Hayley Williams, do Paramore, exorciza passado e depressão em álbum solo: 'A raiva feminina mudou muitas coisas neste mundo'
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Hayley Williams, do Paramore, exorciza passado e depressão em álbum solo: 'A raiva feminina mudou muitas coisas neste mundo'

"Agora isso parece um começo. Considerando que, honestamente, meses antes de lançarmos 'After Laughter', parecia um final." A sensação é de Hayley Williams, lembrando do álbum de 2017 de seu grupo Paramore. Os altos e baixos com os companheiros de estrada e os da própria vida pessoal se refletem em “Petals for Armor”, o primeiro álbum solo da cantora que será lançado dia 8 de maio. Em “Simmer”, que saiu em janeiro, ela canta: “Rage is a quiet thing / You think that you've tamed it / But it's just lying in wait (“A raiva é uma coisa quieta / Você pensa que a domou / Mas ela está ali esperando”, em tradução livre).

Se o Paramore nasceu como uma banda adolescente pop-punk sem ser levada muito a sério, sua vocalista Hayley Williams a encarava como sua vida. A cada briga e saída de um integrante, era um grande sofrimento. “Eu estava tentando tanto manter uma família unida”, diz ela em entrevista ao “The Guardian.

Hayley Williams lança ""Petals for Armor" em maio. Foto: Getty Images
Hayley Williams lança ""Petals for Armor" em maio. Foto: Getty Images

Sua ânsia em manter o grupo unido era, na verdade, resquícios de traumas familiares, como a separação dos pais quando tinha apenas quatro anos e o próprio casamento, seguido de um divórcio turbulento, com Chad Gilbert, guitarrista do New Found Glory.

Aos 31 anos, Hayley apresenta em “Petals for Armor”, que tem um clima meio Radiohead, o oposto de sua banda que, finalmente, conseguiu manter uma formação estável há três anos. Até pode parecer um momento ruim para um lançamento solo, mas, no final de sua última turnê, ela, o guitarrista Taylor York, e o baterista Zac Farro perceberam que, para permanecer unidos, eles precisavam nutrir sua amizade fora da estrada.

Sem planos para o Paramore, ela foi confrontada por um sentimento que começara a surgir na turnê. “Acho que estava com muita raiva”, lembra, esclarecendo que um dos seus maiores momentos de cura foi perceber que grande parte daquela depressão que estava sentindo era raiva deslocada. “Eu realmente forcei isso para dentro, para mim mesma, e isso me fez sentir vergonha o tempo todo”, conta. A raiva, ela descobriu mais tarde, poderia ser uma energia e até um reconhecimento da auto-estima. “Isso me ajudou a entender as coisas que aconteceram ao longo da minha vida que não estavam certas”, explica. A culpa que carregava pela separação dos pais, a fuga com sua mãe, escapando de um padrasto abusivo, e a incapacidade de manter o casamento, tudo veio à tona. “Eu queria a coisa toda — a família — e pensei que poderia até parar de fazer música por um tempo para fazer isso”, confessa.

O subconsciente de Hayley começou a abrir caminho enquanto escrevia “After Laughter” — particularmente em “Caught In the Middle”, uma sátira de seu próprio talento para a auto-sabotagem. “É aterrorizante viver nessa realidade porque você percebe que é o vilão. Você continua estragando sua própria história de propósito, porque tem medo de que algo dê certo e ainda atrapalhe”, analisa.

A depressão se refletiu fisicamente, quando desenvolveu erupções cutâneas e parou de comer, mas com o apoio dos companheiros do Paramore, foi se recuperando aos poucos. “Me assustou fazer parte dessa conversa de depressão, especialmente se eu não tinha certeza do que realmente estava acontecendo comigo”, lembra, reconhecendo que “o que acontece em nossos cérebros geralmente se manifesta fisicamente se não cuidarmos disso”. Ela se internou em uma clínica para um retiro intensivo de terapia na época. Seu terapeuta a aconselhou a escrever e foi daí que começaram a surgir as canções do disco solo que, até então, ela jurava que nunca faria. “Eu realmente pensei que estava escrevendo um monte de músicas de R&B por diversão”, contou ao “The New York Times” em entrevista com o sugestivo título “Como Hayley Williams salvou a si mesma — e ao Paramore”.

Quando ela voltou do retiro, sua avó sofreu uma queda que afetou permanentemente sua memória. Hayley, perturbada, sentou-se com o baixista do Paramore, Joey Howard, e escreveu “Leave It Alone”, sobre a inevitabilidade da perda. Eles escreveram mais sete músicas do novo álbum juntos.

A introspectiva “Petals for Armour” aborda seu relacionamento e o abuso sofrido por parentes mais velhas. Mas é “Simmer” que faz catarse a partir da palavra reveladora: “raiva". Em vez de se arrepender de seu passado, ela espera destacar o poder desse sentimento. "A raiva das mulheres mudou muitas coisas neste mundo", diz. “Conseguimos avançar em tantas áreas.” Se omundo em 2020 não precisa, exatamente, de temperamentos quentes, ela defende que a raiva geralmente tenta ensinar alguma coisa. “Não tem que ser tudo ignorância e discurso de ódio”, afirma.

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