Little Richard: as 20 músicas essenciais do ídolo inspirador de Paul McCartney, Sam Cooke e outros gênios
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Little Richard: as 20 músicas essenciais do ídolo inspirador de Paul McCartney, Sam Cooke e outros gênios

Certa vez, Little Richard se autodefiniu numa entrevista: “Eu sou o inovador! Eu sou o criador! Eu sou o emancipador! Eu sou o arquiteto! Sou rock'n'roll! Agora, não estou dizendo que eu seja vaidoso". Bom, depois dessa, não restam muitos adjetivos para se referir ao cantor, que completa 87 anos nesta quinta (5/12).

Não há como mensurar a influência que Richard, nascido Richard Penniman na Geórgia, teve em várias gerações de artistas. Os Beatles aprenderam com ele seus gritos de êxtase; Paul McCartney era fascinado pela voz do ídolo e, aos 15 anos, usou sua melhor imitação de Little Richard para impressionar John Lennon no dia em que entrou para The Quarrymen.

Bob Dylan listou que sua ambição era "se juntar a Little Richard", e David Bowie, aos nove anos, comprou um saxofone na esperança de imitar seu som. A fase glam de Bowie, a empolgação e resistência de Mick Jagger, os movimentos sensuais de Prince - tudo é difícil de imaginar sem a extravagância andrógina de Richard abrindo os caminhos.

Little Richard: influência para grandes nomes do rock. Crédito: Getty Images
Little Richard: influência para grandes nomes do rock. Crédito: Getty Images

Pode-se dizer que Little Richard era o mais bizarro de todos os grandes nomes do rock'n'roll — sua expressividade sexual não era prejudicada pelo charme de Elvis Presley, a astúcia de Chuck Berry, a sensibilidade pop de Buddy Holly ou a genialidade de Fats Domino. Richard fundiu o espiritual e o orgásmico de tal forma que mudou para sempre a maneira como os músicos falavam sobre desejo. Como Jimi Hendrix disse: "Quero fazer com minha guitarra o que Little Richard faz com sua voz".

Abaixo, uma lista organizada pela revista americana "Rolling Stone" para ilustrar um pouco da incrível carreira desse quase nonagenário do rock'n'roll.

‘Tutti-Frutti’ (1955)

Um-wop-bom-loo-mop-a-lomp-bom-bom. Little Richard escreveu a melhor (talvez a primeira) letra de rock para descrever uma levada de bateria que ele queria. Mas o produtor Bumps Blackwell achou prudente contratar a compositora Dorothy LaBostrie para "moderar" alguns trechos, verdadeiras instruções sobre sexo anal ("If it don't fit, don't force it/ You can grease it, make it easy"). A onomatopeia manteve uma alegria carnal além do alcance de qualquer palavra do dicionário — nas duas últimas sílabas, é possível praticamente ouvir as corpos batendo um contra o outro.

‘Slippin’ and Slidin’’ (1956)

"Eddie Bo lançou a música antes de mim e foi um sucesso em Nova Orleans", disse Richard à "Rolling Stone" em 1970. "Eles lançaram o meu single na semana seguinte e mataram o dele, porque ele não tinha ritmo. Veja bem, não tinha aquilo que eu tenho ", ironizou. Comparando essa verdadeira bola de fogo do rock'n'roll ao estilo R&B cool de New Orleans de Bo, era fácil identificar a "coisa" peculiar de Richard.

‘Heeby-Jeebies’ (1956)

As músicas de Little Richard tinham muito mais compromisso com a velocidade e, geralmente, todo o otimismo, entusiasmo e inquietação que o acompanhavam. Nessa explosão frenética, Richard parece cantar mais rápido que a batida, como se sua necessidade de acelerar estivesse além de seu controle. Não é surpresa que o maior dos grandes nomes do soul dos anos 60, Otis Redding, que chamou Richard de “minha inspiração”, tenha começado sua trajetória profissional tocando “Heeby-Jeebies” em um show de calouros.

‘All Around the World’ (1956)

A definição de Little Richard para o rock & roll era bem simples: R&B rápido. “Tocada acima do tempo, você chama rock’n’roll; em um ritmo regular, você chama R&B”. “All Around the World” se destaca como dos hits mais frenéticos de Richard mas, se é um pouco mais lento, não é menos exuberante nem menos rock. A canção não é menos exuberante nem menos rock. A canção provava que o novo som também era um fenômeno global — um ponto que Richard logo ajudaria a confirmar em turnês distantes como a Austrália nos próximos anos.

‘The Girl Can’t Help It’ (1956)

Normalmente, Little Richard não precisava de apoio: ele fornecia energia vocal suficiente para um quarteto inteiro. Nessa música-título do filme de Jayne Mansfield, de 1956, Richard dá gritos que aumentam a intensidade de uma música que já era feroz.

‘Send Me Some Lovin'’ (1957)

O impacto de Little Richard no rock é tão inconfundível que seu papel no desenvolvimento do soul às vezes é esquecido. “Ele fez muito pela nossa música”, disse Sam Cooke em 1962. Comparar essa performance com as versões de “Send Me Some Lovin'” que os grandes nomes do soul fizeram nos mais variados estilos, mostra as diferentes direções que a influência de Little Richard poderia levar.

‘Jenny Jenny’ (1957)

Esse som viajou através do oceano para Liverpool. “Eu poderia fazer a voz de Little Richard, que é uma coisa selvagem, rouca e gritante, é como uma experiência extracorpórea”, disse Paul McCartney, que era de fato um dos melhores imitadores do homem. “Você tem que deixar sua sensibilidade de lado e deixar sua cabeça nas nuvens para cantá-la”, explica o beatle.

‘Lucille’ (1957)

Lucille é pura loucura. Nas mãos de um guitarrista, esse toque ousado seria chamado de riff, e foi exatamente o que resultou quando a música ganhou covers de nomes como Status Quo, AC/DC e Sonics, mas também ficou muito pesada nas mãos dos Beatles. Porém, nada superava o original, onde Little Richard chora como um homem cheio de desejo carnal mas que, por mais que implore, sabe que nunca será cumprido.

‘Good Golly, Miss Molly’ (1958)

Little Richard adotou um slogan que um DJ chamado Jimmy Pennick costumava usar para o título da canção e e copiou a introdução do piano de “Rocket 88”, de Jackie Brenston. “Eu sempre gostei desse disco”, lembrou Richard, “e eu costumava usar o riff no meu trabalho, então, quando estávamos procurando uma introdução para ‘Good Golly, Miss Molly’, ela se encaixou perfeitamente”, justifica.

‘Ooh! My Soul’ (1958)

“Elvis pode ser o rei do rock´n´roll, mas eu sou a rainha”, falou certa vez. Ele pode ser cauteloso ou franco com sua sexualidade — Eu acredito que fui um pioneiro gay”, ele disse certa vez a John Waters, embora não admitisse nada - mas foi um inconfundível pioneiro da androginia do rock´n´roll. “Ooh! My Soul” é o som de Little Richard se seduzindo, confirmando que ele acha seus próprios encantos irresistíveis.

‘Kansas City’ / ‘Hey Hey Hey Hey’ (1959)

Little Richard gravou duas vezes do clássico de Leiber/Stoller de 1955. A primeira versão é próxima à gravação original de Little Willie Littlefield, mas sua personalidade está lá quando grita “hey hey hey hey”. A segunda vez, em 1959, Richard grava “Hey Hey Hey Hey”, sobre “voltar para Birmingham”, com a mesma introdução de guitarra e bateria de sete notas que “Kansas City”. E foi assim que não apenas transformou “Kansas City” em uma música dele, como também coletou royalties quando os Beatles fizeram um cover.

‘By The Light Of The Silvery Moon’ (1959)

Little Richard gravou a canção da Tin Pin Alley, composta em 1909, em 1959. A versão em voga era a de Doris Day, incluída em um filme homônimo ("Lua Prateada"). A do rock'n'roller é pegada ágil, impulsionada por um barulho insistente. Tão divertida quanto o ritmo, a letra de Edward Madden fala sobre o que é cantar.

‘Bama Lama Bama Loo’ (1964)

“Bama Lama Bama Loo” é a primeira das tentativas de Richard de voltar ao lugar ao qual pertencia. Depois de passar por várias gravadoras no início dos anos 60, ele volta à Specialty em 1964 para lançar esse absurdo delirante. Ele pretendia claramente evocar “Tutti Frutti” e transforma o envelhecimento em um trunfo, desacelerando um pouco o ritmo.

‘Rip It Up’ (1956)

Existe uma violência implícita no título de “Rip It Up”, com a qual Richard liderou, pela segunda vez, o ranking de R&B. Apesar dessa promessa de caos, ali ele flutua seu falsete no refrão. Seus colegas adotaram uma abordagem diferente —a versão de Elvis Presley é mais forte e os Everly Brothers a gravaram mais animadinha.

‘Keep A-Knockin’ (1957)

O baterista do Led Zeppelin John Bonham roubou a introdução de Earl Palmer, baterista de Richard, para usar em “Rock and Roll” — um reconhecimento de que este single de 1957 é, definitivamente, O rock’n’roll. Supostamente, é uma resposta à descontraída “I Hear You Knockin”, de Smiley Lewis, de 1955, em que Little Richard compete com seu saxofonista para vem quem faz mais barulho. O rock’n’roll nunca soou mais puro do que isso.

‘Long Tall Sally (The Thing)’ (1956)

"Long Tall Sally" é toda baseada em insinuações, quando o pequeno Richard avista o tio John esgueirando Sally pelo beco, dizendo que vai falar com tia Mary. O que os dois estão fazendo não está claro, mas o clima é de algo ilícito. A canção rendeu a Richard seu primeiro lugar no ranking de R&B e o primeiro Top 10 pop. Foi algo irresistível para gerações de músicos, como os Beatles. John Lennon disse: "Quando ouvi, foi tão bom que não consegui falar". Já Paul McCartney a estudou, incluindo-a no repertório das primeiras apresentações com Lennon.

‘Ready Teddy’ (1956)

“Ready, set/ go, man, go!” Essa abertura é como se fosse uma pistola de partida e a voz de Richard é o sinal de que a corrida está iniciando. Cada verso é um grito à capela pontuado por explosões de percussão. John Marascalco e Robert Blackwell “me trouxeram a letra e eu inventei a melodia. Na época eu fiz muitos hits mas não sabia como reivindicar tanto dinheiro. Mas se não recebi dinheiro, ainda tenho liberdade”, disse à "Rolling Stone" em 1970.

“I Don’t Know What You’ve Got but It’s Got Me” (1965)

Não entrou nas paradas pop, mas se tornou o último grande sucesso de R&B de Little Richard no final de 1965. Aqui, ele se conecta às raízes gospel de uma maneira que nunca fez antes.

“I Need Love” (1967)

Richard praticamente se exilou em meados dos anos 1960 em Okeh, tentando lidar com suas instabilidades emocionais. Ele conseguiu um pequeno sucesso com "Poor Dog", mas muito melhor foi a eletrizante "I Need Love". Ele dá um toque sofisticado, criando um refrão tão explosivo que é catártico.

“Freedom Blues” (1970)

Little Richard teve a oportunidade de se conectar a um novo público na virada dos anos 1970. Quando assinou com o selo Reprise, ele se recusou a reviver antigos sucessos e mergulhou de cabeça nas novidades da época. "Freedom Blues" impressiona não só pelo desempenho apaixonado de Richard, mas pela forma original com que ele abordou a contracultura em um single que faz a cabeça e faz sacudir a cabeça.

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