenha, são para viajar para a próxima cidade. Mas, com Michael, tocávamos apenas dois ou três dias por semana, então tínhamos tempo de sobra para passear em todas as cidades em que estávamos, em todo o mundo", contou.

Jennifer ao lado de Michael Jackson na turnê  HIStory, em 1996. Foto: Getty Images
Jennifer ao lado de Michael Jackson na turnê HIStory, em 1996. Foto: Getty Images

Mas o período ao lado de Michael Jackson foi uma exceção, já que o dia a dia de músico em aeroportos e hotéis não têm tanto glamour. "Depois de 30 anos fazendo isso, eu só quero estar em casa. As pessoas perguntam: 'Para onde você gostaria de ir, onde você ainda não esteve?', E apenas digo: 'Lar'.", confessou ela que depois de passar tanto tempo viajando, conseguiu refinar seu equipamento para facilitar o vôo. Ela sabe o peso de tudo o que leva em suas viagens. "Ele pesa 450 gramas. É plástico e, se quebrar, comprarei outro. Peso é tudo quando você viaja", disse, apontando para um pedal de volume Boss FV-50.

Outra coisa que descobriu com o tempo foi o uso dos processadores e modelos DigiTech, que ela afirma, feliz da vida, que se encaixam perfeitamente na mala. "Quando eu descobri o BluGuitar Amp1 (cabeçote em formato de pedal), ele uma mudança radical. De repente, eu pude diminuir o volume quando tinha um canal distorcido e ele limpava", contou.

Sua larga experiência é tema frequente nos seminários, quando passa um tempo detalhando para os músicos aprendizes todo o trauma inesperado das turnês, como guitarras quebradas e bagagem perdida. "Eu me esforço muito para fazer essas aulas que geralmente têm quatro horas, pouco tempo para passar por tudo. Há tanto conteúdo, é uma loucura!”, disse.

Mas às vezes ela participa de programas mais longos, como o do workshop anual de Schorndorf, na Alemanha. "O ano passado foi a primeira vez que fiz esse workshop de cinco dias, foi superintenso", contou. "Eu faço principalmente para guitarristas, mas às vezes também são músicos de outros instrumentos e vocalistas. Tenho uma visão panorâmica e filosófica sobre a música em geral, e as pessoas sempre querem fazer perguntas sobre turnês, porque eu estou na estrada desde sempre", disse.

Jennifer só parece se irritar quando os alunos, sejam eles mais avançados ou não, preferem saber mais sobre Michael Jackson do que o instrumento que estão ali para aprender. "Eu vivo recebendo as mesmas perguntas, tipo 'como foi tocar com Michael Jackson?' Querem saber mais sobre ele do que quando eu toquei com Jeff Beck. Era de se imaginar que, em uma palestra de guitarra, eles estariam muito mais interessados em Jeff! Mas é muito comum esses tipo de perguntas bastante superficiais às quais eu já respondi um milhão de vezes”, contou.

A guitarrista, que em 2018 gravou com o produtor musical Daniel Figueiredo a música “Salgadream", pode até não ter muita disposição para explorar novos lugares, mas não perde o prazer de participar de festivais. “No ano passado, estive na Noruega para um belo festival no litoral, o Larvik Guitar Festival. Foi simplesmente maravilhoso. Paul Gilbert estava lá. Uma coisa que é muito legal nos festivais travar contato com músicos. Dessa vez eu conheci Clive Carroll (aclamado violonista virtuose inglês), por exemplo. Eu não sabia quem ele era e me tornei fã instantaneamente", contou Jennifer.

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