Lil T usou a música para superar o bullying na adolescência
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Lil T usou a música para superar o bullying na adolescência

O negócio de Lil T é o samba, mas ele já fez de tudo: durante a adolescência, participou de bandas de hardcore que viajaram o Brasil; em 2013, emplacou o samba-rock “O Lado Bom de Amar” nas paradas; compôs a letra de “Fugir Agora”, fenômeno na voz da teen Larissa Manoela e ainda encabeçou o projeto “A Torcida Grita Gol”, que reuniu grandes nomes da música brasileira durante a Copa do Mundo no Brasil. O fato é: quem está por dentro do trabalho realizado pelo produtor, cantor e compositor, nem imagina que foi através da música que ele não apenas encontrou sua vocação, mas também conseguiu superar anos de bullying.

Thiago Nogueira nasceu em Bonsucesso, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Ainda que seu avô fosse militar e abominasse a ideia de ter um artista na família, o jovem se encantou ainda cedo com o universo musical. A culpa foi do tio Márcio Souto e o sucesso que acompanhou seu único hit, a música “Coração Radiante” – regravada, cinco anos depois, pelo Grupo Revelação. “Achava aquilo o máximo e ali mesmo decidi que iria focar e investir nisso de alguma forma. É legal perceber que essa filosofia permaneceu durante toda a minha carreira”, lembra ele. Com o tio aprendeu a tocar pandeiro, da avó ganhou o primeiro instrumento, um cavaquinho, e o avô logo aceitou que aquele era um caso perdido.

Ou ganho. Afinal, foi graças aos dotes musicais que Thiago superou um momento complicado em sua vida. Aos 13 anos, o adolescente de 1,70 metro pesava quase 100 kg e, ao ingressar no Colégio Pedro II para cursar o Ensino Médio, percebeu uma resistência na aceitação dos colegas. Ao invés de se tornar recluso, decidiu ouvir os conselhos da mãe psicóloga e buscou formas de aproximação através da arte. “Quando eu sentava para desenhar ou pegava num instrumento, todo mundo parava para ver e gostava. Daí os meninos que ficavam me zoando não entendiam como é que eu tinha virado o centro das atenções”, diverte-se ele, hoje com 32 anos, explicando que tira a humildade como maior lição desta época: “Já estive em situações que poderia ter feito a mesma coisa com outras pessoas e não fiz por saber exatamente o quanto aquilo dói e deixa marcas”.

O que era um hobby passou a ser coisa séria quando Thiago passou a estudar programas de gravação para poder produzir as bandas que integrava. Deu tão certo, que os amigos começaram a solicitar os mesmos serviços. Influenciado por bandas de grunge e hardcore americanas, ele passou a fazer shows no estilo e se apresentou por todos os estados do país, sendo o próprio engenheiro de som do grupo.

Até que, em 2012, após um ano sabático, nasceu a persona Lil T junto com o projeto “Meu Samba É Rock”, no qual voltava às raízes apresentadas pela família. Assinou com a DeckDisc, fez vários shows e foi influenciado pelo produtor Rafael Ramos a se tornar compositor. “Ele escreve de maneira precisa, tanto quando cria com o coração, quanto quando recebe uma encomenda com um objetivo bem definido. É um artista completo, com uma longa estrada de sucesso pela frente”, garante o produtor, que descobriu o grupo Mamonas Assassinas e a cantora Pitty.

A dupla sertaneja Johnny Lucas e Matheus, MC Dudinha e a já citada Larissa Manoela foram alguns nomes com quem Lil T trabalhou, seja compondo ou produzindo. “Acreditei que a música seria um sucesso desde a primeira vez que ouvi e até hoje considero um dos melhores trabalhos da minha carreira”, afirma MC Maromba, para quem Lil T escreveu a música “Bumbum Bate Bag”.

Para 2019, o plano é seguir com as parcerias, mas desta vez com ele também assumindo os microfones. Recém-lançadas, as músicas “É o Paraíso” e “Covardia” foram gravadas, respectivamente, com os artistas Sant e Vitinho e fazem parte do projeto “Lil T Ao Vivo e Convidados”. Novidades com MC Tarapi e a banda MTW já estão confirmadas, trazendo influências do eletrônico e do hip-hop – mas sempre associadas às origens. “Volto para o samba para não perder o meu Norte, com a certeza de que foi a música que protegeu a minha mente”, conclui.

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