Halloween e a história das músicas assustadoras
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Halloween e a história das músicas assustadoras

Músicas de Halloween modernas em nada se comparam com o que foi criado em séculos passados para brindar a morte e as histórias de terror. Com tradições medievais históricas, composições europeias passadas há gerações compreendem esse trabalho com maior precisão. É o que mostra uma lista de curiosidades elaborada pela "Quartz". A exemplo disso, temos o século XIX, frutífero para a produção de obras assustadoras. Capitaneadas por compositores como Franz Liszt e Richard Wagner, pilares da música clássica, "músicas sombrias" surgiram usando métodos de composição adotados por filmes de terror e bandas de metal até hoje, como vozes de monges gregorianos entoando cantos apocalípticos e, em especial, um intervalo soturno entre duas notas conhecido como "o diabo na música" (diabolus in musica, em latim).

Na idade média boa parte da música ocidental era feita com um único objetivo: louvar a Deus. Composições cristãs eram repletas de harmonia e criadas em escalas que soavam alegres e felizes. O diabolus in musica surge como contraponto ao estabelecer uma dissonância harmônica, chamada de “trítono” por teóricos da música moderna. Se você observar as teclas de um piano poderá entender um pouco melhor sobre o que estamos falando ouvindo notas separadas por três tons inteiros (cada passagem de uma tecla para outra — entre brancas e pretas — é de meio tom).

O fato de entendermos o intervalo como algo "demoníaco" tem a ver com a relação de frequência entre elas. Para o nosso ouvido, é difícil compreender harmonia quando a razão de frequência do intervalo é tão destoante.

Quando a Igreja Católica passou a diminuir sua influência nas artes, na época Barroca e Clássica, ainda assim os compositores evitavam o “intervalo do diabo”. Mesmo quando eles apareciam nas músicas, eram "resolvidos" rapidamente sendo seguidos por momentos musicalmente "alegres". Com a chegada da era romântica da música clássica, Beethoven ousou ao usar o intervalo no Ato 2 da ópera Fidelio, de 1805 (você pode ouvir no vídeo abaixo, por volta de 1:20).

Outro personagem importante na história de músicas tenebrosas é o canto gregoriano “Dies Irae” ("Dia da Ira"). Composta no século XIII, a música ganhou destaque nas mãos de Hector Berlioz e sua "Symphonie Fantastique", de 1830. Lizst, por exemplo, estava na estreia do concerto e surtou ao ouvir o movimento de "Dies Irae". O húngaro era fissurado em temáticas mórbidas (observem "Dante Sonata", "Totentanz" e outras). Como ele, outros compositores românticos se apaixonaram por "Dies Irae": Brahms, Tchaikovsky, Chopin, entre eles.

O russo Sergei Rachmaninoff usou da peça com uma frequência grande, como no poema sinfônico "Isle of the Dead" e “Rhapsody on a Theme by Paganini". Modest Mussorgsky, também usou a "Dies Irae" em "Songs and Dances of Death" e "Night on Bald Mountain", poema sinfônico sobre Chernabog, o deus negro da mitologia eslava repleto de trítonos.

"Dance of Death" se refere aos contos populares sobre mortos que acordam para dançar com os vivos e lembrá-los da brevidade da vida. O tema é popular na arte europeia. Os franceses costumavam se vestir como esqueletos nos vilarejos, uma tradição que pode ter dado origem às fantasias de Halloween. A tradição francesa diz que a meia-noite da noite de Todos os Santos (“All Hallow's Eve”, de onde veio o nome da festa), data precursora do Halloween moderno, a morte começa a dançar.

Foi de um poema francês que nasceu a versão mais longeva e "o maior hit de Halloween" da era romântica: "Danse Macabre", de Camille Saint-Saëns, de 1872. A música explora os trítonos e, é claro, o "Dies Irae", ao retratar a noite em que os mortos se levantam.

No cinema, é possível ouvir trechos e referências de "Danse macabre" ou de "Dies Irae", seja em episódios de "Buffy, a Caça-Vampiros", na abertura do filme "O Iluminado" ou em longas como "O Exorcista" e "Poltergeist". O heavy metal também busca inspiração lá, como o Black Sabbath fez em "Black Sabbath" e o Slayer, que chamou de "Diabolous in Musica" seu álbum de 1998.

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