Jackson do Pandeiro, o 'Rei do Ritmo', vinha ao mundo há 100 anos para quebrar tudo
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Jackson do Pandeiro, o 'Rei do Ritmo', vinha ao mundo há 100 anos para quebrar tudo

Se estivesse vivo, Jackson do Pandeiro (1919-1982), considerado o Rei do Ritmo e o Homem Orquestra, completaria 100 anos neste sábado (31). Nascido José Gomes Filho, em Alagoa Grande, no estado da Paraíba, o músico nordestino já usou outros nomes artísticos: Zé, Jack, José Jackson e Zé Jack, todos escolhidos por conta do fascínio pelos longas de faroeste, cujo ídolo maior era o ator de bangue-bangue Jack Perrin (1896-1967).

Em homenagem ao seu centenário, o pesquisador Rodrigo Faour está preparando a reedição de discos do artistas lançados pelas gravadoras Columbia e CBS. Em 2016, Rodrigo organizou uma box intitulado "O Rei do Ritmo", que reunia 235 faixas de Jackson.

Além da reedição dos álbuns, há um documentário em vista, ainda sem data de estreia. Foi batizado de "Jackson: Batida do Pandeiro", de Marcus Vilar e Cacá Teixeira, com entrevistas da mulher do músico, Almira Castilho, e com Geraldo Correa, amigo de infância do pandeirista.

A adoração de Jackson pela música teve influência da mãe e cantora, Flora Mourão, que o levava para rodas de coco. Quando criança, ele vivia em casas de taipa, em torno de um engenho do brejo paraibano. "Jackson tinha tudo contra si. Um cara que foi alfabetizado aos 35 anos, negro, pobre, em tese não teria condições de chegar aonde chegou", disse Fernando Moura, coautor da biografia "Jackson do Pandeiro: O Rei do Ritmo", junto de Antônio Vicente, ao jornal "O Globo".

"Enquanto Luiz Gonzaga popularizou o baião, o xote e o xaxado, Jackson projetou o coco, o samba nordestino, com divisão rítmica vertiginosa e letras de métricas afiadas”, afirmou o crítico musical Tárik de Souza à "Folha de São Paulo".

Seu álbum de estreia, um 78 rotações lançado em 1955, trazia o coco "Sebastiana" e o rojão "Forró em Limoeiro". Não fez muito barulho, vendendo "apenas" 50 mil cópias. Quatro anos depois, ele lançou seu maior sucesso, "Chiclete com Banana" que, na época da divulgação, nem fez tanto sucesso assim.

Celebrado por Gilberto Gil, que considera Jackson um de seus "amores", o músico foi "revivido" durante o movimento da Tropicália, que aconteceu no fim dos anos 1960, quando o Brasil vivia a ditadura militar. "Jackson do Pandeiro é um dos maiores amores que eu tenho. Que tive, tenho e terei sempre", declarou Gil à "Folha de São Paulo". “Um artista com a verve nordestina típica da cultura que nasceu do entrelaçamento entre a vida rural e algumas cidades de porte médio, como Campina Grande, que começaram a se desenvolver a partir das décadas de 1930 e 1940."

Jackson também influenciou a geração posterior reverenciado por talentos como Alceu Valença, Elba e Zé Ramalho, Lenine e Lula Queiroga, além da geração mangue beat de Nação Zumbi e Chico Science, Otto, Mundo Livre S.A., e depois Cascabulho e Silvério Pessoa.

Jackson do Pandeiro/Reprodução
Jackson do Pandeiro/Reprodução

É impressionante: em seus 62 anos de vida, Jackson lançou 140 discos — e tocou de tudo: ganzá, reco-reco, zabumba, tamborim, gaita, sanfona, piano, bateria... E, ainda que seu nome seja associado constantemente ao forró, o ritmo que mais gravou foi o samba. No total, foram 117 músicas desse gênero, além de rojão (72), baião (42) e marcha (40), de acordo com uma pesquisa levantada por Sandrinho Dupan, assistente de curadoria musical do Museu de Arte Popular Paraibana (MAPP), em Campina Grande.

Segundo "O Globo", desde junho o MAPP, também conhecido como Museu dos 3 Pandeiros, abriga a exposição "Jackson é 100, Jackson é Pop", que traz a história do músico com fotografias, objetos pessoais, instrumentos, como o pandeiro original, e letras inéditas. Perto da instituição, fica a Universidade Estadual da Paraíba, onde estão guardadas raridades, como a letra de "Marco Emocional", registrada à mão por Jackson.

Na biografia "Jackson do Pandeiro: O Rei do Ritmo", o maestro Moacir Santos, que foi saxofonista da jazz band da Rádio Tabajara, em Campina Grande e que apresentou-se ao lado do músico paraibano, refere-se a ele como "muito mais do que um ritmista".

"Ele tinha uma capacidade expansiva, transformando o pensamento musical dele em ritmo. Alguns choros que eu fazia nessa época ele decorava e me passava todos os detalhes, cantando. Depois saía ensinando a melodia aos acordeonistas”, diz Moacir na obra. De fato, um grande artista a ser celebrado, principalmente no seu centenário. Viva Jackson do Pandeiro!

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