Journey se refaz com três novos integrantes, enquanto Steve Perry emociona com canção dos Beach Boys
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Journey se refaz com três novos integrantes, enquanto Steve Perry emociona com canção dos Beach Boys

O Journey apresentou domingo (24/5) seu clássico "Don't Stop Believin'" no evento beneficente "Unicef: We Won't Stop". O grupo aproveitou para anunciar que o baixista Randy Jackson (que já havia tocado com o grupo nos anos 1980 e gravou o álbum "Raised on Radio", em 1986) e o renomado baterista e produtor Narada Michael Walden são os novos integrantes, assim como o segundo tecladista Jason Delatka. Eles se juntam aos membros originais Neal Schon (guitarra) e Jonathan Cain (teclados) e ao vocalista filipino Arnel Pineda, efetivado em 2007. O que poucos acompanham é a carreira de Steve Perry, o vocalista original, ídolo de grandes cantores como Jon Bon Jovi. Depois de viver dramas de saúde e de voz, Steve Pery retornou à carreira solo há dois anos movido por uma história de amor comovente. Recentemente, enviou uma mensagem de apoio aos fãs por seu canal no Instagram e cantou "In My Room", dos Beach Boys, sendo elogiado por Brian Wilson, autor da música.

A substituição no Journey aconteceu porque Neal e o tecladista Jonathan Cain controlam a marca Journey desde 1998 e acusaram o baixista Ross Valory e o baterista Steve Smith de tentar dar um golpe em dezembro do ano passado. Eles foram demitidos em março. Os fãs terão que esperar para ver a nova formação no palco, pois a banda cancelou a turnê de verão com os Pretenders por causa da pandemia de coronavírus.

Há anos longe das intrigas da banda, o ex-vocalista do Journey, Steve Perry, publicou recentemente um vídeo cantando uma versão a cappella de "In My Room", balada lançada pelos Beach Boys em 1963. Ele escreveu: "Outra noite eu estava no meu quarto pensando sobre várias coisas quando essa canção veio à cabeça e me trouxe conforto. Espero que ela faça o mesmo com você. Fique seguro".

A cover de Perry foi retuitada pelo próprio Brian Wilson, o genial compositor dos Beach Boys, autor da canção em parceria com Gary Usher. Steve, feliz, respondeu na rede social que estava honrado. "Que honra saber que você assistiu minha 'In My Room' — eu realmente amo seu trabalho!".

Diante da versão tocante que fez para levar sua mensagem positiva durante essa quarentena, Steve deve ter reacendido a pergunta que muitos ainda fazem: "por onde anda Steve Perry?". Afinal, o cantor, filho de um português chamado Raimundo Pereira (que adotou o nome Raymond Perry), deixou o Journey em 1987 — fez um breve retorno entre 1995 e 1997 e, mesmo com alguns álbuns solo lançados, não alcançou mais o estrondoso sucesso que tinha à frente da banda. "Eu estive procurando por mim nos últimos 25 anos", contou, gargalhando, no início de uma entrevista à rádio 106.7 Lite FM há dois anos, quando disse que o principal motivo de ter saído da banda foi por ter "perdido a paixão por cantar e compor". Mas anos depois ele voltou à vida artística, movido pela promessa que fez a um grande amor.

Chamado de "The Voice" por seu fã Jon Bon Jovi, Steve e sua voz de alcance agudo incrível ajudou o Journey a se tornar um dos maiores grupos de rock dos anos 80. Ele fez uma audição em 1977 e, em um encontro com Neal depois de um show ainda com o vocalista Robert Fleischman, escreveram a primeira música juntos. A balada "Patiently" foi seu passaporte para entrar na banda.

O primeiro álbum que ele gravou foi "Infinity", de 1978, e "Escape", de 1981, deu ao Journey o status de supergrupo, rei do chamado rock de arena. Os três primeiros singles do Top 10 — "Don't Stop Believin'", "Who's Crying Now" e "Open Arms" — ajudaram a levar o álbum ao primeiro lugar nos EUA e em vários países. "Eu acho que há muita sorte envolvida. Penso que, criativamente, estávamos no lugar certo, na hora certa”, disse ele, modesto, em entrevista à "Louder Sound".

"Frontiers", lançado em 1983, foi outro grande sucesso do grupo. Um ano depois, Steve lançou seu primeiro álbum solo, "Street Talk", que teve dois singles bem executados: "Oh Sherrie" (em homenagem à namorada que aparece no videoclipe) e "Foolish Heart". Foi no álbum seguinte do Journey, "Raised On Radio", de 1986, que as coisas começaram a desmoronar. Um pouco de ciúme—- Neal acabou ficando meio de lado na produção do álbum, encabeçado por Steve — e tristeza pela morte da mãe, Perry acabou se afastando após o final da turnê. "O ritmo era intenso e nunca paramos", destacou ele.

Steve contou que foi em busca de suas origens na Califórnia depois que deixou a banda. "Tive que me afastar dela para ficar bem emocionalmente sozinho. Havia um trabalho pessoal a ser feito dentro de mim, para ser sincero", contou. Enquanto Neil e Jonathan formaram o supergrupo Bad English com o cantor John Waite, Steve gravou o álbum "Agaist The Wall" em 1988, que, por problemas com a gravadora, nunca foi lançado. Oito anos mais afastado, ele ressurgiu com "For The Love Of Strange Medicine", de 1994. Um ano depois fez um breve retorno ao Journey, com a gravação do álbum "Trial By Fire" em 1996 mas prejudicado pelo cancelamento de uma grande turnê por ele ter sofrido uma lesão no quadril.

A banda esperou dois anos antes de decidir seguir em frente sem ele. "Vá em frente e faça o que quiser, só não use o nome Journey", deram o recado. "Nunca me senti como parte da banda, me sentia como o 'outsider guy'", disse ele em uma entrevista na época.

Ao descrever seus anos longe do negócio da música, Perry passa uma sensação de liberdade. Ele viajou pelo mundo e disse que ganhou e economizou dinheiro suficiente para nunca mais precisar trabalhar. Mas deixou claro que nunca foi ligado em excentricidades: “Vivi minha vida em sossego, de forma discreta. Só posso dirigir um carro de cada vez".

Embora Steve Perry tenha deixado o Journey para trás, ele foi fundamental na ressurgimento de "Don't Stop Believin'", que viria se tornar a faixa digital do século 20 mais baixada de todos os tempos nos EUA. Ele autorizou que a música fosse usada no filme "Monster", em 2003 (e depois na antológica inclusão no episódio final da série "Sopranos" em 2007). E seria esse envolvimento com a diretora do filme, Patty Jenkins (que depois dirigiria "Mulher Maravilha"), que mudaria sua vida — foi através dela que ele conheceu Kellie Nash, o grande amor de sua vida.

"Tudo começou quando eu estava assistindo Patty editando um programa de TV sobre câncer. E enquanto a câmera passava pelas pessoas, eu perguntei quem era uma delas. Ela disse: 'É Kellie Nash, uma amiga, ela é psicóloga. Eu brinquei, dizendo que talvez precisasse de um novo psicólogo. Pedi para ela me dar o contato para enviar um e-mail, e ela me contou que Kellie tinha câncer de mama que já estava em metástase em seus ossos e pulmões", contou.

Steve Perry e sua amada Kellie Nash. Foto: Reprodução Twitter
Steve Perry e sua amada Kellie Nash. Foto: Reprodução Twitter

Depois de duas semanas "enlouquecendo", Steve entrou em contato. "Eu queria que aquele e-mail fosse a melhor letra da minha vida, que cada palavra fosse o que eu sentia. Depois de alguns e-mails, conversamos ao telefone por cinco horas uma noite. Algumas noites depois, fomos jantar às seis horas e fechamos o restaurante à meia-noite. Depois, ficamos inseparáveis", lembrou.

O cantor diz que foi a companheira que pediu que ele voltasse à música depois que ela morresse. "Uma noite, quando estávamos adormecendo, ela disse: 'Se algo acontecer comigo, me prometa que você não voltará ao isolamento'. A possibilidade de não estarmos juntos, eu simplesmente não queria falar sobre isso...", contou. Kellie morreu em 12 de dezembro de 2014. "Eu tive alguns anos de choro sério e de vez em quando eu ainda sou assaltado por isso. Mas tem algo que ela me disse: 'Esse câncer pode tirar minha vida, mas nunca pode levar nosso amor um pelo outro'. E descobri que isso é absolutamente verdade", emocionou-se.

Seu mais recente álbum, "Traces", lançado em 2018, tem canções dedicadas à amada. “Algumas são tristes, mas também existem músicas felizes — músicas alegres e esperançosas. E essa emoção, encontrando minha paixão novamente pela música, certamente é sobre ela”, afirmou Steve, que completou 71 anos em janeiro. "A paixão pela música voltou. Ao cantar de novo, fiquei arrepiado. Isso me toca. Nada é maior do que isso para mim. É por isso que estou falando com você agora. Porque pensei que nunca mais me sentiria assim", completou.

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