John Deacon, ex-baixista do Queen, completa 68 anos recluso, mas lembrado como um herói do rock
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John Deacon, ex-baixista do Queen, completa 68 anos recluso, mas lembrado como um herói do rock

John Deacon, ex-baixista do Queen, é um homem recluso, discreto e tímido. Desde a morte de Freddie Mercury (1946-1991), tem evitado aparições públicas e mantém-se longe dos holofotes midiáticos enquanto pode, fugindo de entrevistas e tudo o mais. Ele não faz questão de muita reverência, como se pode atestar. Ainda assim, o músico, considerado um dos baixistas mais relevantes da história do rock, merece e deve ser lembrado, principalmente na data de seu aniversário de 68 anos, comemorado nesta segunda-feira (19). O Queen, em seu canal oficial no Instagram, obviamente não esqueceu e celebrou o músico, ganhando cerca de 200 mil curtidas. Brian May, em sua conta individual, postou duas vezes, sem querer, um "feliz aniversário" para Deacy, a forma como o baixista era tratado pelos colegas, com três fotos.

O site "Music Radar" bem que tentou entrar em contato com John recentemente. Eles queriam homenagear seu legado com uma entrevista exclusiva, mas, como era de se esperar, o músico sequer respondeu. O jeito, então, foi brindar a carreira do artista com um perfil.

Nascido em Leicestershire, na Inglaterra, em 1951, John Deacon iniciou sua carreira na música em 1965, aos 14, quando começou a tocar violão na banda Opposition. Em 1966, ele mudou de instrumento e, três anos depois, saiu do grupo e mudou para Londres, onde estudou eletrônica no Chelsea College. Em 1971, aos 19 anos, o baixista fez um teste para entrar no Queen e foi aceito. Na sequência, a banda liderada por Freddie Mercury assinou com a gravadora EMI no Reino Unido. Em 1973, eles lançaram o disco de estreia.

John Deacon e Freddie Mercury em um show do Queen em 1977/Getty Images
John Deacon e Freddie Mercury em um show do Queen em 1977/Getty Images

Quando o Queen apareceu, John foi retratado pela mídia como o cara quieto do grupo. De fato, ele nunca foi o tipo de rockstar excêntrico e espalhafatoso. Em vez disso, preferia a segurança da vida doméstica, longe das câmeras, onde podia criar livremente. Foi dessa forma que ele desenvolveu um dos maiores hits da banda (ao mesmo tempo reinventando-a), "Another One Bites The Dust" (1980), como aparece no filme "Bohemian Rhapsody".

"Another One Bites The Dust", inicialmente, não foi pensada para ser um single. Mas, após uma sugestão de Michael Jackson, o Queen decidiu tentar a sorte e lançá-la como single do disco "The Game". Graças à aposta, essa se tornou a faixa da banda a ser mais bem-sucedida nas paradas dos EUA.

Outra música da autoria de John é "I Want to Break Free", que parece ser uma metáfora sobre libertação sexual, mas na verdade fala sobre a timidez do baixista.

O primeiro baixo da vida de John foi um Broadway Solid de segunda mão, seguido por um EKO comprado por 60 libras. Quando entrou para o Queen, ele conseguiu investir num instrumento melhor: uma Fender Precision. Ao longo da carreira, ele tocou um Rickenbacker 4001 e outros baixos da Fender.

John toca com os dedos, dispensando, quase sempre, o uso da palheta. Para ouvir um pouco de sua genialidade no instrumento, basta ouvir algumas faixas onde ele aparece em destaque, apesar de ser o único integrante do Queen a nunca assumir os vocais: "No-One But You" e "Let Me In Your Heart Again".

Em dezembro do ano passado, o "Music Radar" ouviu vários baixistas de renome para saber o que John Deacon tem de fantástico. E não faltaram elogios entusiasmados. Nathan East, que acompanhou Michael Jackson, Stevie Wonder, George Harrison e Eric Clapton, fez questão de lembrar sua importância como hitmaker e lembrou que a linha de "Another One Bites The Dust" o leva sempre para o bairro negro onde foi criado, em San Diego, nos EUA. O que é fantástico, considerando-se que ele foi criado em Oadby, uma cidadezinha no coração da Inglaterra.

O virtuose Billy Sheehan (Mister Big, Winery Dogs) lembrou que sempre foi um grande fã do Queen e inveja a facilidade de John para atuar em vários gêneros com desenvoltura e propriedade. Lee Sklar, respeitadíssimo baixista de estúdio (Toto, Phil Collins), lembrou uma história do Rock in Rio de 1985: "Toquei com James Taylor antes do Queen naquela ocasião. Tudo que posso dizer é que demorou um dia para o meu queixo voltar ao lugar, depois de cair no chão. Assisti boquiaberto. John cria arranjos de baixo maravilhosos".

Músicos de outras gerações também se rendem ao talento do ídolo discreto. Paul Turner, do grupo inglês Jamiroquai, conta que conheceu a música do Queen a partir de seu pai. "O senso melódico e de contraponto de John era um elemento chave da música do grupo, sem falar em sua habilidade ao acrescentar ganchos e detalhes de bom gosto a cada arranjo", destaca.

Mark King, do Level 42, aponta que seu papel na banda sempre foi subestimado, por estar cercado de personagens de dimensões "maiores que a vida". "Ele é aquele cara que sempre sabe fazer a coisa certa em cada canção — em grandes canções, aliás."

Quem tocou ao vivo reproduzindo os arranjos de baixo que John Deacon criou sabe bem o valor do músico. É o caso de outro grande talento do instrumento, Neil Murray (Whitesnake, Rainbow, Black Sabbath), que acompanhou Brian May ao vivo por muitos anos. "Tendo tocado o material dele umas 3 mil noites, posso dizer que sou um grande admirador de sua criatividade. E é um cara muito legal, também", acrescenta.

Neil Fairclough, que toca atualmente no Queen + Adam Lambert, lembra a diversidade do trabalho de John Deacon. Ele destaca o tour de force de "The Fairy Fellers Masterstroke" e trechos como o do final de "Sail Away Sweet Sister". "John sabe criar partes adoráveis sem pisar no pé de ninguém", compara.

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