Kim Gordon, ex-Sonic Youth: ‘O rock era o som da revolta. Agora não é mais'
Inspiração

Kim Gordon, ex-Sonic Youth: ‘O rock era o som da revolta. Agora não é mais'

Kim Gordon, 66 anos, deixou o Sonic Youth em 2013 após ser traída pelo ex-marido e parceiro de banda, Thurston Moore. Desde então, ela tem pensado sobre perdão, mas avaliou, em entrevista ao "Independent", que não é possível perdoar alguém que nunca pediu desculpas. "Se você ama alguém, é claro que tenta compreender a pessoa", disse ela. "Sabe, sinto empatia por ele. Mas, ao mesmo tempo, tenho que me proteger do trauma. Não quero ser ferida novamente."

Em seu livro de memórias, lançado em 2015, "Girl in a Band", Kim fala mais abertamente sobre ter sido traída pelo ex-marido com uma mulher bem mais nova do que ela. "Em câmera lenta, uma estampa de mentiras, ultimatos, telefones com promessas, seguidos por emails e mensagens que não deram em nada... Então, fui forçada a tomar uma decisão, já que ele era covarde para tomá-la. Estava furiosa. Me recusava a ser responsável por ser a pessoa que ele me tornou: sua mãe."

Na entrevista para a repórter Alexandra Pollard, Kim também comentou as influências de sua ex-banda, considerada hoje como uma representante do indie rock. "Nos colocavam nessa caixa, mas a gente não se considerava dentro dela", explicou. "Por alguma razão, nos identificávamos como uma banda de rock. Nossas influências eram Velvet Underground, Alan Vega, The Stooges e Alice Cooper."

Os integrantes do Sonic Youth, Thurston Moore, Lee Ranaldo, Steve Shelley e Kim Gordon, em Amsterdã, em 11 de maio de 1986/Getty Images
Os integrantes do Sonic Youth, Thurston Moore, Lee Ranaldo, Steve Shelley e Kim Gordon, em Amsterdã, em 11 de maio de 1986/Getty Images

Ainda sobre o rock, a cantora e baixista acredita que o gênero perdeu sua "função social. "O rock era o som da revolta. Agora não é mais", observou Kim. "Quero dizer, o indie rock é legal, mas não é impactante.". Agora, para ela, apenas o hip-hop é tão importante quanto o punk foi no passado.

"Punk é atitude. Eu me entendia como punk, apesar de nunca ter sido", afirmou. "O punk é uma maneira de ver o mundo. É sobre ser um outsider e seguir contra a maré. Hip-hop tem muito isso. Veja só Cardi B e a Lizzo. Elas estão realmente tomando a cena de assalto."

Graças a essas mulheres inspiradoras, Kim se sentiu criativa o bastante para produzir seu primeiro disco solo, "No Home Record", lançado em 11 de outubro.

O álbum, segundo ela, foi aconteceu "por acidente". "Fiz algumas músicas com (o produtor) Justin Raisen", contou Kim. "Comecei a brincar com a bateria eletrônica dele e daí surgiram algumas ideias."

Para se ter uma ideia, Justin já trabalhou com as principais estrelas indie do momento, como Charli XCX, Angel Olsen e Sky Ferreira. "Estou surpresa pela boa recepção do disco. Porque ele é meio excêntrico. Fala sobre coisas que são difíceis de serem digeridas."

Outro motivo para a surpresa de Kim é que a maioria dos discos solo "são uma merda". "Por isso não tive pressa em fazê-lo. As pessoas criam muitas expectativas. Os fãs do Sonic Youth. Não adianta, nada será tão impactante quanto a banda era."

Mesmo que ser mulher numa banda de rock seja algo, de fato, natural, Kim costuma ser perguntada sobre isso. Ela revelou que a situação mais embaraçosa que sofreu por ser uma mulher à frente de um grupo aconteceu durante uma turnê com Neil Young em 1991. "As pessoas achavam que éramos loucos. Porque tinham uma mulher no palco e eu poderia me machucar.". Kim se recordou que, em um dos shows da turnê, o diretor de palco gritou com ela porque estava "distraindo Neil".

"O sexismo está tão impregnado na indústria fonográfica", avaliou. "Está em todos os níveis. E como mudar isso? É algo tão antigo. Veja o Grammy, por exemplo. Ou a cerimônia do Rock and Roll Hall of Fame, cheio de homens brancos. É algo tão estranho. Mas eu sequer quero seguir o que a indústria diz que é para ser feito", finalizou.

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