Loucura, tristeza & rocks rurais: os novos álbuns de Arnaldo Antunes, Vovô Bebê e O Campo + Flaviola em vinil
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Loucura, tristeza & rocks rurais: os novos álbuns de Arnaldo Antunes, Vovô Bebê e O Campo + Flaviola em vinil

Vovô Bebê – “Briga de Família”

“Briga de família” é o terceiro álbum do projeto de Pedro Dias Carneiro, o Vovô Bebê – e também o nome do show que ele apresenta há certo tempo no circuito alternativo do Rio de Janeiro. É, como os anteriores (“Vovô Bebê”, de 2015 e “Coração Cabeção”, de 2017), filho da música de vanguarda brasileira embebido em psicodelia. Mas “Briga de família” tem mais cara de banda (até porque, dessa vez, foi gravado com uma banda mesmo). E porque tem cor e cheiro de fruto da atual cena neotropicalista carioca – Luiza Brina, Ana Frango Elétrico. O disco é uma loucura, como se gerações de música de invenção brasileira estivessem tocando ao mesmo tempo e não necessariamente a mesma música. E isso é bom: aponta para o futuro embora bem firmado no passado, aponta para o confronto e para o inusitado.

Arnaldo Antunes – “O Real Resiste”

Falando de vanguarda: Arnaldo Antunes, discípulo e influência de toda linhagem da música torta brasileira acabou, voluntária e involuntariamente, se colocando como uma das vozes mais simpáticas contra o governo Bolsonaro. Há pouco, com a confusão envolvendo seu clássico “O Pulso” na manifestação de 15 de março contra o Congresso e o STF, mas, um pouco antes, pelo single “O Real Resiste” em que ironizava que “autoritarismo não existe/ sectarismo não existe/ xenofobia não existe/ fanatismo não existe/ bruxa, fantasma bicho papão/ o real resiste/ é só pesadelo, depois passa/ na fumaça de um rojão”. A música dá título ao novo álbum do cantor, o décimo-segundo de sua carreira solo. Diferentemente de “RSTUVXZ”, “O Real Resiste” é disco minimalista, límpido e eminentemente acústico. Talvez involuntariamente, é um álbum triste e reflexivo, mesmo nos vários momentos em que não fala de política ou sociedade.

O Campo

Apesar da procedência, do nome e das fotos de divulgação indicarem se tratar de uma banda de rock rural, esse grupo de Taubaté, interior de São Paulo, vai muito além disso. Um pouco de jam rock, muito de space rock, psicodelismo cobrindo tudo e um climão de rock alternativo do início dos anos 1990. O álbum de estreia, homônimo, reúne oito longas faixas, muito bem executadas e gravadas (guitarrista Michel Renó é dono de um estúdio na cidade) que provoca aquilo que todo disco de estreia deveria provocar: vontade de assistir o grupo ao vivo.

Flaviola e Bando do Sol

Depois do relançamento de “Paebiru”, a parceria entre a Polysom e a Rozenblit alcança outro tesouro perdido do agreste pernambucano dos anos 1970. “Flaviola e O Bando do Sol” foi um álbum independente bancado pelo cantor Flavio Lira aos 21 anos e lançado pelo selo Solar, que se restringiu à primeira e minúscula tiragem. Na década de 1990 o álbum tornou-se cult, com direito a edições piratas de selos europeus. Esta tiragem em vinil é a primeira desde 1976. Flaviola mistura folk, psicodelia, música medieval e regionalismos com um resultado que sobreviveu muito bem ao tempo e com um time que inclui Robertinho de Recife, Zé da Flauta, Lula Côrtes e Paulo Raphael. O revival de Flaviola – que já rendeu até seu retorno aos palcos no Abril Pro Rock de 2015 – agora segue para um novo álbum, com composições inéditas, que deve ser lançado ainda este ano pelo selo Discobertas.

Playlist Na BR-3

No ar, a atualização da playlist oficial da coluna, como um vôo nas novidades do pop-rock brasileiro, os artistas sobre quem conversamos no último mês e boas surpresas de sempre. Sigam-me os bons!

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