Les Amazones d'Afrique: supergrupo feminino canta o amor para combater violência contra a mulher
Entretenimento

Les Amazones d'Afrique: supergrupo feminino canta o amor para combater violência contra a mulher

Em 2017, o coletivo feminino Les Amazones d'Afrique apresentou seu álbum de estreia, "Republique Amazone", três anos depois de ser criado por Valérie Malot, que incentivou cantoras a se unir para combater a violência contra as mulheres na África. As músicas traziam as duas assinaturas do grupo: ritmos dançantes aliados a mensagens de denúncia à violência contra mulheres em todo o mundo.

O segundo álbum, chamado "Amazones Power", foi lançado na última sexta-feira (24/1) e se baseia em muitos desses temas. O grupo cresceu, com o núcleo de mulheres com raízes na África Ocidental agora complementado por uma mistura internacional de homens e mulheres. "Desta vez, várias músicas combinam vocais masculinos e femininos. A inclusão deles não é apenas artística; também é simbólica. Os homens têm seu papel a desempenhar no feminismo", diz a vocalista Niariu ao "The Christian Science Monitor".

Niariu, nome artístico de Tiguidanké Diallo, é uma das integrantes de Les Amazones d'Afrique. Seu atrevido staccato impulsiona "Heavy", o primeiro single do novo álbum. Ela também é a única a estampar a capa do álbum com seus braceletes dourados e um acessório de guerreira amazônica.

O álbum é multilíngue, com letras que se concentram nos direitos das mulheres. Sua formação inclui cantores do Mali, Argélia, Benin e Burkina Faso. O projeto, que teve produção de Liam Farrell, também conhecido como Doctor L, vai além da música e é uma forma de capacitar mulheres contra o abuso conjugal e mutilação genital feminina. "O primeiro álbum foi para falar e lutar contra a violência contra as mulheres. Este é realmente sobre empoderamento, irmandade e amor", define Niariu.

Fafa Ruffino, Kandy Guira, Rokia Koné, Niariu e Mamani Keïta apresentam uma música eletrônica com influência de dub, entrelaçada com o afrobeat e o violão da África Ocidental. Niariu fazia parte de um grupo parisiense underground quando foi convidada para compor e cantar no grupo.

Mariam Doumbia e Mamani Keita, do Les Amazones d'Afrique. Foto: Getty Images
Mariam Doumbia e Mamani Keita, do Les Amazones d'Afrique. Foto: Getty Images

Desta vez, várias músicas combinam vocalistas masculinos e femininos. "A feminilidade está em todos — homem e mulher", diz ela, elogiando Jon Grace e Boy Fall por suas sensibilidades emocionais em suas parcerias. A cantora também vê um papel das mulheres em adotar qualidades masculinas. "Heavy" é uma homenagem a mulheres empresárias, como a avó senegalesa de Boy-Fall, imigrante que fundou um salão de cabeleireiro de sucesso em Paris.

Niariu cita mães solteiras como outro exemplo de mulher que personifica masculinidade e feminilidade. A mãe dela está entre eles. "Quando ela era jovem, era aquela garota legal, rebelde. E então se casou e sua vida mudou e ela não tinha mais como seguir seus sonhos", diz a cantora.

A cantora, no entanto, hesita em dar detalhes da experiência conjugal da mãe como imigrante da Guiné. "Houve muitos momentos realmente desesperadores", diz, apenas. Ela foi criada por tias, que a inspiraram na canção "Smile". “É uma mensagem, uma forma de falar com minha mãe, que precisava e ainda precisa dessa irmandade. E para todos que passaram por histórias parecidas ou estão passando pelas mesmas coisas e tentam quebrar esse ciclo”, diz ela.

A faixa final do álbum, "Power", reúne 16 vocalistas para reiterar uma mensagem semelhante. É um clamor universal pelo fim da violência contra as mulheres e promover a igualdade e o respeito. "Sem mulheres segurando este mundo, não estaríamos em paz. As mulheres são a cola que une as pessoas como sociedade", diz Niariu.

Relacionados

Canais Especiais

Ícone do FacebookÍcone do TwitterÍcone do InstagramÍcone do YoutubeÍcone do DeezerÍcone do SpotifyÍcone do Pinterest