Jimmy Page, do Led Zeppelin, relembra seus inspiradores e herois em um mundo pré-Beatles e Stones
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Jimmy Page, do Led Zeppelin, relembra seus inspiradores e herois em um mundo pré-Beatles e Stones

Em uma longa entrevista à "Rock Cellar", o lendário guitarrista do Led Zeppelin contou sobre seu início na carreira musical e sobre todas as suas influências. A conversa foi na Custom Shop da Fender, na Califórnia, onde Jimmy Page estava dando os retoques finais na linha de guitarras sob medida inspiradas na Fender Telecaster que o amigo de infância e companheiro de profissão Jeff Beck deu a ele de presente e também nos modelos baseados nas suas Mirror e Dragon, que ele tocou durante sua carreira.

Elvis Presley (1935-1977), Buddy Holly (1936-1959), Lonnie Donegan (1931-2002) e outros foram suas inspirações antes de encontrar seu caminho como um dos músicos mais conceituados de Londres, bem antes dos Beatles e dos Rolling Stones. "Elvis Presley, Bill Black(baixista, 1926-1975) e Scotty Moore (guitarrista, 1931-2016), esse tipo de núcleo do rock n roll é algo que parecia seminal. E os discos de Ricky Nelson (1940-1985) com James Burton (guitarrista, hoje com 80 anos) tocando também. Tudo isso era absolutamente fenomenal de se ouvir", cita seus ídolos.

Mas o início musical de Page vem de bem antes, ainda criança, quando a família mudou para uma área chamada Epsom. "Quando mudamos para aquela nova casa, havia um violão que tinha sido deixado para trás. Um dia eu fui para a escola e havia um garoto tocando músicas de Lonnie Donegan em um violão, que era muito parecido com o que eu tinha em casa. Então começamos a conversar e eu disse: 'Bem, eu tenho um desses em casa'. E ele disse: 'Traga e eu mostrarei como afiná-lo'. Então eu o levei no dia seguinte e ele me mostrou alguns acordes. Acho que fui para casa e toquei o tempo todo, como um tipo de mantra", conta, rindo.

O pai concordou que ele tocasse violão sob a condição que prosseguisse nos estudos. E me comprou a primeira guitarra, dizendo: "Bem, eu meio que entendo que você quer continuar com isso, mas terá que pagar por suas próprias guitarras a partir de agora".

Page conta que não havia muitos guitarristas na área naquela época, mas havia uma faculdade de arte. "Para encurtar a história, a irmã de Jeff Beck, que era aluna da faculdade, estava conversando com um colecionador de discos de rock quando comentou que o irmão era estranho: 'Ele está tentando aprender guitarra ouvindo discos com um violão caseiro'. E ele disse: 'Bem, temos um desses em Epsom e talvez devêssemos reunir esses dois'”, lembra. Pouco tempo depois, os irmãos Beck bateram à sua porta e a afinidade foi imediata.

Jeff Beck e Jimmy Page na cerimônia do The Ivor Novello Awards em 2014. Foto: Getty Images
Jeff Beck e Jimmy Page na cerimônia do The Ivor Novello Awards em 2014. Foto: Getty Images

A primeira vez que Page viu uma guitarra elétrica foi na capa de um álbum de Buddy Holly. "Todo o design era vanguardista, eu nunca tinha visto nada parecido com isso. Portanto, foi absolutamente fenomenal ver uma Stratocaster pela primeira vez, ainda mais daquele jeito, como se ele a ninasse. Mas você sabia que ele estava tocando coisas como “That’ll Be The Day” e “Peggy Sue". Claro que tinha outros como o disco de Gene Vincent And His Blue Caps, em que todos tinham Strats coloridas e um baixo elétrico. Nem sabíamos que eles faziam baixos!", cita.

Ele lembra que o primeiro instrumento que viu "ao vivo" foi a Stratocaster que foi comprada por Bobby Taylor. "Ele era um guitarrista incrível, brilhante e eu prestei muita atenção nele quando era jovem. Eu o assistia a cada duas semanas quando tocava em Epsom, para que eu pudesse ver seus truques. Em 1961 fizemos um disco de 12 faixas com Chris Farlowe e The Thunderbirds muito interessante, mostrando que as bandas do sul tinham muita qualidade. Então, houve uma cena musical séria antes dos Beatles entrarem em cena", destaca Page que, na época da produção do disco, tinha apenas 17 anos.

Na época em que saiu da escola, assumidamente para se tornar músico, Page entrou para uma banda e conta que, naquela época, as que tentavam enviar demos para as gravadoras geralmente não se davam muito bem. "A gravadora ouvia e, se o cantor fosse bom, eles tiravam o cantor da banda e depois gravavam com músicos de estúdio. E acho que o plano era então deixar a banda rodar para promover o disco que eles fizeram. É claro que as bandas nunca se sentiram muito felizes por terem que promover singles, porque eram sempre ruins. Então eu estava nessa banda, que tinha um repertório baseado no catálogo da Chess — muito antes dos Rolling Stones fazerem isso", explica.

Na verdade, Page já havia participado de gravações assim antes de entrar na faculdade de arte. "Então, curiosamente, eu comecei a ser requisitado para tocar nessas sessões e foi uma época muito, muito interessante, porque eu participava de gravações com caras que eram mais velhos do que eu. Eles me davam minha lista de acordes para ler mas acabavam dizendo: 'Bem, toque o que você quiser'", conta.

Então, é como se houvesse um tipo de retorno cármico por Page não ter tocado nas sessões, lá atrás, naquela primeira banda em que estava. "Foi realmente fascinante, porque eu fui convocado para grupos e sabia exatamente onde estava o ponto de referência deles. Então, se eles tivessem uma música que fosse uma espécie de R&B, ou algo de blues ou qualquer outra coisa, eu notaria. Se alguém dissesse: 'Você sabe fazer um riff para isso?', eu faria algo naquele estilo, sem problemas. Então, funcionou muito bem e gostei bastante porque todo o tempo tínhamos que inventar alguma coisa", diz.

O trabalho no estúdio começou a entrar em conflito com a faculdade e foi então que Page tomou a decisão mais acertada de sua vida. "Eu estava gravando das dez da manhã às dez da noite, cinco a seis dias por semana. Eu até tentei conciliar com a faculdade, mas percebi que era melhor como músico melhor do que artista gráfico, por assim dizer", afirma.

Ao olhar para trás, Page reconhece que talvez não tivesse seguido carreira sem essa experiência inicial. "Meu Deus, era um mundo tão disciplinado. E se eu não tivesse realmente gostado e participado de todas as sessões naqueles estágios iniciais, eu provavelmente não teria sido visto novamente. Mas obviamente devo ter feito um bom trabalho", conta, rindo

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