'Laurel Canyon': novo doc revela histórias sobre grandes nomes da era de ouro do rock californiano
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'Laurel Canyon': novo doc revela histórias sobre grandes nomes da era de ouro do rock californiano

Pouco depois de "Echo in The Canyon", um novo documentário "Laurel Canyon" chega para abordar caldeirão que foi a região de Los Angeles no final dos anos 1960 e início dos anos 70. Nomes como The Byrds, The Doors, Buffalo Springfield, The Mamas & The Papas, Frank Zappa, Joni Mitchell, Crosby, Stills, Nash & Young e tantos eram vizinhos ou frequentavam as casas um dos outros. Dividido em duas partes, o filme, exibido na plataforma Epix, mostra a era de ouro do rock e da contracultura californiana com muitas imagens de arquivo e entrevistas.

Dirigido por Allison Ellwood, que fez anteriormente "History of the Eagles", "Magic Trip: Ken Kesey Search for a Kool Place" e "The Go-Go's", "Laurel Canyon" se concentra na área de Hollywood Hills, em Los Angeles, Califórnia, para mostrar o crescimento de uma cena musical contracultural que revelou grandes artistas e grandes trabalhos de artistas anteriormente já estabelecidos.

John, Cass, Michelle e Danny, do Mamas and The Papas, nos anos 1970. Foto: Getty Images
John, Cass, Michelle e Danny, do Mamas and The Papas, nos anos 1970. Foto: Getty Images

A proximidade geográfica facilitou o surgimento de grupos e muitas parcerias. Numa mesma rua moravam Joni Mitchell, os integrantes do Byrds e Modern Folk Quartet e Michelle Phillips, que fundou o The Mamas & The Papas com o então marido John Phillips, Denny Doherty e Cass Elliot. "Cass tinha uma política de portas abertas — qualquer um poderia passar pela casa dela a qualquer momento. Eles fumavam um baseado, bebiam um pouco de vinho e tocavam seus violões. Foi assim que ela juntou Crosby, Stills & Nash: ela os ouviu cantando separadamente e disse: 'Vocês devem cantar juntos'", diz Michelle ao "USA Today". Foi num churrasco promovido por Cass, que morreu aos 32 anos em 1974, que Eric Clapton e Joni Mitchell se conheceram. "Foi uma perda enorme para todos. Ela tinha uma presença no palco, era engraçada e ágil e sempre tinha o público na palma da mão", descreve a ex-companheira de grupo.

Essas são apenas algumas das histórias contadas pela diretora, que reuniu imagens raras, como as dos fotógrafos Henry Diltz e Nurit Wilde, além de gravações caseiras de arquivos pessoais de alguns músicos. Ela também fez novas entrevistas com Michelle, Linda Ronstadt, Bonnie Raitt, Don Henley e Jackson Brown, transformando o documentário num retrato íntimo das amizades, amor, parcerias — e às vezes os três — que definiram esse local e época. "O que havia de tão único em Laurel Canyon naquela época era que os artistas que lá estavam se tornaram músicos realmente influentes até hoje. Foi um processo realmente divertido descobrir as inúmeras maneiras com que esses artistas se conectavam e interagiam", diz Allison.

 Crosby Stills & Nash: grupo nasceu na vizinhança de Laurel Canyon. Foto: Getty Images
Crosby Stills & Nash: grupo nasceu na vizinhança de Laurel Canyon. Foto: Getty Images

As entrevistas atuais aparecem no documentário apenas em áudio, uma opção definida desde o princípio da produção pela diretora. "Nunca pensamos em entrevistar alguém diante das câmeras, com exceção de Henry e Nurit, que são uma espécie de guia. Eles estão nos mostrando fisicamente suas fotografias ou slides, não apenas conversando. Quando há tantos artistas envolvidos e você fica mostrando diferentes cabeças falantes, isso tira a atenção. Infelizmente, também temos vários falecidos, o que traria uma disparidade de quem está na câmera e quem não está", explica Allison em outra entrevista à "Variety".

Segundo a diretora, a opção de entrevistas por áudio também permite depoimentos um pouco mais pessoais e casuais do que quando se tem uma câmera na cara. Além, é claro, de não haver preocupação com a aparência. "Praticamente todo mundo estava animado para participar, o que foi ótimo", diz ela, lembrando que só não conseguiu falar com Neil Young e Joni Mitchell. "Tentamos com os dois e também com Carole King e James Taylor, porque eles também faziam parte da cena, mesmo que não exatamente da mesma maneira que os outros. Mas, por algum motivo, ele não estavam com muito interesse em fazer esse tipo de entrevista. Felizmente, com Joni e Neil, havia toneladas de entrevistas de arquivo", conta.

Além de fotos e imagens de arquivo, Allison conta que lançou mão de técnicas para dar um clima da época ao documentário. "Acho que as fotos capturam tanta informação e contam histórias que, em alguns casos, são melhores do que imagens em movimento. Também captamos muita coisa em super-8 para parecer uma filmagem antiga. Sam Painter, o diretor de fotografia, se divertiu brincando com alguns recursos visuais que às vezes deixam as pessoas sem sabem o que é o arquivo e o que filmamos", diz.

Esses recursos também foram uma forma de transformar o próprio Laurel Canyon numa espécie de personagem. "O lugar tinha uma mística e estava atraindo todas essas pessoas. Sabe, era realmente essa atmosfera de portas destrancadas e pessoas entrando e saindo, esbarrando umas nas outras e subindo e descendo as ruas. E tinha a proximidade dos clubes, então, eles faziam os shows e depois que tudo fechava às 2h, a festa continuava nas colinas até as primeiras horas da manhã", relata.

Peter Tork, baixista e cantor do Monkees. Foto: Getty Images
Peter Tork, baixista e cantor do Monkees. Foto: Getty Images

Muitas histórias contadas no documentário eram desconhecidas da própria diretora. "Eu não sabia que Peter Tork era nudista nem que Steve Martin e Linda Ronstadt tinham namorado. Eu não tinha ideia de que Alice Cooper estava ligado à área — ele me contou sobre aparecer na casa de Frank Zappa às 7h para sua audição porque tinha entendido mal o horário, era para ele ir às 19h. O engraçado é que Zappa disse “Oh, não, vá em frente. Faça o seu trabalho', e então ele assinou o contrato", exemplifica.

Michelle, última integrante viva de The Mamas and the Papas, é destaque em todo o documentário. Ela lembra da noite em que John a acordou para escrever o hit "California Dreamin", que veio a ele em um sonho, e também fala sobre o tumultuado relacionamento deles, como quando foi expulsa temporariamente do grupo logo após a separação, ao saber que ela estava namorando Gene Clark, do The Byrds. "Foi um momento muito divertido, mas muito dramático, com altos e baixos muito grandes", diz ela, que está com 75 anos.

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