Led Zeppelin: o que esperar de Celebration Day, show de despedida do grupo que será liberado no YouTube por três dias
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Led Zeppelin: o que esperar de Celebration Day, show de despedida do grupo que será liberado no YouTube por três dias

O Led Zeppelin vai liberar neste sábado (30/5), a partir das 16h, a apresentação completa que fez no Ahmet Ertegun Tribute Concert em 10 de dezembro de 2007 no evento "Celebration Day/Global Watch Party" de seu canal do Youtube. A reunião aconteceu na The O2 Arena, em Londres, e foi a última da banda que, diferentemente das duas apresentações anteriores, estava afinadíssima no palco. Robert Plant, Jimmy Page e John Paul Jones, ao lado de Jason Bonham, filho de John (1948-1980), tocaram 16 canções na noite beneficente dedicada à memória do mentor de Zeppelin e fundador da Atlantic Records, Ahmet Ertegun (1923-2016).

A famosa reunião de 2007 foi a primeira do Led Zeppelin em 27 anos e a última desde então. O evento entrou para o Guinness Book por ter a maior demanda por ingressos para um concerto de música, com 20 milhões de pedidos para um local que tinha disponíveis 20 mil lugares. O "Celebration Day" ficará disponível no Youtube por três dias, quando os fãs poderão assistir à performance inspirada do quarteto tocando clássicos como incluindo "Black Dog", "Kashmir", "Whole Lotta Love" e "Stairway To Heaven".

O show, que depois foi lançado em 2012 nos cinemas, foi a atração principal do concerto beneficente em homenagem a Ahmet Ertegun, que teve a renda revertida para bolsas em escolas de música. Numa das laterais do palco, havia uma faixa com uma citação do executivo, um imigrante turco que fez a América e atuou, à frente do selo Atlantic, como grande descobridor e divulgador de talentos do blues e do rhythm & blues, dizendo: “É ótima essa vida de música”. "O Zeppelin honrou esse sentimento tocando como uma banda renovada, não apenas reunida", resumiu o repórter David Fricke na crítica que fez para a "Rolling Stone" na época.

O Led Zeppelin se separou logo após a morte do baterista John Bonham em 1980. Antes do evento de 2007, eles apareceram juntos duas vezes e nenhuma apresentação foi um sucesso. Robert Plant chamou a primeira reunião no "Live Aid" em 1985, com Phil Collins na bateria, de "atrocidade", e disse que o show do 40º aniversário da Atlantic Records em 1988 foi "péssimo". Mas dessa vez a banda foi suficientemente ensaiada e estava pronta para fazer o que sempre fazia: arrasar.

Os músicos abriram o show de duas horas com "Good Times Bad Times", a primeira faixa do álbum de estreia do Zeppelin em 1969. "Durante grande parte do show, mesmo com um palco amplo, Page, Plant e Jones ficaram em formação apertada ao pé da bateria, frequentemente encarando Jason, como se ainda estivessem ensaiando. 'Eu só quero me divertir!', Plant bradou em um momento, enquanto a banda desviava da seção intermediária frenética de 'In My Time of Dying' de volta ao trecho blues da música", observou o jornalista.

A potência do vocalista, ainda em plena forma, foi outro destaque da apresentação. "Quaisquer dúvidas sobre a capacidade de Plant ainda atingir as notas mais altas, sua vontade de ficar estratosférico, foram eliminadas nos pontos certos e dramáticos em 'Since I’ve Been Loving You' e 'Kashmir'. Jones e Bonham trancaram-se como uma família. Page foi um choque contínuo na guitarra, principalmente por ele ter tocado tao pouco em público na última década", elogiou David Fricke.

Infelizmente, até hoje os fãs esperam uma tão sonhada nova reunião que parece ter ficado claro que nunca mais aconteceria mesmo ao final da apresentação de 2007, quando eles não falaram nada parecido com "até a próxima". O destino de Robert após o show foi praticamente uma declaração oficial dessa impossibilidade futura. Enquanto todo mundo comemorava com uma festa épica nos bastidores, ele deixou o local. "Acabei no pub Marathon em Camden, bebi quatro garrafas de cerveja e meia garrafa de vodka e depois fui para a cama. Porque eu tive que me afastar, tive que ir. Estava muito pesado. Foi lindo, mas era alo como testar sua própria mortalidade, muito louco!", disse ele, segundo o "Ultimate Classic Rock".

O vocalista certamente estava voltado para sua carreira solo, que tina acabado de ganhar novo fôlego com o álbum "Raising Sand", ao lado de Alisson Krauss, que ganhou cinco Grammys. "Eu fui tão longe que quase não consigo me identificar. Pra ser sincero, foi um pouco doloroso. Sei que as pessoas se importam, mas pense do meu ponto de vista — em breve vou precisar de ajuda para atravessar a rua", exagerou, ao falar sobre o reencontro no palco.

Só que o cansaço, pelo jeito, era só de Robert, cujo esforço para atingir as notas de um jeito minimante próximo ao que fazia quando tinha menos de 30 anos é, evidentemente, um desafio muito maior do que o imposto aos outros músicos. Os outros integrantes começaram a se movimentar para colocar a banda de volta à estrada. Ao longo de 2008 eles procuraram um novo vocalista. Um dos convidados foi Steven Tyler, do Aerosmith, numa história ceia de versões diferentes. "Steven desapareceu, e eu liguei. Alguém disse que ele estava em Londres tentando fazer parte do Led Zeppelin", disse o guitarrista Joe Perry em 2010. O companheiro de banda disse que Steven entrou cambaleando na sala e não sabia as letras das músicas e, por isso, foi dispensado. "Page sentiu-se realmente desconfortável com a audição", contou Perry.

Para limpar a própria barra, Steven disse que foi ele quem recusou o convite. "Falei com o empresário de Jimmy Page, Peter Mensch, que sempre foi um grande amigo meu. Ele disse que Robert não se reuniria mais e perguntou se eu gostaria de tocar com os caras. Eu fui, toquei e Jimmy perguntou se eu queria gravar. Eu disse não, estou no Aerosmith. Eu tenho lealdade à minha banda", explicou o vocalista.

Myles Kennedy, que canta com Slash e Alter Bridge, foi outro nome cogitado. "Acredite em mim ... me lembrarei daqueles ensaios até o dia da minha morte. Eles só queriam tocar e montar um projeto de algum tipo. Eles não tinham certeza do que era, mas nunca seria o Led Zeppelin com um novo cantor, obviamente", disse ele em 2014.

Finalmente, no início de 2009, o empresário anunciou que a ideia tinha sido abandonada. "Eles experimentaram alguns cantores, mas ninguém deu certo. Foi isso. Não há planos para o Led Zeppelin continuar", disse.

Robert Plant, Jimmy Page, Jason Bonham e John Paul Jones na premiere do filme "Led Zeppelin: Celebration Day" em Nova York, em 2012. Foto: Getty Images
Robert Plant, Jimmy Page, Jason Bonham e John Paul Jones na premiere do filme "Led Zeppelin: Celebration Day" em Nova York, em 2012. Foto: Getty Images

Com a chegada do filme nos cinemas em 2012, o burburinho sobre uma nova reunião voltou a ficar forte, porém Robert tratou de cortar o assunto na entrevista coletiva que deram para promover o lançamento. “Somos muito bons no que fazemos. Se somos capazes de fazer algo, em nosso próprio tempo, será isso o que acontecerá", disse. Perguntado se sabia que seus comentários desapontariam os fãs, ele apenas disse: "Desculpe".

Confira o repertório completo do "Celebration Day" do Led Zeppelin:

1. Good Times Bad Times

2. Ramble On

3. Black Dog

4. In My Time Of Dying

5. For Your Life

6. Trampled Under Foot

7. Nobody’s Fault But Mine

8. No Quarter

9. Since I’ve Been Loving You

10. Dazed And Confused

11. Stairway To Heaven

12. The Song Remains The Same

13. Misty Mountain Hop

14. Kashmir

15. Whole Lotta Love

16. Rock And Roll

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