Kell Smith fala de saúde mental em 'mundo doente': 'A música me salvou'
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Kell Smith fala de saúde mental em 'mundo doente': 'A música me salvou'

Muitos versos das seis faixas lançadas por Kell Smith em seu novo álbum “O Velho e Bom Novo” parecem se referir a uma busca de equilíbrio em tempos de quarentena. Mas foram escritos antes. A primeira faixa, “Seja Gentil” foi escrita logo após uma crise de ansiedade; “Eu Vou Conseguir” aborda a depressão (baseada em experiências de fãs) e o reggae “Camomila”, bem... "É sobre tentar manter a calma e cuidar de nossa saúde mental, um assunto que eu abordo o tempo todo. Tento sempre manter a leveza para falar de coisas sérias e carrego comigo uma máxima que diz que 'a vida é sobre o que você espalha'", ressalta a cantora de 27 anos que frequentemente publica vídeos sobre essa e outras questões semelhantes em seu Instagram.

“Seja Gentil” começa com o som de passarinhos ao fundo. "Eles me fazem falta e, a qualquer sinal de um canto, é uma festa para mim", comenta Kell, moradora de São Paulo, sobre a faixa que fala sobre sobre amor próprio e auto-gentileza. Ela conta que compôs essa música logo após uma crise de ansiedade. "A música me salvou", resume Kell Smith, que ganhou fama nacional em 2017 com o hit "Era Uma Vez..."

Kell Smith: "O Velho E Bom Novo" marca nova fase na carreira. Foto: Gustavo Arrais
Kell Smith: "O Velho E Bom Novo" marca nova fase na carreira. Foto: Gustavo Arrais

Muitos versos das seis faixas lançadas por Kell Smith em seu novo álbum "O Velho e Bom Novo" parecem se referir aos tempos de quarentena. Mas, por incrível que pareça, foram escritos antes, abordando assuntos que parecem velhos, mas são extremamente atuais. "Eu queria falar da vida real, de coisas boas e ao mesmo tempo, desconfortáveis. O vírus apenas evidenciou problemas que já existiam", explica a cantora e compositora, que disponibilizou nas plataformas digitais a primeira parte do álbum que tem mais seis faixas que serão lançadas em breve.

"Eu queria falar da vida real, de coisas boas e ao mesmo tempo, desconfortáveis. O vírus apenas evidenciou problemas que já existiam", explica a cantora e compositora, empresariada pela Na Moral Produções, mesmo escritório que trabalha com os rappers D2, BK e Sain. Kell Simth disponibilizou nas plataformas digitais a primeira parte do álbum, que vai incluir mais seis faixas que serão lançadas em breve.

O disco está sendo lançado pela Na Moral/Altafonte retomando o conceito de álbum cheio, liberando seis faixas como "Lado A". "Acho que assim é uma forma mais sensível de se apresentar, com começo, meio e fim", opina Kell, em entrevista ao Reverb. As próximas seis estão em fase final de mixagem e masterização e "podem sair a qualquer momento", segundo a cantora.

A saúde mental é um tema que percorre as músicas, todas compostas por Kell, surgidas de experiências da própria vida e de uma proximidade grande que tem com os fãs, que ela chama de girassóis. "'Eu Vou Conseguir', por exemplo, surgiu de uma enquete em que o tema depressão foi o mais votado. Mesmo que eu não tenha enfrentado essa doença, quero ser um instrumento para falar dela e, se possível, de forma positiva", conta.

O resultado da pesquisa, que apontou que a maioria queria ouvir Kell cantar sobre depressão e ansiedade, assustou um pouco a cantora. "Mas, ao mesmo tempo, me fez refletir que as pessoas querem falar sobre o problema, daí a urgência desse assunto. É sempre importante lembrar que a falta de informação mata mais do que a doença em si. Há como sair vitorioso sim, a sociedade precisa ser curada da negligência", aponta. Mais recentemente, Kell incentivou seus seguidores no Twitter a dizer como estão se sentindo para ela indicar uma música. "O Tempo Não Para" (Cazuza) para indignação, "Tempos Modernos" (Lulu Santos) para esperança, "Morena Tropicana" (Alceu Valença) para animação e a sua "Nossa Conversa" para paixão são algumas das "prescrições" que a artista tem feito.

Em seu canal no Youtube, Kell publicou um documentário dividido em sete partes sobre a produção do novo trabalho. O primeiro vídeo foi feito em janeiro, com ela falando das mudanças de sua vida e carreira e o último, já sob o distanciamento social. "Realmente eu já estava com todas as canções compostas, tínhamos gravado alguns instrumentos e estávamos a caminho da gravação quando surgiu a pandemia. Decidimos prosseguir e lançar o trabalho, pois havia a possibilidade de se produzir remotamente", explica a cantora.

O disco foi produzido pelo maestro Bruno Alves, que também fez os arranjos, assinou a engenharia de gravação e tocou piano, teclados e percussão. Além disso, ele é parceiro de Kell em oito das 12 músicas do disco. "Conheci o maestro no início de carreira, quando ele foi diretor musical dos meus shows. Temos uma conexão muito forte, que foi evidenciada nas parcerias, tanto nas minhas gravações como para outros artistas (eles são autores, por exemplo, de 'Prometo'', gravada por Paula Fernandes)", conta ela que, ao mudar de gravadora, Bruno foi o primeiro nome que chamou para acompanhá-la nessa nova fase de sua vida profissional.

A primeira faixa, “Seja Gentil”, começa com o som de passarinhos ao fundo. "Eles me fazem falta e, a qualquer sinal de um canto, é uma festa para mim", comenta Kell, moradora de São Paulo, sobre a faixa que fala sobre sobre amor próprio e auto-gentileza.

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"Vulnerável", que almeja, em um dos versos, que "a vida seja tão bela quanto as fotos que eu postei" — uma referência ao abismo que, não raro, há entre a vida real e virtual das pessoas nas redes sociais — é a primeira faixa a ter um videoclipe. "Eu, a Natalia (Fogari, assistente) e a Carolina (Pessoa, produtora) alugamos o local e tudo foi filmado remotamente com a orientação do diretor Mess Santos", conta Kell, que diz que o conceito do videoclipe — ela sozinha em um apartamento — sempre foi esse, mesmo antes da pandemia.

Eu tenho um quadro chamado 'Dividir é multiplicar' onde costumo conversar e dar informações sobre esses temas. Aliás, acho fundamental falar desses assuntos e encaro isso como uma missão dentro da minha carreira", afirma.

O disco traz ainda "A Terra Firme é Lá" e "Carta pra Você", que carrega uma história tocante, que pode ser entendida melhor em um vídeo no Instagram de Kell. "Eu faço um trabalho voluntário no Hospital Darcy Vargas, que trata de crianças com câncer. Um dia fui fazer uma show lá e descobri que uma delas não pôde participar. O maestro Bruno colocou um piano para tocar no celular e eu cantei para ela no quarto. Mesmo com o câncer se agravando, ela lutava demais. Aquele valor que ela dava à vida me impactou muito. Tenho certeza que ela foi para um lugar melhor", conta Kell sobre Dani, a fã de 15 anos que morreu poucos dias após o lançamento de seu álbum. "Foi quando senti que 'Carta pra Você' passou a representar muito mais do que eu queria quando a escrevi", conta ela sobre a faixa melancólica e cheia de esperança.

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