Joe Exotic: figuraça de 'A Máfia dos Tigres' não canta nem compõe, mas faz sucesso no Spotify e na Netflix
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Joe Exotic: figuraça de 'A Máfia dos Tigres' não canta nem compõe, mas faz sucesso no Spotify e na Netflix

Desde que o programa "A Máfia dos Tigres" foi ao ar na Netflix, o número de execuções da música “I Saw A Tiger”, de Joe Exotic, aumentou no Spotify. O hit entrou para a plataforma no final de março atendendo uma demanda dos fãs. Assim como tudo o que envolve esse excêntrico personagem, sua carreira musical também é envolta a histórias absurdas. Embora Joe apareça cantando nos videoclipes e se auto-intitule compositor, ele não escreveu nenhuma dessas músicas e muito menos é sua a voz nos vídeos e discos.

"A Máfia dos Tigres" é uma série documental que acompanha a vida de Joe Exotic, nome artístico de Joseph Maldonado-Passage, um excêntrico criador de felinos dos Estados Unidos. O sucesso é tanto que ultrapassou a audiência da segunda temporada de "Stranger Things", chegando aos 34 milhões de views. Parece que as opções "normais" de programação da plataforma já foram esgotadas nessa quarentena.

São tantas as situações controversas — começando, claro, com maus-tratos aos animais — que às vezes fica em segundo plano o fato de Joe ter sido condenado a 22 anos de prisão por mandar matar Carole Baskin, fundadora de uma ONG que (também com certa controvérsia) resgata grandes felinos. Ele está preso desde 2018, se diz inocente e exige uma reparação de US$ 94 milhões do governo dos Estados Unidos pela condenação. O presidente Donald Trump, na semana passada, disse que iria "dar uma olhada" no pedido de perdão da figura.

O ator Rob Lowe disse recentemente em sua conta no instagram que quer fazer uma série ao lado de Ryan Murphy inspirada nessa e em muitas outras histórias inacreditáveis de Joe. Um delas certamente será a tentativa de Joe em se tornar um cantor country.

Embora Joe apareça cantando nos inúmeros vídeos em seu canal no YouTube, JoeExoticTV, e diga que são composições próprias, ele nem escreveu nem cantou nada. Em vez disso, contratou dois músicos chamados Vince Johnson e Danny Clinton. Quem aí lembra do caso Milli Vanilli? Pois é bem parecido.

A dupla chegou a Joe por meio de um anúncio que procurava alguém para escrever uma música-tema para seu zoológico particular, bem como para o programa de TV em andamento. Daí para ele assumir o crédito total das músicas não demorou muito — embora algumas pareçam apresentar seus vocais misturados às gravações de Vince e Danny.

O processo, segundo Vince, começava com Joe definindo os temas para as músicas e pedindo a ele que fizesse uma pesquisa, que nem sempre era de seu agrado. "Em 'You Can’t Believe', ele me contou sobre seu amigo Terry e como queria uma música compreensiva, então eu lhe dei uma. Mas quanto à ideia de que o governo o matou, de jeito nenhum. Eu acho que ele era um maluco. Aqueles felinos que ele soltou poderiam ter matado alguém", diz Vince ao "Slate", referindo-se a Terry Thompson, que soltou sua coleção de animais exóticos, incluindo três dúzias de leões e tigres, antes de se matar. No "tributo" musical, Joe alega que o amigo foi assassinado por forças do governo que querem destruir zoos particulares.

No canal no YouTube é possível assistir a pérolas como “Here Kitty Kitty”, em que uma atriz que interpreta sua possível vítima, Carole Baskin, alimenta tigres com restos humanos. Há também covers como de “Say Something”, sucesso de 2013 da dupla A Great Big World com Christina Aguilera, que intercala imagens de Joe cantando num estúdio e chorando enquanto faz o funeral de um chimpanzé.

Em 'This is My Life', o pretenso cantor faz serenata para um jacaré em um momento melancólico à beira do lago, enquanto "The Sun Says" é estrelado por seus próprios pais. Já 'Why You Love Me' é filmado na estrada — embora, nesse caso, seja dentro de sua propriedade, o Greater Wynnewood Exotic Animal Park.

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