Jerry Lee Lewis grava novo disco após derrame, com 'milagre' no estúdio
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Jerry Lee Lewis grava novo disco após derrame, com 'milagre' no estúdio

Uma pessoa que já ultrapassou os 80 anos de idade, ainda ativa em sua profissão, sofre um derrame. O que costuma acontecer depois é uma tendência à depressão. Mas há casos diferentes. Com o outrora "selvagem" Jerry Lee Lewis, um dos últimos pioneiros do rock'n'roll vivos, apelidado The Killer, tinha de ser assim. Ele teve um AVC em fevereiro de 2019, em sua casa, em Nesbit, no Tennessee, EUA.

"Pensei que nunca mais tocaria", disse Jerry à "Rolling Stone". A família e amigos próximos temiam que ele não sobrevivesse, mas Jerry estava preocupado com outra coisa: se seria capaz de tocar piano novamente. A lenda do rock, que até um mês antes estava rodando pela Flórida fazendo shows, achou que seus dias de pianista haviam se encerrado.

Jerry Lee Lewis no show que fez em 27 de janeiro de 2019 na Florida. Foto: Getty Images
Jerry Lee Lewis no show que fez em 27 de janeiro de 2019 na Florida. Foto: Getty Images

"Nunca passei por nada parecido. Foi desafiador e foi uma experiência muito emocional. Eu acordei no hospital sem saber o que estava acontecendo. E eu apenas orei, tentando voltar ao caminho certo", conta Jerry, sobre o derrame.

Poucos dias depois, o cantor recebia alta do hospital e era transferido para um centro de reabilitação em Memphis, no Tennessee, onde ficou três meses lutando para reaprender a andar e a usar a mão. Na época, seu assessor disse que o neurologista tinha dado um prognóstico promissor: "Jerry Lee deve se recuperar totalmente com um tratamento intensivo".

O médico estava certo, mesmo sem ideia do que iria acontecer, Jerry reservou uma sessão de gravação — a primeira em mais de cinco anos — para ver se ainda conseguia fazer música.

Quando entrou no estúdio em Nashville no final do mês passado, ele estava há quase um ano sem tocar. Mas a energia de quem lançou clássicos como “Great Balls of Fire”, “High School Confidential”, "Whole Lotta Shakin' Goin' On" e “Breathless” falou mais alto. Mesmo dizendo à sua equipe e ao produtor T-Bone Burnett que ele não queria um piano, pois a mão direita não estava respondendo e ele só queria cantar, eles mantiveram um por perto. Quando Jerry se sentou no banquinho, ele instintivamente colocou a mão direita sobre as teclas. Para sua própria surpresa, seus dedos começaram a se mover.

"Eu não podia acreditar, não podia acreditar. Lá estava eu tocando piano com a mão direita novamente", diz Lewis agora, refletindo sobre aquele momento. "Para começar, fiquei chocado por estarmos lá. Ele passou rapidamente de 'eu não consigo tocar piano', para sentar e tocar. Toda a família dele ficou surpresa. Esse é o poder do amor, sabia?", reforça Burnett.

A volta ao estúdio tinha a intenção de por em prática um álbum há muito planejado de clássicos gospel. Coisas que Jerry ouvia na infância em Ferriday, na Louisiana, muito antes de ajudar no nascimento do rock & roll e se tornar conhecido como The Killer.

Com Judith Brown — sua sétima mulher, com quem está desde 2012 — sempre ao seu lado, Jerry passou dois dias gravando com uma banda que incluía os guitarristas também octogenários Kenny Lovelace (que toca com Lewis desde 1966) e James Burton, escudeiro fiel de Elvis Presley e líder de sua TCB Band, além das McCrary Sisters (respeitadíssimas na cena gospel de Nashville) nos backing vocals. Embora sua voz falhasse em alguns momentos, houve lampejos de sua antiga potência, e seu piano permaneceu solto e confiante.

Jerry está confiante na retomada das atividades. "Na realidade, sua saúde está melhor agora do que nos últimos cinco ou seis anos", afirma Judith. Ele não usa mais oxigênio adicional, como precisou durante três anos, e não toma nenhum medicamento para dor, apenas Advil ou o Tylenol ocasionalmente. O estresse das gravações do fim de semana em Nashville causou apenas uma dor de cabeça forte no Killer. Como explica Judith: "Suas emoções são 100 vezes maior do que a média das pessoas. Porque ele é um gênio".

Diante do bom resultado dentro do estúdio, Jerry já pensa no próximo passo. Ele quer entrar para o Country Music Hall of Fame, que geralmente anuncia seus indicados em março. Começando pelo álbum de 1969, "Another Place, Another Time", ele obteve quase 20 hits no Top 10 americano, incluindo “What Made Milwaukee Famous (Has Made a Loser Out of Me)”. Quatro sucessos alcançaram o número um e ele ficou no topo dos 100 maiores cantores de country de todos os tempos da "Rolling Stone". "Não sei por que ainda não fui incluído. Você não poderia ser mais country que eu", reclama.

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