James Taylor no Rock In Rio 1985: mais que um sonho, um renascimento — que ele conta, aos 71 anos, em audiolivro
Rock in Rio 35 anos

James Taylor no Rock In Rio 1985: mais que um sonho, um renascimento — que ele conta, aos 71 anos, em audiolivro

Todos os artistas escalados na primeira edição do Rock in Rio, em 1985, tiveram, de alguma forma, reflexos daquelas apresentações em suas carreiras. Mas no caso de James Taylor, o que veio a seguir foi uma completa reviravolta. O norte-americano chegou a recusar o convite, pois enfrentava, na época, problemas com o vício em heroína e uma dolorosa separação da cantora Carly Simon, com quem era casado desde 1972.

O cantor e compositor aceitou o convite do empresário Roberto Medina, mas estava inclinado, realmente, a abandonar a carreira depois das apresentações no Rio. Mas diante daquela multidão de 250 mil pessoas e a recepção carinhosa que teve, com um coro uníssono no hino "You've Got a Friend", fez Taylor mudar de ideia. História, certamente, que será uma das principais no livro de memórias em áudio intitulado "Break Shot" que ele lança ainda neste primeiro semestre via Audible.

É interessante situar que o artista tinha uma grande repercussão no Brasil. Músicas como "You've Got a Friend", "Fire and Rain", "How Sweet It Is (To Be Loved by You)", "Her Town Too” e "Handy Man" cuparam permanentemente as rádios AM e FM desde os anos 1970. Logo, era um público ávido para ver seu ídolo pela primeira vez. E ele ficou tão encantado com os brasileiros que fez até uma balada em homenagem: "Only A Dream In Rio", com versos como "Eu estava lá naquele dia e meu coração voltou à vida".

No ano seguinte, ele voltou ao Brasil para shows em São Paulo e Curitiba. O sucesso no festival também resultou no lançamento do LP e VHS “James Taylor – Live In Rio”, com faixas como “Long Ago And Far Away”, “Caroline In My Mind”, “Walking Man” e “Mexico”. Taylor participou novamente do Rock In Rio, na edição de 1991 e 2001, e em 2017 fez shows ao lado de Elton John em Curitiba, Rio, São Paulo e Porto Alegre.

James Taylor com Sting nos bastidores do Rock in Rio de 1991. Foto: Getty Images
James Taylor com Sting nos bastidores do Rock in Rio de 1991. Foto: Getty Images

Filho de um médico e de uma professora de música e cantora lírica, Taylor nasceu em Boston e viveu a infância na Carolina do Norte onde se iniciou na música, primeiro no violoncelo, depois dedicando-se ao violão. Em 1963, conheceu Kootch Kortchmar, com quem formou uma dupla country. Já em Nova Iorque em 1966 formou o conjunto The Flying Machine com dois amigos, que resultou em um compacto sem repercussão alguma.

Dois anos depois Taylor se mudou para Londres, onde deu uma demo a Peter Asher, do grupo Peter & Gordon. O material chegou às mãos de Paul McCartney que não só gostou da música,como produziu seu álbum de estreia, "James Taylor". Ele foi o primeiro artista americano a assinar um contrato com a Apple Records, a gravadora dos Beatles.

Com 19 álbuns de estúdio, sem contar os ao vivo e as coletâneas, Taylor tem um incontável e participações em trabalhos de outros artistas — Carole King, Joni Mitchell, Neil Young, Sting, Paul Simon e Milton Nascimento são alguns dos parceiros que colecionou ao longo da carreira. O artista ganhou seis Grammys e outros reconhecimentos importantes, como a entrada para o Rock and Roll Hall of Fame em 2000 e o Kennedy Center Honors em 2016.

Seu último álbum, "Before This World”, de 2015, chegou ao primeiro lugar nos Estados Unidos, um feito inédito para Taylor em quase meia década de carreira. Onze de seus álbuns estiveram entre os dez primeiros, mas nenhum alcançou o primeiro lugar.

O músico lançará um livro de memórias em áudio intitulado "Break Shot", que vai sair pela plataforma Audible, de audiobooks e podcasts, ainda no primeiro semestre de 2020. A proposta é recontar sua história de vida e carreira musical, começando com sua educação em na Carolina do Norte, quando ele e seus quatro irmãos começaram a aprender música.

Os ouvintes vão conhecer detalhes sobre sua traumática adolescência, quando se internou em um hospital psiquiátrico em 1965 para tratar a depressão, mas também as histórias de encontros felizes, como o que o associou a Paul McCartney na época do primeiro disco, e a fama nos anos 1970 com o sucesso do segundo álbum, "Sweet Baby James".

James Taylor nos anos 1970, época em que ficou famoso com o segundo álbum, "Sweet. Foto: Getty Images Baby James"
James Taylor nos anos 1970, época em que ficou famoso com o segundo álbum, "Sweet. Foto: Getty Images Baby James"

As memórias serão gravadas no TheBarn, o estúdio que Taylor tem em sua casa em Massachusetts. As entrevistas serão conduzidas pelo jornalista Bill Flanagan. "Conheço Bill e admiro sua escrita. Fiquei feliz e aliviado por ele ter concordado em me ajudar a reunir meus pensamentos para editar esta autobiografia que vai contar desde o início e toda a estrada que percorri desde então", disse Taylor em comunicado.

Paralelamente à autobiografia, Taylor mantém uma agenda de shows bem agitada. Em dezembro, ele se apresentou no 30° Rainforest Benefit Concert, evento organizado por Sting. Para os meses de abril e maio, se prepara para uma série de 12 shows ao lado de sua banda All-Star no Canadá, onde a cantora Bonnie Raitt é a convidada principal - um encontro que celebra a longa amizada dos dois artistas e que já percorreu algumas cidades americanas. Em junho, Taylor faz um show ao lado de Brandi Carlile e Shawn Colvin em Boston.

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