Joe Henry, o cunhado supertalentoso de Madonna, supera câncer e lança canções que buscam 'humanidade' na música
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Joe Henry, o cunhado supertalentoso de Madonna, supera câncer e lança canções que buscam 'humanidade' na música

O músico e compositor americano Joe Henry, de 58 anos, superou todas as expectativas a respeito de um câncer de próstata diagnosticado em 2018. Os médicos davam a ele, no máximo, entre três e sete meses de vida, já que a doença estava no estágio 4 e havia se espalhado para seus ossos. Mas, para a surpresa de todos, o artista está praticamente recuperado, com o câncer em fase de remissão — quando não está mais ativo —, e feliz da vida, fazendo música nova e lançando-as no disco "The Gospel According to Water", divulgado em 15 de novembro.

Em entrevista exclusiva ao "New York Times", Joe falou sobre a doença e sobre seu novo álbum, um trabalho que tem como foco especial "encontrar mais humanidade na música".

Conceituado como um dos compositores mais brilhantes de sua geração, Joe tem como fãs os músicos John Prince, Bonnie Raitt, Jackson Browne, Elvis Costello, Rosanne Cash e Lucinda Williams. Caso tivesse nascido uma ou duas décadas antes dos anos 1960, ele seria reverenciado junto a outros letristas, como Bob Dylan, Leonard Cohen, Tom Waits, Robbie Robertson e Randy Newman — que, aliás, são suas inspirações junto de John Cage, Buckminster Fuller, Gabriel García Márquez, William Carlos Williams, Flannery O’Connor e Wallace Stevens.

Para além do trabalho de compositor, Joe também atua como produtor. Já ganhou Grammys por colaborar em álbuns de Solomon Burke, Ramblin’ Jack Elliott e os Carolina Chocolate Drops. Mas seu grande feito reconhecido pelo mainstream é a faixa "Don't Tell Me", de Madonna, que é sua cunhada.

Nascido em 1960, em Charlotte, na Carolina do Norte, Joe vivia se mudando junto de sua família. Ele já morou na Georgia, em Ohio e até no Michigan, onde conheceu sua mulher, Melanie Ciccone, no colégio. "Todos os anos eu era o garoto novo da escola", lembrou ele. "Reagia me escondendo no meu quarto e ficava em frente ao toca-discos. Desde muito jovem, entendia que a música era minha linguagem favorita."

Aprendeu, por conta própria, a tocar violão e piano. Era fissurado por blues, folk, músicas de Johnny Cash e Frank Sinatra, que o influenciaram a começar a escrever poemas e a musicá-los. Conseguiu seu primeiro contrato com uma gravadora em meados dos anos 1980, e criou seu primeiro álbum enquanto vivia em Nova York. Mas, apenas quando se mudou para Los Angeles, passou a desenvolver mais seu lado musical.

Ao "NYT", Joe disse que não se sentia confortável com a classificação de "cantor e compositor". "Rejeitava totalmente esses termos", revelou. "Os associava a um certo grupo de cantores e compositores dos anos 1970 que eram extremamente sinceros. Eles escreviam como se estivessem em seus diários, e quanto mais dolorosa, melhor seria a música. Eu rejeito isso completamente. Estou tentando esconder os fatos dolorosos. Eles não podem consumir minha música."

O rótulo "singer songwriter" (cantor e compositor) não era a única coisa que irritava Joe. Ele, da mesma forma, rechaça o marketing em torno de sua arte. "Eu não consigo aceitar isso", disse. "Na verdade, minhas músicas são feitas para que eu desapareça, e que elas brilhem por si próprias."

Joe Henry durante uma performance no Grammy Museum em agosto de 2014, em Los Angeles, na Califórnia/Getty Images
Joe Henry durante uma performance no Grammy Museum em agosto de 2014, em Los Angeles, na Califórnia/Getty Images

Quando recebeu o diagnóstico de câncer, seu primeiro instinto foi escrever sobre essa experiência. Passou a criar poemas, mas a música desapareceu de sua vida, até, ao menos, o tratamento começar a fazer efeito. A partir daí, sua criatividade voltou, e ele ficou animado para mostrar essas músicas a uma plateia ao vivo. Foi o que fez. Realizou um show em Los Angeles, e foi claro com o seu público sobre a doença.

"Preferi ser sincero com as pessoas. Pensei que anunciar meu diagnóstico poderia iluminar as canções", considerou. "Quando contei, consegui ouvir o suspiro das pessoas. Elas estavam chorando enquanto eu tocava minhas músicas."

Depois desse dia, Joe ainda não havia pensado em gravar suas novas canções. Tudo mudou quando encontrou o engenheiro de som S. Husky Hoskulds, que lhe ofereceu horas em seu estúdio. Se juntou com outros músicos e, espontaneamente, criou uma banda. "Foi tudo por acidente, e assim nasceu meu 15 álbum", falou. "Continuo a compor do mesmo jeito de sempre. Não estou escrevendo sobre câncer. Eu não sei como fazer isso. Mas sim como alcançar a luz."

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