'In The Air Tonight' e o nascimento da batida 'perfeita' de Phil Collins nos anos 1980
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'In The Air Tonight' e o nascimento da batida 'perfeita' de Phil Collins nos anos 1980

Identificável à primeira batida da virada de “In The Air Tonight”, de Phil Collins, a pancada forte no tambor, em que o som parece saltar do instrumento foi criada meio que acidentalmente um ano antes. Embora com muitas coincidências com o hit do baterista do Genesis, a faixa pioneira não fez sucesso.

Produtor de ambas, o inglês Hugh Padgham contou ao site Musitech como, durante a gravação de “The Intruder”, em 1980, acabou criando o efeito gated reverb, que se tornaria uma marca registrada da bateria na década que, então, acabara de começar. “The Intruder” abria o terceiro álbum solo de Peter Gabriel, que chamou para a bateria ninguém menos do que seu substituto no Genesis. Era a primeira vez em muito tempo que Phil Collins participava de uma gravação somente como baterista — antes mesmo de assumir os vocais do Genesis, ele já cantava algumas músicas na banda progressiva.

Hugh Padgham recebe prêmio com Peter Gabriel/Reprodução
Hugh Padgham recebe prêmio com Peter Gabriel/Reprodução

Peter Gabriel teve sua parcela de autoria. Chegado a inovações, no estúdio, ele desafiou Phil a tocar sem pratos.

Eu estava montando a bateria e ouvindo um som com Phil quando acidentalmente pressionei o botão do tambor reverso, enquanto ele tocava. Aí, saiu esse som todo-poderoso da caixa

Hugh se lembrava de que trabalhar com uma mesa de som SSL, nos estúdios da Virgin, em Londres, significava que um compressor e um gate (portão de ruído) estavam agora acessíveis em todos os canais. Isso era inédito na época e abria uma infinidade de novas opções de mixagem.

“De repente, tínhamos uma mesa de 40 canais com 40 compressores e 40 gates. A mesa também estava conectada a um microfone, o que significa que você podia ouvir o que estava acontecendo no estúdio ao apertar um botão. Nós também desenvolvemos The Stone Room como um estúdio de som 'vivo', usando pedras do assoalho do Manor Studio, perto de Oxford. Parecia bom, mas um pouco fora de controle. Se você tivesse um kit de bateria lá, ele simplesmente encobriria todo o resto. Ficaria muito alto”, lembra o produtor.

A mesa e a ambiência da sala de estar foram essenciais para o nascimento desta técnica de estúdio inovadora. “Eu estava montando a bateria e ouvindo um som com Phil quando acidentalmente pressionei o botão do tambor reverso, enquanto ele tocava. Aí, saiu esse som todo-poderoso da caixa”, conta Hugh. “O que causou isso foi que o microfone pendurado na sala tinha um compressor muito pesado. A ideia era que, se alguém estivesse falando baixinho, você ainda poderia ouvi-los. Então, veio este som de bateria ultrajante e todos na sala de controle foram: 'Meu Deus, o que é isso?'”, recorda.

Depois de alguns experimentos com o noise gate e o padrão de bateria pedido por Peter a Phil — evitando o uso de pratos —, Hugh e a equipe do estúdio encontraram uma forma de utilizar o novo efeito para causar o maior impacto no ouvinte. “Pedimos a Phil que tocasse um padrão que funcionasse com o fechamento do noise gate. Você pode ajustar o tempo necessário para fechar o gate - você toca um tambor, depois ajusta o fechamento do gate para ser um segundo e meio depois que ele tocar o tambor, e depois fechar rapidamente”.

Não por acaso, um ano depois, Hugh foi chamado para trabalhar no primeiro álbum solo de Phil Collins “Face Value”, com uma coleção de músicas consideradas impróprias para o Genesis, entre elas “In The Air Tonight”. Depois, Hugh Padgham acabaria produzindo também três discos consecutivos do Genesis (“Abacab”, “Genesis” e “Invisible Touch”), entre 1981 e 1986, além de clássicos da década de 80, como “Synchronicity”, do Police.

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