K-pop muda padrões de comportamento e beleza na Coreia do Sul e no mundo divulgando 'masculinidade soft'
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K-pop muda padrões de comportamento e beleza na Coreia do Sul e no mundo divulgando 'masculinidade soft'

O poder do k-pop é indiscutível. E tão forte que ultrapassa as barreiras da indústria musical para mudar aspectos culturais na Coreia do Sul e no resto do mundo. Exemplo disso foi a sacudida que o gênero deu nos padrões de beleza masculina. Maquiagem, moda, acessórios, cuidados com a pele, padrões mais delicados, tudo isso se enquadra na chamada "masculinidade soft". Os jovens artistas conseguiram quebrar os limites de rótulos antigos como "metrossexual" (criado no começo dos anos 2000) e tornaram "natural" e aceitável o que até pouco tempo seria visto como efeminado, andrógino ou gay.

Quando apareceu em alguns programas de TV coreanos no início dos anos 1990, o cantor Yang Joon-il usava cabelos longos, brincos e ainda ousava incluir versos em inglês nas músicas. Foi repelido por crítica e público sem piedade. "Não tenho certeza se ele é uma mulher ou um homem", era um dos comentários mais comuns. Curiosamente, vinte anos antes David Bowie havia traçado caminhos para os ocidentais com seu glam rock carregado de androginia. "Rebel Rebel", canção de 1974, dizia: "Você deixou sua mãe confusa/ Ela não tem certeza se você é menino ou menina".

Yang Joon-il: precursor do k-pop. Foto: Getty Images
Yang Joon-il: precursor do k-pop. Foto: Getty Images

Redescoberto pela nova geração de fãs de k-pop, Yang Joon-il mal sabia que estava abrindo caminho para que novos artistas mudassem os padrões de beleza, questionando preconceitos e ideias conservadoras.

A aparência dos integrantes das boy bands de k-pop influencia cada vez mais a sociedade coreana. Aos olhos do Ocidente, pode parecer que os homens coreanos são mais femininos do que os de outras culturas, mas eles não se consideram assim. Visto do ponto de vista coreano, é apenas um padrão de beleza.

Key, da banda SHINee: maquiagem e pele tratada. Foto: Getty Images
Key, da banda SHINee: maquiagem e pele tratada. Foto: Getty Images

Hábitos e comportamentos encarados como coisas de mulher também vêm sendo redefinidos e encorajados na Coreia do Sul, coisas como o uso de maquiagem, esmalte nas unhas, tratamento de pele e liberdade com roupas e acessórios. "Na América, homens geralmente usam cores escuras, preto, cinza. Na Coreia é totalmente normal vermos homens usando cores brilhantes como rosa e azul claro", comenta Park Jihoon, professor da Korea University, ao site "Koreaboo".

Jinwoo, integrante do grupo  WINNER, em um desfile da Chanel. Foto: Getty Images
Jinwoo, integrante do grupo WINNER, em um desfile da Chanel. Foto: Getty Images

Joanna Elfving-Hwang, da Universidade da Austrália Ocidental, que fez uma pesquisa sobre beleza e imagem na Coréia do Sul, chama a atenção para as possibilidades que as estrelas de k-pop abriram para os homens comuns. "Acho que a Coreia é pioneira na cultura de beleza masculina, definitivamente na Ásia no momento, se não no mundo. A maneira como os artistas brincam com a masculinidade, com o que significa ser um homem bonito de uma maneira heterossexual ou não-heterossexual, abre possibilidades para os homens nas ruas e, eventualmente, torna-os mais aceitáveis", disse a professora em uma entrevista à "BBC".

Ren, do grupo NU'EST, já participou de uma campanha de marca de roupas femininas. Foto: Getty Images
Ren, do grupo NU'EST, já participou de uma campanha de marca de roupas femininas. Foto: Getty Images

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