Hans Zimmer traz novidades para a trilha do novo 'O Rei Leão' sem perder a essência do original
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Hans Zimmer traz novidades para a trilha do novo 'O Rei Leão' sem perder a essência do original

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A nova versão para "O Rei Leão", uma das animações de maior sucesso da Disney, já está nas salas de cinema do Brasil. Recriada em live-action 25 anos depois, a história vem acompanhada das mesmas canções com que o compositor Hans Zimmer levou o Oscar, o Globo de Ouro e o Bafta em 1995.  Só que elas ganharam novos intérpretes - como Beyoncé - e uma roupagem diferente, que valoriza a diversidade.

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Em entrevista à National Public Radio, Zimmer conta que nem gostava de musicais da Disney. "Mas quando me convidaram, disseram 'ótimo, é exatamente isso que procuramos! Não queremos alguém que faça o mesmo de antes'", diz o compositor, na época conhecido pelas trilhas de filmes adultos como "Rain Man" e "Cortina de Fogo".


Hans Zimmer durante uma première de "O Rei Leão" em Hollywood. Crédito: Getty Images
Hans Zimmer durante uma première de "O Rei Leão" em Hollywood. Crédito: Getty Images

Sua filha Annabel teria sido outro incentivo para ele aceitar o desafio. Mas ele discorda:  "Não foi pela minha filha! Era para o pai dela... Como não podia levá-la para assistir filmes do tipo 'Amor à Queima Roupa', pensei : 'Ah, isso vai ser bom, um desenho animado sobre animais fofos engraçado e inofensivo. O que eu não percebi era o quanto aquela história iria me me atingir. Meu pai morreu quando eu tinha 6 anos - a idade de Annabel na época". Para quem não lembra, Mufasa, o rei de Pride Rock, morre tragicamente ao salvar seu filho, Simba, durante uma debandada de gnus. 

O trabalho acabou funcionando como uma terapia para Zimmer: "Lá estava eu, abrindo aquelas feridas profundas para deixar toda a escuridão sair. Acho que consegui um resultado épico para um filme sobre pequenos animais".

Quando a Disney e o diretor Jon Favreau o chamaram para o remake hiper-realista, Zimmer sabia que teria que renovar a trilha de alguma forma. Mas com o cuidado para manter a essência da original. Logo na abertura da nova produção, pode-se ouvir o mesmo grito de 1994, dado pelo músico sul-africano Lebo M que, aliás, tem uma história incrível. 


Lebo M saiu da África do Sul na era do apartheid em 1979, aos 16 anos, e foi para Los Angeles. Viveu nas ruas e depois foi trabalhar como contínuo no estúdio de Hilton Rosenthal. Um dia, Zimmer o viu e, impressionado com seu talento musical, o contratou para fazer os arranjos vocais de "O Poder de um Jovem", de 1992. Pouco depois, foi convocado para dar uma "autenticidade africana" a uma animação sobre leões. "Eu só sabia que era sobre um conflito entre irmãos com o filho no meio. Depois que percebi a importância da figura de Mufasa, pensei: 'o que acontece quando uma pessoa importante na minha cultura, aparece? Como um rei é recepcionado?' Só poderia ser com 'Nants' Ingonyama! '", canta, traduzindo logo depois: "Todos saúdem o rei, todos se curvam na presença do rei!". 

O músico diz se identificar com o leãozinho Simba: "Eu sou o Simba neste momento, que cresce no exílio. E Mufasa, para mim, é a própria imagem de Nelson Mandela", compara Lebo M.


O produtor Lebo M e o compositor Hans Zimmer. Crédito: Getty Images
O produtor Lebo M e o compositor Hans Zimmer. Crédito: Getty Images

A novidade na nova trilha é a participação da Re-Collective Orchestra, um grupo formado por músicos negros  fundado por Stephanie Matthews e Matt Jones. Ano passado, gravaram a faixa "All the Stars", do longa "Pantera Negra". Zimmer viu um vídeo da orquestra e a convidou para participar de "O Rei Leão". "Ele ficou apaixonado pela ideia da diversidade ao ter esses músicos colaborando com os de Los Angeles, que são extraordinários", diz Stephanie. "Assim que todos começaram a tocar, sentados um ao lado do outro, algo incrível aconteceu. Aquilo não foi apenas diversidade, foi união", conta Zimmer sobre as gravações que aconteceram em abril nos estúdios da Sony.


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