Karim Wasfi: o maestro iraquiano que combate terror com música
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Karim Wasfi: o maestro iraquiano que combate terror com música

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Atos de coragem, resistência e beleza são capazes de causar impactos imensos em resposta à violência — especialmente quando ocorrem por meio da arte. Em 2015, após um atentado em que três carros-bomba explodiram e mataram 27 pessoas em Bagdá, capital do Iraque, Karim Wasfi, maestro da Orquestra Sinfônica Nacional, resolveu se impor frente à tragédia, de forma pacífica. No dia seguinte ao incidente, o músico empunhou seu violoncelo e foi até o local para tocá-lo como forma de homenagear os mortos e de inspirar os vivos. Conhecido no mundo inteiro pela iniciativa, Wasfi também é presidente de uma fundação com foco no desenvolvimento criativo, cultural e humano de jovens e adultos iraquianos.

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Estudante da primeira arte desde os seis anos de idade — quando começou a tocar violoncelo —, Karim Wasfi acredita no poder da música, mas não só naquele que conhecemos pelo senso comum, capaz de provocar conexões com nossas memórias e despertar os mais variados sentimentos. Em palestra ao Peace Talks, em 2016, ele disse: "Educação, conhecimento, entendimento mútuo, compaixão, compreensão, vontade de coexistir e de viver pacificamente são elementos e conceitos possíveis de ser atingidos por meio da música". Com mais de duas décadas de experiência em diplomacia cultural e prêmios como o de humanitário do ano (2015), entregue pela Comunidade Global de Negócios da Arábia (Arabian Global Business Community), Wasfi construiu uma trajetória que utiliza música de forma prática para curar e promover integração cultural, desradicalização, prevenção de tensão e contraterrorismo em áreas de crise.

Educação, conhecimento, entendimento mútuo, compaixão, compreensão, vontade de coexistir e de viver pacificamente são elementos e conceitos possíveis de ser atingidos por meio da música

Ao criar o Center For Creativity — Peace Through Arts (Centro de Criatividade — Paz Por Meio da Arte, em tradução livre), o maestro conseguiu unir neurociência, psicologia cognitiva e criatividade ao potencial transformador da música. Ao estimular a integração cultural e artística de populações principalmente do Oriente Médio, a fundação de Wasfi promove atividades como concertos, shows, palestras, aulas, exibições de cinema e teatro — tudo como forma de oposição à atmosfera de violência e morte que costumava pairar sobre a capital iraquiana. 

“Autoempoderamento foi o objetivo e o resultado”, conta Karim Wasfi, em entrevista ao Reverb. Desde então, o Peace Through Arts ajudou a formar, entre outras conquistas, a primeira turma de maestras do Oriente Médio, idealizada para empoderar e inspirar jovens mulheres da região.

Contribuir para a formação de futuros líderes também é prioridade da instituição fundada por Wasfi. "O estímulo à dedicação e à determinação contribui para a não intimidação pela violência ou pelos radicais", diz o maestro. "Fornecer assistência a indivíduos por meio do refinamento faz a dopamina (hormônio que proporciona a sensação de prazer no cérebro) fluir como um resultado natural, químico e biológico à exposição ao som; é palpável".

Todo o processo de cura por meio da música — iniciado com as apresentações de Wasfi em locais bombardeados — funciona como uma rede de apoio e inspiração, que conta ainda com clubes do livro, centro de debates, envolvimento da comunidade através de performances, improvisações e programas de reabilitação musical, focados na saúde mental de refugiados e vítimas de estresse pós-traumático. 

Em 2016, mais de 1.200 famílias já haviam sido contempladas por projetos do Peace Through Arts. "Ajudar as pessoas a fazerem escolhas e a compartilharem energia positiva por meio do autoconhecimento e de uma abordagem coesiva e inclusiva é um dos passos para o ensino da coexistência", explica o maestro. "E eu estou constantemente empenhado na direção de uma maior interdependência vibracional, procurando cada vez mais caminhos para transcender inspiração".

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