J Balvin fecha o ano conseguindo a posição global de destaque que Anitta pretende
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J Balvin fecha o ano conseguindo a posição global de destaque que Anitta pretende

J Balvin é o quinto artista mais ouvido no Spotify internacionalmente, com mais de 53 milhões de ouvintes por mês. À sua frente estão Ed Sheeran, Post Malone, Camila Cabello e Khalid. Daddy Yankee, de Porto Rico, ocupa o décimo lugar e, embora seja talvez o rosto mais reconhecido na música latina, graças à popularidade de "Despacito" em 2017, é o cantor colombiano que tem se destacado no cenário internacional.

O colombiano já gravou com Pharrell Williams e Anitta. Crédito: Getty Images
O colombiano já gravou com Pharrell Williams e Anitta. Crédito: Getty Images

O colombiano, que tem como uma dos maiores sucessos "Tranquila", de 2012, furou o domínio do reggaeton de Porto Rico e Panamá e, para além da música latina/hispânica, alcançou paradas em todo o mundo. Por aqui, sua voz e rosto são conhecidos pelos duetos que fez com Anitta "Downtown", em 2017, e "Machika", em 2018, que ajudaram a impulsionar a carreira internacional da brasileira.

Aliás, Anitta não esconde a gratidão que tem pelo cantor: “No Brasil, eu sou enorme, mas aqui eu sou como ninguém ... e vocês estão fazendo algo por mim que ninguém mais fez”, disse em sua série "Vai, Anitta", que estreou ano passado na Netflix.

Não é preciso precisa estar perto da Colômbia para ouvir a música de Balvin. Além de proporcionar diversão e atender aos esperdos clichês de sensualidade contagiante, sua música se vale de uma estratégica rede de colaborações com artistas internacionais para maximizar o alcance em diferentes mercados. "Safari", single de 2016 com Pharrell Williams, afirmou a projeção internacional; em 2017, colaborou com a artista francesa Willy Williams para "Mi Gente", gerando 2,5 bilhões de visualizações no YouTube.

Ele é quase sempre o destaque nas colaborações que faz, cantando exclusivamente em espanhol — assim como outros artistas latinos populares como Daddy Yankee e Bad Bunny (mesmo que todos falem inglês fluentemente). Em 2018, J Balvin teve seu primeiro single número 1 na Billboard Hot 100 dos EUA em "I Like It", de Cardi B, ao lado do porto-riquenho Bad Bunny.

Conforme aponta o jornal inglês "Guardian", Balvin é a figura de maior sucesso dentro da democratização da música por meio de plataformas de streaming e mídias sociais. Sem abrir mão de sua língua materna, trouxe uma identidade única a um público jovem, curioso e global. Assim como o rapper francês MHD, o DJ francês-marroquino Petit Biscuit e as gêmeas franco-cubanos Ibeyi, são artistas que trabalham predominantemente em seu próprio idioma e, no entanto, são recebidos calorosamente por todo o mundo.

O tipo de música de Balvin, enraizada em um lugar, mas dispersa em todo o mundo, pode ajudar a criar conexões entre comunidades em um momento em que as gerações mais jovens estão mais misturadas do que nunca. Mais de 18% dos americanos (cerca de 40 milhões) se identificam como hispânicos ou latinos, o segundo maior grupo étnico ou racial do país. Da mesma forma, afro-americanos e uma diáspora negra global desempenham um papel importante na ascensão global de artistas africanos. Quando o cantor nigeriano Burna Boy ganhou um prêmio BET este ano, sua mãe viralizou no Twitter ao dizer: "Toda pessoa negra deve lembrar que você era africano antes de qualquer outra coisa".

Artistas como J Balvin são representativos de uma geração multilíngue, globalmente dispersa, mas interconectada, e usam todas as ferramentas à sua disposição para apelar a identidades próximas. No ano passado, Balvin encabeçou um evento no Estádio Atanasio Girardot diante de 40 mil pessoas. Atualmente o maior produto de exportação cultural da Colômbia, ele foi recebido em casa por fãs agitando bandeiras nacionais e cantando todas as suas músicas. Depois, ele publicou no Instagram: “Sou um profeta em minha terra… eu te amo, Medellín".

À medida que o mundo se sente cada vez menos tolerante, J Balvin e artistas como ele são um modelo para expressar orgulho nacional inclusivo e positivo, e fazer com que esse orgulho ressoe além das fronteiras. Mas isso não impede que sua música continue funcionando muito bem para simplesmente dançar e se divertir.

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