Kid Creole, ícone da new wave com latinidade dos anos 80, ressurge com inéditas e novo selo
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Kid Creole, ícone da new wave com latinidade dos anos 80, ressurge com inéditas e novo selo

Pioneiro do cenário musical de Nova York nos anos 70 e 80 com sua mistura de salsa, calipso, disco, big band e música caribenha, August Darnell, mais conhecido por Kid Creole, não imaginava que, a essa altura da vida, 69 anos, se tornaria um executivo da indústria. Mas "Checkin 'My Colonies", música que acaba de ser lançada por seu selo 2C2C mostra que o cantor, compositor e líder do icônico Kid Creole And The Coconuts decidiu entrar sério no negócio. Um mês antes, ele havia lançado outra faixa, mais próxima do estilo animado que o consagrou, "You Don't Know Me", brincando, de certa forma, com o fato de estar "sumido" das paradas pop há muito tempo.

"A única razão pela qual eu comecei isso foi porque eu estava em um evento comentando como as gravadoras e seus executivos estão cheios de merda", contou Darnell à Billboard. "E eis que, naquela sala onde eu estava falando merda, um cara se vira para mim e diz: 'Se você acha que isso é tão fácil, por que você não inicia seu próprio selo?' Foi exatamente isso que me motivou a responder: 'Tudo bem, eu mostrarei como é simples administrar um rótulo com dignidade'”, provocou.

Kid Creole And The Coconuts. Getty Images
Kid Creole And The Coconuts. Getty Images

Assim nasceu o 2C2C (Too Cool to Conga) em parceria com seu amigo de longa data Peter Schott e sua mulher Eva Tudor-Jones, que foi da banda de apoio de Kid Creole And The Coconuts por 18 anos. "A coisa mais engraçada sobre essa história é que ele estava certo — não é nada fácil! Mas uma vez que você está nele, precisa continuar", diz Darnell com uma gargalhada.

As vibrações psicodélicas e roupagem "moderna" de "Checkin' My Colonies" vêm do produtor Youngr que vem a ser um duo formado por seus filhos Dario Darnell e Lorne Ashley. "Meus filhos queriam fazer isso por mim há algum tempo. Finalmente, eles me ligaram e disseram: 'Por favor, venha ao estúdio, temos algo para você'", conta Darnell.

Dario Darnell e Lorne Ashley com  Greta Svabo Bech. Getty Images
Dario Darnell e Lorne Ashley com Greta Svabo Bech. Getty Images

No estúdio, o velho Kid Creole teve que "entrar nos eixos" da modernidade. Os meninos o forçaram a gravar em um só dia, um ritmo diferente de quando gravava com a banda. "Estou feliz com o resultado final — mas foi uma verdadeira provação, horrível. Eu amo meus filhos, e eles sempre apoiaram e respeitaram toda coisa do Kid Creole. Mas quando chegamos ao estúdio, era o estúdio deles, a música deles, a produção deles. Eles me diziam: 'Não, pai, não canta assim dessa forma old shool!'", diverte-se.

Darnell diz que, em última análise, pensou: "Ah, deixa eles se viram. Se for um sucesso, eles vão me dizer 'eu te disse, pai, se você quiser continuar sua carreira, vamos levá-lo para o futuro.' E tudo bem, porque haverá muitas turnês e dinheiro". E se for um fracasso? "Eu digo a eles, com meu ego enorme: 'veja garotos, a old school ainda é o caminho a seguir'".

Mas quando o assunto foi a letra, Darnell foi firme e não fez concessões. "Eles não queriam que fosse político, mas eu venci", diz ele. E a letra de "Checkin 'My Colonies", que fala de exploração e colonização e tem um videoclipe em preto e branco no estilo de animação vintage, a coloca um patamar acima entre as similares produzidas atualmente.

"Quando me mudei para o Havaí, há quatro anos, notei muita angústia", diz Darnell, que divide seu tempo entre a Suécia e Maui. "Toda essa coisa 'aloha' é uma farsa, há muitos havaianos furiosos sobre sua história. E eu percebi que essa é apenas mais uma história de colonização com a qual estamos tão familiarizados, como a Austrália e a África".

Situação que toca na própria história de Darnell, nascido no Bronx — seus pais vieram do Sul dos EUA, com descendência caribenha e italiana. Embora ele e seu irmão mais velho Stony (com quem formou a Dr. Buzzard's Original Savannah Band nos anos 70) perguntassem ao pai como era a vida no Sul, nunca ouviram uma resposta. "Acho que era uma coisa protetora ... ele nunca me contou as histórias de horror".

Com sua família e sua vizinhança, ele teve contato com um caldeirão musical, com Rat Pack a Johnny Cash, a Tito Puente, a Cab Calloway, aos Beatles e Celia Cruz. "Não queríamos ir em uma direção - queríamos o que chamamos de Rainbow Music, pegar todas essas influências, envolvê-las e criar algo novo", lembra Darnell. E foi isso que fizeram e foram muito bem-sucedidos na Europa, embora não tenham tanto sucesso nos Estados Unidos.

Mas Darnell não guarda mágoas. "Eu era um cara de muita sorte", diz ele, lembrando que foi contratado pelo mitológico Seymour Stein, da Warner Bros. "Fizemos uma audição para ele e ele adormeceu — história verdadeira! — mas mesmo assim assinou com a banda", diverte-se. Depois, pelo igualmente lendário Chris Blackwell, da Island Records. Mas quando a Sony e Tommy Mottola, outro gigante da indústria musical, apareceram, as coisas deram errado. "Blackwell queria me contratar por mais cinco anos, e eu fui com a Sony porque estava oferecendo mais dinheiro. E esse foi o castigo que recebi por ser um capitalista inescrupuloso", diz ele, com sinceridade.

"Quando Mottola ficou grande demais e não retornava mais minhas ligações, ele passou a bola para um cara que não sabia nada sobre Kid Creole ou música latina, o que acabou destruindo meu relacionamento com a Sony. Mas o erro foi meu e é uma lição de vida. E é por isso que formamos a 2C2C, que vou promover até a morte", afirma Darnell.

Seja reclamando de boa índole com seus filhos, olhando para sua vida no Bronx ou falando sobre o potencial de seu novo selo, Darnell parece verdadeiramente satisfeito atualmente. "É uma coisa incrível eu ainda estar entusiasmado depois de todos esses anos no mercado da música. Esse é um bom sinal — significa que não fiquei cansado nem fui derrotado", reflete.

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