J-Lo, Paul McCartney, OneRepublic... Por que os astros pop estão dando o telefone para os fãs?
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J-Lo, Paul McCartney, OneRepublic... Por que os astros pop estão dando o telefone para os fãs?

Em agosto, a banda americana OneRepublic realizou um show em Denver, no Colorado, com a Colorado Symphony. Na ocasião, divulgou nos telões de projeção um número de telefone. Cerca de 2 mil fãs tentaram enviar mensagens para o contato, e receberam uma mensagem: "Hey, aqui é o OneRepublic. Isso é um texto automático para dizer que recebemos sua mensagem. A partir de agora, vocês vão falar conosco. Cliquem no link e adicionem o número de vocês nos nossos contatos, pois assim poderemos respondê-los pessoalmente."

Parece mágico poder falar pessoalmente com seu ídolo, mas, na verdade, esta estratégia também é uma forma de reunir dados pessoais dos fãs e maximizar os lucros com vendas de shows, merchandising e outras maneiras de capitalizar o "produto" de cada artista.

"Conseguimos capturar 20% do nosso público em Denver naquele show, e a resposta foi imediata nas redes sociais, onde nosso engajamento alcançou ótimos números no Twitter e no Instagram", disse Ryan Tedder, vocalista do OneRepublic, à "Billboard". "Penso que ninguém deve ter as informações de seus fãs, a não ser você mesmo. Essa é uma resposta a redes como o Facebook, que detém dados de nossos seguidores, e para podermos acessá-las, precisamos pagar muito caro. E isso é ridículo."

A estratégia lançada pelo OneRepublic não é, necessariamente, uma novidade, visto que outros 300 músicos já a adotaram, como Paul McCartney, o DJ Marshmello e Jennifer Lopez. Quem está por trás dessa "revolução de dados" é ninguém menos que Guy Oseary, empresário de Madonna, e dono da start-up Community. Ele acredita que, com seu novo empreendimento, poderá ajudar artistas a extrair informações sobre a identidade de seus fãs, por onde andam, suas preferências nas redes sociais e plataformas de streaming.

A nova plataforma de Guy Oseary ganha força à medida que reguladores do mercado americano investigam o truste — fusão de diversas empresas com o intuito de formar um monopólio — em grandes empresas de tecnologia. O Departamento de Justiça dos EUA declarou, em recente conferência, que a prática de armazenar dados de consumidores pode ameaçar a concorrência de mercado e a privacidade, o que pode se tornar um fator de risco.

O co-fundador da Community, e CEO da empresa, Matthew Peltier, disse que não adianta ter milhões de seguidores, se você não sabe quem é essa audiência. "As pessoas começaram a acordar para o fato de que você pode investir muito tempo, energia e recursos nas mídias sociais, mas não há necessariamente um relacionamento direto com esse público", avaliou.

Ainda que a estratégia do Community e de outras empresas que fazem o mesmo, como a SuperPhone, seja boa, há alguns obstáculos a serem superados. Como o serviço só funciona nos EUA, alguns artistas estão relutantes em usá-lo, pois podem frustrar fãs de outras localidades. Também é difícil migrar os artistas para fora do Instagram e outras redes, já que lá eles já têm bons números consolidados, o que garante parcerias com muitas marcas.

Agora, o fator negativo mais preocupante de todos é que este tipo de serviço se pareça com um episódio de "Black Mirror" — aquele com a Miley Cyrus. Afinal, como aproximar artistas de fãs sem que isso pareça "falso", ou que a voz de um artista fique parecida com de um "robô"? Estes são apenas alguns dos desafios que a indústria terá de ultrapassar para quebrar o monopólio das redes sociais — o Facebook, por exemplo, detém o Instagram e o Whatsapp.

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