Há 50 anos, Elvis Presley se reinventava, junto com a 'cidade do pecado', Las Vegas
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Há 50 anos, Elvis Presley se reinventava, junto com a 'cidade do pecado', Las Vegas

Os anos 1960 podem ter sido transformadores para a história da música, com o surgimento dos Beatles, Rolling Stones, The Who, e no Brasil com movimentos com a Tropicália e a MPB. Para Elvis Presley (1935-1977), no entanto, essa época representou uma espécie de buraco negro. No começo da década, o rei do rock havia retornado de um período de dois anos servindo ao exército americano na Europa. Depois disso, ele meio que se aposentou dos palcos e se limitou a fazer alguns filmes sem tanta bilheteria e gravar algumas músicas pop tidas como descartáveis.

Na televisão, o cantor conseguiu um "comeback" antológico em dezembro de 1968, quando estrelou um especial da emissora NBC e voltou com tudo ao radar da mídia, exibindo um look clássico e em ótima forma vocal — sem falar no carisma, intocado. Mas foi só em 1969, mais precisamente no dia 31 de julho daquele ano, que ele voltaria a fazer um show ao vivo com plateia e tudo mais. Aconteceu em Las Vegas, no International Hotel, onde acabaria fazendo uma residência de 57 shows, que completa cinco décadas em 2019. Para marcar a data, serão lançadas duas coletâneas especiais. "Live 1969", que sairá no dia 9 de agosto, e "American Sound 1969", no dia 23 de agosto (confira a track list completa das coletâneas no site da "Rolling Stone").

Letreiro anunciando o retorno de Elvis Presley, que aconteceria no Hotel Internacional em 31 de julho de 1969/Getty Images
Letreiro anunciando o retorno de Elvis Presley, que aconteceria no Hotel Internacional em 31 de julho de 1969/Getty Images

Os anos de Elvis em Las Vegas são, em grande parte, lembrados como um período de excesso comercial e declínio artístico: os shows bombásticos, os macacões brancos exagerados, o efeito sanfona, o comportamento errático no palco, o abuso de drogas... "Para muitos", escreveu Dylan Jones no livro "Elvis Has Left the Building: The Day the King Died", de 2014, "o Elvis de Las Vegas já era um Elvis morto".

Apesar da má fama da época, não há como negar que, no começo dessa longa residência, o rei do rock estava em seu auge como showman, ajudando, inclusive a levantar a moral da "cidade do pecado" no fim dos anos 1960. Na virada da década, Vegas foi totalmente deixada de lado pelos ídolos da contracultura. Janis Joplin, os Rolling Stones, os Beatles e outros representantes dessa geração não queriam se associar ao local. Ainda mais com o Woodstock batendo à porta, no dia 15 de agosto de 1969. Portanto, foi graças à ajuda de Elvis que a cidade voltou a reviver sua glória.

O cantor, morto aos 42 anos, foi o enviado do destino ideal, e nada mais justo do que isso, já que o seu relacionamento com a cidade é de longa data. Seu primeiro show em Vegas aconteceu em 1956, quando ele ainda estava começando a carreira e nem teve muito sucesso com o público local. Pouco importou, pois Elvis continuou insistindo e sempre voltava para lá. Tinha a cidade como uma de espécie de oásis de farras e plano de fundo para seus projetos pessoais "mais sérios": como o filme "Viva Las Vegas", de 1963, seu casamento com Priscilla no Aladdin Hotel em 1967, e o retorno aos palcos em 1969.

Para o primeiro show dessa nova fase, Elvis descartou todo o "glamour" de um show tradicional de Vegas. Seu intuito era mesmo se conectar com o público e tocar as músicas que ele amava. Sendo assim, montou uma nova banda para acompanhá-lo enquanto cantava para uma plateia que ocupou todos os 2 mil assentos do teatro do Internacional Hotel.

Segundo o "New York Times", Elvis estava tão nervoso naquela noite que quase teve de ser empurrado para entrar no palco. "Vi em seu rosto um olhar de pânico", disse o comediante Sammy Shore, responsável por aquecer o público para o rei do rock. Apesar da tensão, o cantor se saiu muito bem, fez um show de 1 hora e 15 minutos e lançou um de seus grandes sucessos durante essa apresentação. Era "Suspicious Minds", primeiro de Elvis a alcançar o topo das paradas americanas em sete anos.Curiosamente, a canção escrita por Mark James (responsável também por "Always On My Mind", em parceria com Wayne Carson e Johnny Christopher) foi o último primeiro lugar de Elvis (em vida) na lista de singles americana.

Elvis tocou por quatro semanas seguidas, nos sete dias da semana, dois shows por noite. Ou seja, nada de folga para o rei do rock. Todos os ingressos estavam esgotados e os críticos musicais foram só elogios ao cantor. Farejando o sucesso, o Internacional Hotel contratou Elvis para mais cinco (e longos) anos.

Com o tempo, ele meio que se cansou da função, o show decaiu muito e os problemas começaram a aparecer. Mas é inegável sua influência para tornar Las Vegas o que é hoje: uma cobiçada cidade para artistas do naipe de Lady Gaga e Elton John investirem em suas carreiras e darem um tempo na vida estradeira de longas turnês.

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