Hinds, a banda feminina sensação do indie rock, chega para equilibrar gêneros: 'A gente topa dividir o mundo'
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Hinds, a banda feminina sensação do indie rock, chega para equilibrar gêneros: 'A gente topa dividir o mundo'

Uma das bandas mais elogiadas do momento, a espanhola Hinds, transformou em música várias coisas idiotas e palpites não solicitados que mulheres costumam ouvir direto no meio do rock: “Just Like Kids (Miau)”. Foi daí que elas tiraram o título irônico de seu terceiro álbum, aclamado nos dois lados do Atlântico como um dos melhores lançamentos indie de 2020: "The Prettiest Curse" ("a maldição mais bonitinha").

Na briga por espaço e igualdade de gêneros, elas têm uma visão bem humorada. "Não vamos enfiar a porrada e jogar vocês no chão. A gente topa dividir o mundo", brinca Carlotta Cosials, voz e guitarra do grupo, em entrevista ao jornal britânico "The Independent". positiva. "Algumas pessoas são de gerações que não enxergam homens e mulheres em igualdade, mas alguma hora elas vão morrer e pouco a pouco vamos construir uma civilização melhor", desenvolve.

A banda de Carlota com Ana Perrote (voz e guitarra), Ade Martin (baixo e vocais de apoio) e Amber Grimbergen (bateria) também ganhou tratamento generoso na "Billboard" americana, que festejou a chegada deste terceiro álbum de carreira."Na Espanha, você precisa lançar dois discos e provar que é uma banda de verdade, as pessoas tendem a menosprezar antes disso. Mas no resto do mundo, essa é justamente a parte mais emocionante da indústria ", diz a vocalista e guitarrista Ana Perrote.

Carlotta Cosials e Ana Perrote, vocalistas e guitarristas da The Hinds. Foto: Getty Images
Carlotta Cosials e Ana Perrote, vocalistas e guitarristas da The Hinds. Foto: Getty Images

A Hinds surgiu da cena punk indie underground de Madri, na Espanha, em 2014, componto e cantando em inglês. Na época ainda se chamada Deers, mas precisaram mudar o nome porque os canadenses The Dears ameaçaram um processo. O álbum de estreia, "Leave Me Alone", veio dois anos depois dessa confusão de identidades inicial. "I Don 'Run", de 2018, já demonstrava uma confiança maior, vinda de turnês pela estrada. "The Prettiest Curse" as coloca em outro nível, sem medo de novas experimentações. "Havia uma janela maior que nos deixava mais livres. Nós pensamos: 'Isso é bom, vamos tentar'", conta Ana.

O disco foi produzido em um ritmo bem diferente dos anteriores: estúdios caros, com tempo e orçamento contados, com gravações feitas em folgas entre turnês. "Houve muita pressão que matou toda a diversão”, diz Ana. Dessa vez, elas tiraram oito meses para compor entre Madri e Los Angeles e gravaram com a produtora americanaJenn Decilveo em diferentes estúdios em Londres e Nova York. "A liberdade de se divertir fez toda a diferença", aponta Ana, dizendo que nesse disco descobriram suas identidades. "Durante nossos primeiros anos, estávamos tentando provar que poderíamos ser uma banda de rock. Com o segundo álbum, sentimos o respeito da indústria. Isso nos levou a um ponto em que estávamos livres para criar. Tocar sintetizadores? Por que não? Cantar em espanhol? Vamos lá, vamos tentar", relata.

As integrantes confiaram na produção de Jenn, que já trabalhou com nomes como Beth Ditto e Demi Lovato. A vocalista e guitarrista Carlotta diz que várias vezes na carreira elas interromperam algumas melodias que estavam criando por acharam pop demais. "Pensávamos 'o-oh, isso é muito pop'. Com esses dois álbuns, queríamos ser classificadas como uma banda de rock, porque o rock é feito de liberdade, então nos permitiria fazer o que quisermos. Então, quando nos firmamos como uma banda de rock, podemos fazer músicas pop", diz ela.

Com seu terceiro álbum, a Hinds não tem medo de explorar abertamente as lutas — incluindo o sexismo — que eles enfrentaram. "As pessoas vêem um cara gritar e tirar a camisa e fazer algo selvagem e ficam tipo 'Woah, isso é incrível. "Mas se uma mulher faz algo assim, é como, 'Oh, isso está errado. Ela não está se comportando", aponta Ana. "Posso lhe contar uma coisa sobre você e sua banda?/ Tenho certeza que você adoraria ouvir meus conselhos/ Você está sempre desafinado/ Não tem lugar para você", cantam, pela perspectiva de um homem, no single "Just Like Kids (Miau)". Ana diz que é uma de suas favoritas porque "mostra como é ser uma garota de uma banda". "Tudo o que dizemos vem de conversas reais ou da internet, é muito comum", lamenta.

Carlotta também fala sobre a desigualdade de gêneros no rock. "Não consigo pensar em um setor em que haja 50-50 a sério, mesmo que seja em relação a salário, presença ou importância iguais. Não é só na indústria da música, é um reflexo de uma imagem maior ... é como o mundo em geral nos tratou", completa Ana.

O título do álbum remete à solidão que elas sentem mesmo quando estão cercadas pelo público. "Nós criamos o conceito 'Prettiest Curse' porque era algo que costumávamos dizer de brincadeira que fomos amaldiçoadas, porque há algo maior do que o controle de sua vida: está constantemente cercada por pessoas, mas também está constantemente sozinha. É algo que não se pode evitar como artista. É o que você ama e é o que faz você feliz, mas também tem algumas dessas coisas ruins", observa Ana.

A vocalista, agora, só está vendo o lado bom da situação, pois com o afrouxamento da quarentena na Espanha desde o dia 11, já surge a possibilidade de shows ao vivo. Locais fechados, em grande parte do país, foram autorizados a fazer shows com uma capacidade máxima de 30 pessoas e eventos ao ar livre podem acontecer limitados a um público sentado e distante, com até 200 pessoas. "Quanto mais cedo eles nos deixarem fazer absolutamente qualquer coisa que não seja ficar em casa, melhor", diz Ana, animada.

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