Idealizadora da SIM São Paulo, Fabiana Batistela quer inserir mais mulheres no mercado da música
Inspiração

Idealizadora da SIM São Paulo, Fabiana Batistela quer inserir mais mulheres no mercado da música

Publicidade

Quando Fabiana Batistela começou a trabalhar com música, a situação era bem diferente do que vemos hoje. “Foi a época que surgiu o Napster, a indústria entrou em crise e o mercado começou a se transformar”, ela recorda do período na virada dos anos 2000, quando era estagiária da finada revista “Bizz” e já “fazia umas festinhas”. “Entrei para esse mercado justamente na maior crise e na maior transformação”. Formada em publicidade pela ESPM, ela decidiu então trilhar um caminho próprio, primeiro realizando o festival Upload, no Sesc Pompeia, em São Paulo, e depois abrindo a própria empresa, a Inker, oferecendo serviços de assessoria de imprensa e gerenciamento de carreira para músicos emergentes no cenário nacional.

 FEMINISMO: A história apagada da irmã de Mozart 

 LEIA MAIS: Lugar de mulher também é na bateria

A empreitada de Fabiana acabou rendendo bons frutos e, com a experiência adquirida, ela decidiu trabalhar em sua maior realização até hoje: a Semana Internacional de Música de São Paulo. O evento, em grande parte sediado no Centro Cultural São Paulo, já chega à sexta edição anual consecutiva, marcada para acontecer entre os próximos dias 5 e 9 de dezembro. Desde 2013, a conferência reúne profissionais de toda a cadeia de produção musical para showcases, palestras, workshops e mais de 70 mesas de debate, entre outros encontros. A “cereja do bolo” são os mais de 300 shows, espalhados por 30 casas da cidade, compondo a fatia noturna do evento.

Mas, há alguns anos, o cenário era outro. Para Fabiana, a SIM São Paulo dificilmente existiria quando ela começou a se envolver com assessoria de imprensa e produção de shows. “Lá em 1999, 2000, o mercado era muito mais limitado às gravadoras, ou você era mainstream ou ficava no underground para o resto da vida. Era difícil produzir, não tinha canal para divulgar”, analisa a empreendedora, hoje com 41 anos. “Hoje, para mim, não defino mais como ‘independente’ e ‘mainstream’, é tudo a mesma coisa. Acredito que existem bandas emergentes e artistas consolidados. E você pode ser consolidado tanto em massa, quanto em um nicho”.   

Público aproveita as atrações do SIM SP / Foto: Caroline Bittencourt / Divulgação
Público aproveita as atrações do SIM SP / Foto: Caroline Bittencourt / Divulgação

 Já no fim da década de 2010, a existência de uma feira como a SIM acaba sendo ainda mais necessária. Se antes os profissionais da música ficavam presos às gravadoras, a chegada dos serviços de streaming acabou facilitando a distribuição das obras. Somado a isso, o maior acesso à tecnologia permitiu que mais artistas pudessem produzir de maneira independente. “Para você ter ideia, quando começamos, em 2013, não tinha nem Spotify no Brasil. Tudo muda muito rápido”, explica. “As dúvidas eram sobre como ganhar dinheiro com música, muito mais básico. Hoje, as discussões são mais aprofundadas. Estamos conectados com todas as outras feiras do mundo”.

A mulher precisa ser mais reconhecida como alguém que entende de música. Historicamente, temos os produtores, críticos, curadores, a grande maioria de homens. Há vários movimentos de meninas para tentar diminuir isso. Mas também precisamos colocar mais mulheres nas áreas técnicas: luz, som, roadie, enfim...

Entre as aberturas observadas no mercado, Fabiana cita o maior espaço para mulheres. “Quando eu comecei, praticamente não havia modelos femininos em quem me inspirar”, ela lembra, falando da época em que era uma “garota de 24 anos” e fez o festival Upload. “Os empresários, líderes da indústria fonográficas, os produtores eram todos homens. Hoje, as meninas têm vários modelos. E quanto mais a gente fala e se coloca como protagonista, mais inspiramos outras meninas a ingressarem na música”. Por isso, desde 2015, Fabiana instaurou uma regra: pelo menos 50% da programação da SIM São Paulo, tanto os shows quanto a área de negócios, é formada por mulheres. “É fazer esse esforço de descobrir e promover essas mulheres incríveis que possam estar ali na frente falando e inspirando”.  

Apesar da importância da SIM São Paulo para a visibilidade feminina, não é de hoje que Fabiana promove o trabalho de mulheres na música. “Desde quando criei minha empresa, eu já era chefe, e sempre tive essa ideia de puxar mulheres para trabalhar comigo. Não sei por que, sempre confiei muito e tive relações de trabalho ótimas com mulheres”. Inclusive, a equipe que organiza a conferência é formada majoritariamente por mulheres. 

Sendo ela mesma uma importante figura para diminuir a desigualdade de gênero no mercado, Fabiana acredita em algumas mudanças importantes que ainda precisam acontecer: “A mulher precisa ser mais reconhecida como alguém que entende de música. Historicamente, temos os produtores, críticos, curadores, a grande maioria de homens. Então, fica essa imagem de que ‘ele entende mais de música do que ela’. Existem vários movimentos de meninas para tentar diminuir isso. Mas também precisamos colocar mais mulheres nas áreas técnicas: luz, som, roadie, enfim. E, se você pega a pirâmide, a parte de cima é 70% de homens, principalmente nas grandes empresas. Esse espaço ainda temos que conquistar”. 

Tags relacionadas:
InspiraçãoFeminismo

Publicidade

Relacionados

Canais Especiais

Ícone do FacebookÍcone do TwitterÍcone do InstagramÍcone do YoutubeÍcone do DeezerÍcone do SpotifyÍcone do Pinterest