IZA, Emicida, Vanessa da Mata, Hamilton de Holanda... Conheça 15 artistas negros que marcaram a década na música brasileira
Inspiração

IZA, Emicida, Vanessa da Mata, Hamilton de Holanda... Conheça 15 artistas negros que marcaram a década na música brasileira

Em nossa última lista em homenagem à Consciência Negra, comemorada no dia 20 de novembro, resolvemos celebrar os 20 artistas negros mais relevantes para a música brasileira durante os anos 2010, década que se despede em 31 de dezembro — vem que vem, 2020!

Antes dos 15 selecionados, vamos citar dois monumentos da cultura brasileira que também tiveram produção relevante nesta década, superatuais e ativos, mas que são hors-concours: Elza Soares e Gilberto Gil.

Já do número 1 ao 15, selecionamos artistas que, ao longo da década, tiveram um papel importante e lançaram trabalhos consagrados. Muita gente ficou de fora — como Liniker, Linn da Quebrada, Mc Kevin O Chris, Gaby Amarantos, entre tantos outros talentos, alguns que brilharam mais para o fim da década —, mas sintam-se contemplados. Essa homenagem é para todos vocês também.

Elza Soares

A cantora de 82 anos foi considerada, em 1999, a cantora do milênio pela "BBC". Nos anos 2010, lançou três discos arrebatadores com canções inéditas: "A Mulher do Fim do Mundo", de 2015 , "Deus é Mulher", de 2018, e "Planeta Fome", de 2019. Conquistou um novo público entre as gerações mais jovens, renovou-se e ressignificou-se a partir da associação com produtores como Guilherme Kastrup e músicos da cena paulistana. Cada vez mais reconhecida, Elza também inspirou um musical em 2018, com a atriz e cantora baiana Larissa Luz como protagonista.

Gilberto Gil

O cantor baiano de 77 anos passou por problemas de saúde e foi menos produtivo do que em outras fases de sua carreira, marcada por ritmo intenso há mais de meio século. Ainda assim, entregou muito, em quantidade e qualidade, começando pelo documentário-show "Tempo Rei", em 2010. Em 2016, ele se apresentou na abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, ao lado de Caetano Veloso e Anitta. Em 2018, foi tema de samba enreda da escola Vai-Vai, de São Paulo, e nesse mesmo ano, lançou seu mais recente álbum "OK OK OK", cheio de canções íneditas, aclamado pelo público e crítica. Daí em diante, mais shows e projetos que honram sua trajetória. Um privilégio ser contemporâneo de Gil.

1. Mano Brown

Foi uma década de produção, com os Racionais MC's fazendo um retorno em grande estilo em 2014, com o aclamado álbum "Cores & Valores", de recados curtos e certeiros. E foi também uma década de reinvenção, com Mano Brown se lançando como artista solo em temas dançantes e crônicas mais relax e com tom nostálgico: após mais de três décadas de cara fechada no Racionais, lançou seu álbum solo, "Boogie Naipe", em 2016. E segue o baile, inspiradíssimo.

2. Iza

A cantora carioca de 29 anos foi contratatada pela gravadora Warner em 2016 a partir do YouTube e, desde então, não parou mais. É o maior destaque da música pop brasileira da atualidade, ofuscando nomes mais midiáticos com carisma, decisões acertadas e aquilo que mais importa: bom repertório. Em pouco mais de três anos de espaços conquistados, tocou no Rock in Rio, foi convidada para a bancada de jurados do "The Voice Brasil", dublou "O Rei Leão" — a personagem Nala, que nos EUA foi interpretada por Beyoncé — e, no carnaval de 2020, será rainha de bateria da escola de samba Imperatriz Leopoldinense. E toda a pinta de que é só começo.

3. Emicida

A primeira mixtape de Emicida, 34 anos, foi lançada em 2009, "Pra Quem Já Mordeu Um Cachorro Por Comida, Até Que Eu Cheguei Longe". Durante toda a década, ele se manteve como um dos principais expoentes do rap brasileiro, lançou três EPs, quatro álbuns de estúdio — o mais recente é "AmarElo" (lançado em outubro, cujo impacto ainda será sentido ao longo de todo o ano que vem) —, tocou nos principais festivais do país, fez filmes, turnês, escreveu um livro, foi indicado ao Grammy Latino, fez sua gravadora, a Laboratório Fantasma, crescer, e passou a produzir novos artistas de rap.

4. Mahmundi

Marcela Vale, 33 anos, é Mahmundi quando está no palco. A carioca começou sua carreira como técnica de som, trampou no Circo Voador, e, um belo dia, decidiu sair dos bastidores e mostrar que era uma artista enorme. Em 2012, lançou seu primeiro EP, "Efeito das Cores", e mostrou evolução e expansão de horizontes nos dois álbuns e no EP que vieram depois. Depois de comparada com Rita Lee e Marina Lima em certos pontos da carreira, Mahmundi, mantendo um sábio low profile, vai mostrando que é ela mesma.

5. Amaro Freitas

Pianista pernambucano de Recife, Amaro Freitas é um dos principais renovadores do jazz brasileiro neste milênio. Unindo técnica refinada e invenção, a partir das misturas com ritmos como frevo, ciranda e maracatu, ele impôs um caminho de originalidade e não demorou a conquistar plateias em festivais de jazz importantes da Europa. Seu disco de estreia, "Sangue Negro", é de 2016. Em 2018, divulgou o segundo trabalho de estúdio, "Rasif", e segue evoluindo.

6. Ludmilla

Uma das rainhas do funk brasileiro tem apenas 24 anos. Começou a fazer sucesso em 2012, quando ainda era conhecida como MC Beyoncé. Assim como Emicida, é uma artista que desde o começo da década manteve-se relevante e atual. Bissexual, Ludmilla pode ser tomada como porta-voz da diversidade na música brasileira contemporânea. Mas é muito mais que isso, seu talento, sua persona pop e seu carisma prescindem de bandeiras para se impor. Ela chegou para bagunçar e ficar.

7. Black Alien

Gustavo Black Alien, de 47 anos, é um sobrevivente de outras eras, de outras gerações do rap (misturado ao rock), e também de si mesmo. O talento mostrado desde os tempos da dupla com Speed, e de quando fazia parte do Planet Hemp, nos anos 1990, passou por um processo de maturação e segue se expandindo. Em 2015, depois de longo período lutando contra vícios e demônios pessoais, lançou "Babylon By Gus – Vol. II: No Príncipio Era O Verbo", e em 2019, consolidou o renascimento com um admirável terceiro álbum solo. "Abaixo de Zero: Hello Hell", produzido por Papatinho, do coletivo de rap Cone Crew. Que seja o começo de um longo e estável período de produtividade em alto nível.

8. Karol Conka

Curitibana de 32 anos, Karol Conka é cantora, apresentadora do canal "GNT", 100% feminista e outra artista desta lista que explodiu, mesmo, durante os anos 2010.Tem três álbuns no currículo, dois lançados nesta década: "Batuk Freak" (2013) e "Ambulante" (2018).

9. Criolo

Criolo ingressou no rap em 1989, nas batalhas de rima, e em 2004 começou a publicar músicas no finado MySpace. Seu primeiro álbum, "Ainda Há Tempo", foi lançado oficialmente em 2006. Depois disso, chegou a pensar em desistir da carreira, mas, nos anos 2010, se tornou um dos rappers brasileiros mais importantes da história. Ao longo da década, virou darling de alguns segmentos, transcendeu a cena hip-hop, arriscou-se como sambista e fez o que quis, sempre com sucesso.

10. BaianaSystem

Russo Passapusso e seus parceiros de BaianaSystem começaram a tocar juntos em 2009, com o objetivo de encontrar novas possibilidades para a guitarra baiana. Juntaram o instrumento com toques de sound system jamaicano, acrescentaram uma energia inigualável no palco, e deu no que deu. Hoje, o grupo arrasta multidões por todo o país, levando a pressão do carnaval de rua de Salvador para todas as cidades por onde passa.

11. Juçara Marçal

A cantora natural de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, foi um caso de estouro na maturidade. Chegou aos 57 anos com uma carreira revigorada a partir do ingresso no Metá Metá, projeto com Kiko Dinucci e Thiago França, com reflexos em seu riquíssimo trabalho solo e nas muitas incursões colaborativas.

12. Vanessa da Mata

Ao longo de toda a década, a cantora e compositora brilhou e brigou bonito no front dos artistas mais populares do pais. Não é pouco, considerando a qualidade do que entrega, seja definido como MPB, pop, reggae ou qualquer outro rótulo. Ganhou dois discos de platina e um de ouro entre 2010 e 2014 e seguiu criando hits duradouros com a safra inspirada de "Quando Deixamos Nossos Beijos Na Esquina". Aos 43 anos, tem tudo para seguir por mais uma década como destaque singular de sua geração.

13. Xênia França

A cantora e compositora baiana de 33 anos começou a bombar em 2010 mesmo, quando foi convidada por Emicida para tocar no EP "Emicídio". No ano seguinte, foi recrutada para tocar na banda Aláfia, que construiu sólida discografia na década — o que não a impediu de alçar voo solo, com o aclamado álbum "Xenia" , de 2017, trabalhando com inspiração ancestralidade e contemporaneidade. Hoje, com a carreira embaladíssima, ela começa a conquistar terreno internacional.

14. Hamilton de Holanda

Aos 43 anos, Hamilton de Holanda é um dos mais renomados instrumentistas brasileiros vivos. De 2010 a 2019, ele lançou 22 álbuns, não há paralelo em termos de produtividade e de qualidade. É bandolinista, mas flerta com o jazz, não abre mão do samba e do choro, mas entende música como algo sem fronteiras de gênero.

15. Luedji Luna

Natural de Salvador, na Bahia, Luedji Luna, de 32 anos, começou a cantar logo após terminar a faculdade de direito, em 2011. Depois disso, ingressou no Bando Cumatê, mudou-se para São Paulo, e em 2017, lançou seu primeiro disco, "Um Corpo no Mundo". Já foi convidada para tocar no projeto americano "Colors" e é um dos expoentes da música negra brasileira da atualidade.

Relacionados

Canais Especiais

Ícone do FacebookÍcone do TwitterÍcone do InstagramÍcone do YoutubeÍcone do DeezerÍcone do SpotifyÍcone do Pinterest