Lil Nas X: o que o sucesso de 'Old Town Road' representa para a comunidade LGBT na música
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Lil Nas X: o que o sucesso de 'Old Town Road' representa para a comunidade LGBT na música

"Can't nobody tell me nothin'" ("Ninguém pode me dizer coisa alguma", em tradução livre) é o verso que introduz o refrão de "Old Town Road", hit estrondoso do rapper americano Lil Nas X em parceria com o cantor country Billy Ray Cyrus. No topo do Hot 100 da Billboard por 15 semanas seguidas, o single (e mistura inusitada de gêneros musicais) se tornou a faixa de hip-hop a passar mais tempo no ranking e, agora, tomou o lugar de "Candle in the Wind 1997", de Elton John, como canção de um artista queer a ocupar o número um da lista pelo maior período. Abertamente homossexual, Lil Nas X está a apenas uma semana de ter a música mais duradoura da história no topo do Hot 100, alcançando "Despacito", de Luis Fonsi, Daddy Yankee e Justin Bieber, e "One Sweet Day", de Mariah Carey e Boyz II Men. Não é pouco.

Cabeça do ranking dos que mais lucram na indústria musical americana, Lil Nas X é representante de um processo que já toma forma há algum tempo pelas mãos de artistas jovens. Aos 20 anos de idade, o rapper se recusa a adaptar o próprio estilo em categorias pré-estabelecidas e mescla influências das mais variadas origens no modo como se veste, como se comunica e como produz música. A união do rap, do trap, da música country e da eletrônica presente em todo o "7" (2019) — EP de estreia do cantor — é apenas parte do que faz o artista nascido em Lithia Springs, no estado da Georgia, dialogar tão fortemente com as tendências naturais de mudança e fluidez já características à geração Z.

"Old Town Road", de Lil Nas X feat. Billy Ray Cyrus, passou o recorde de "Candle in the Wind 1997", de Elton John, como o single de um artista queer a passar mais tempo no topo do Hot 100 da Billboard  / Foto: Reprodução YouTube
"Old Town Road", de Lil Nas X feat. Billy Ray Cyrus, passou o recorde de "Candle in the Wind 1997", de Elton John, como o single de um artista queer a passar mais tempo no topo do Hot 100 da Billboard / Foto: Reprodução YouTube

"Eu achei que fosse óbvio", disse Lil Nas X, quando decidiu contar em uma série de tweets em seu perfil pessoal sobre a própria sexualidade, pouco antes do fim do Mês do Orgulho LGBT. Mesmo ciente do preconceito que poderia vir a sofrer dentro do hip-hop e do country, ele expôs o fato com leveza por meio de uma referência à bandeira LGBT deixada propositalmente na ilustração da capa de seu EP.

Na contramão da preocupação de rappers como Young Thug — quem considerou equivocada a decisão do pronunciamento por medo de represálias ao colega —, Lil Nas X continuou benquisto pelo grande público. Também sem enxergar muito sentido na definição de categorias rígidas em diversos assuntos, a parcela mais jovem de quem acompanha o trabalho de Lil Nas X, Tyler The Creator e Syd — também dois artistas do hip-hop abertamente não-heterossexuais — parece se identificar cada vez mais com a fluidez artística e também identitária desses nomes.

Em post no Twitter, Lil Nas X contou sobre sua orientação sexual para seguidores / Foto: Reprodução
Em post no Twitter, Lil Nas X contou sobre sua orientação sexual para seguidores / Foto: Reprodução

Dominar as paradas e bater recordes históricos talvez ainda não seja sinônimo de transformações estruturais para artistas LGBTQ+, mas é um claro sinal de que a valorização da diversidade na música vem assim como o eu lírico de "Old Town Road": a cavalo. Lil Nas X já é uma dica significativa de como a indústria musical precisará se comportar no futuro se quiser continuar conquistando grandes públicos. E, mesmo que o feat. com Billy Ray Cyrus não ultrapasse a décima sexta semana no topo do Hot 100, ela já mostrou que, de fato, ninguém pode dizer às novas gerações o que fazer.

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