Lana Del Rey fala sobre Donald Trump, Kanye West e a hora certa para canções de protesto
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Lana Del Rey fala sobre Donald Trump, Kanye West e a hora certa para canções de protesto

Lana Del Rey, 34 anos, lançou seu 6º disco de estúdio, "Norman Fucking Rockwell" nesta sexta-feira (30). O título do álbum é uma homenagem ao ilustrador americano chamado Norman Rockwell (1894-1978). Com 14 faixas, o sucessor de "Lust For Life" (2017) chegou com algum alarde da imprensa, que tem censurado os conteúdos explícitos do novo material da cantora em seus textos — os palavrões em inglês usados no título do álbum, na faixa título e em outras duas canções, "Venice Bitch" e "Fuck It I Love You", tiveram a grafia alterada em veículos como "The New York Times".

Em entrevista ao jornal americano, Lana Del Rey falou sobre o novo trabalho — produzido por Jack Antonoff, Rick Nowels e Zache Dawes —, cuja capa pode parecer meio tosca, mas é a mais original de todos os seus discos anteriores. Isso, porque é a primeira em que a cantora aparece ao lado de outra pessoa — no caso, Duke Nicholson, neto do ator Jack Nicholson, que estreou nos cinemas no filme "Nós" (2019), do diretor Jordan Peele. Ao "NYT", ela também aproveitou para criticar o atual presidente dos EUA, Donald Trump, e o rapper e produtor Kanye West.

Recentemente, Lana Del Rey só tem ouvidos para John Lennon, Led Zeppelin, os Beach Boys, David Bowie, Crosby, Stills & Nash, além de Fiona Apple e Cat Power. Todas essas influências musicais estão, de alguma forma, inscritas no som de "Norman Fucking Rockwell" (ouça abaixo).

Sobre o produtor Jack Antonoff — que também trabalhou nos álbuns "Melodrama" (2017), de Lorde, e "Lover" (2019), de Taylor Swift —, Lana contou que conheceu o músico em uma festa e logo ficaram amigos.

"Eu não queria entrar no estúdio naquela época, pois era inverno e eu estava aproveitando o frio. Mas aí nós escrevemos uma música juntos, chamada 'Love Song' — que depois seria batizada de 'Hope Is a Dangerous Thing' —, em 40 minutos. Isso foi o bastante para me empolgar em trabalhar num novo disco", disse ela, que tem uma teoria sobre as grandes cantoras pop da atualidade estarem adorando trabalhar com ele. "Ele é um parceiro musical, sabe? Muitos produtores não sabem tocar, e ele sim. Ele toca sitar (um instrumento de origem indiana) na última faixa que trabalhamos. E isso é muito bacana."

Lana também revelou que é uma grande admiradora de Ariana Grande, com quem trabalhou, junto de Miley Cyrus, em uma canção inédita para a nova versão do filme "As Panteras". "Escuto muito 'Dangerous Woman', da Ariana. Consegui o número de telefone dela e trocamos muitas mensagens. Quando 'Thank U, Next' saiu eu fiquei pirada, pois amei o disco. E quando me chamaram para colaborar na música das 'Panteras' , eu aceitei", declarou ela, que também elogiou a jovem revelação Billie Eilish.

Lana Del Rey e Duke Nicholson, neto do ator Jack Nicholson, na capa de 'Norman Fucking Rockwell'/Divulgação
Lana Del Rey e Duke Nicholson, neto do ator Jack Nicholson, na capa de 'Norman Fucking Rockwell'/Divulgação

Uma faixa específica do disco, intitulada "The Greatest", tem chamado mais atenção do que as demais pelo trecho "Kanye West is blonde and gone" ("Kanye West está loiro e já era", em tradução livre). No passado, Lana cantou no casamento do rapper com Kim Kardashian e fez críticas ao seu apoio ao atual presidente dos EUA, Donald Trump.

"Até hoje ele não me respondeu, e sinceramente nem quero saber. Não me sinto bem pela crítica que fiz, porque Kanye significa muito para mim. Sou grata por viver num país onde todos podem ter suas opiniões políticas. Eu, por exemplo, sou centrista. Mas não conseguia engolir Trump. Sério que esse era o melhor candidato na jogada? Mesmo? Sua vitória me machucou muito e, por isso, esse trecho tem tanta importância para mim", revelou.

Ela também comentou sobre o single "Looking For America", lançado em protesto aos recentes massacres nos EUA com armas de fogo. "Sempre me sinto mal quando ouço alguma notícia sobre violência. Mas sobre o massacre em El Paso, especialmente, fiquei muito mal. E agora a Amazônia está queimando... As pessoas estão acordando e entendendo que isso não é apenas uma má fase que vai passar. Há algo muito errado com o mundo", avaliou Lana, que acredita que estão faltando canções de protesto na música atual. "Quando Obama foi eleito, pensei que o sonho estava se tornando realidade e que poderíamos, de fato, nos concentrar na nossa arte. Mas estava errada. É hora de agirmos."

Ao fim, a cantora confirmou a história de que teria sido namorada de Moby antes da fama e se perguntou: "Por que ele ainda se lembra disso?". Ela, ao que pareceu, não liga nem um pouco para esse passado. Para quem era considerada desprovida de talento notável, ela até que está indo bem longe...

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